Lendas, mágica e tecnologia
Às vezes é bom nem pensar na velocidade em que as coisas acontecem e só aproveitar. Hubs, satélites, roteadores, fibras óticas e fios de cobre me trouxeram o link para um blog chamado Pink Tentacle, sobre tudo relacionado ao Japão. Neste post ele mostra algumas lendas urbanas da era Meiji, o período em que o país encerrou séculos de isolamento e começou a progredir em uma velocidade estonteante (que parece não ter diminuído até hoje, dado que tudo de mais moderno ainda vem de lá).
As estradas de ferro causaram impacto à vida selvagem, e as divindades da natureza formavam trens fantasmas; o isolamento dos fios elétricos não era piche, era sangue de virgens; o chocolate era feito de sangue coagulado de vaca. Esta e outras lendas urbanas se espalharam pelas ilhas, tentando trazer algum sentido para toda aquela novidade.
O autor Isaac Asimov já falou que “qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguivel de mágica”. Isso é válido tanto para o Japão da era Meiji quanto para o sertão de Goiás quanto para alguém que trabalha na área de tecnologia há tanto tempo, meditando sobre quanta informação está passando por esta caixinha preta aqui do lado, e fantasiando com ela ganhando vida durante a noite e saindo piscando pelos jardins em forma de vaga-lumes…
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Uma nova história das coisas
Tudo tem seus prós e contras. Até a ascensão da sociedade consumista que aparentemente está nos levando a confirmação do calendário maia tem o seu “pró”, que depois se transforma em “contra” e, como no calendário em questão, o ciclo se renova.
O famoso documentário na Web “The Story of Stuff” (A história das coisas), causou furor desde o seu lançamento, sendo ele mesmo um exemplo de massificação, com mais de 7 milhões de espectadores até hoje. Este simpático filme mostra como o ciclo de produção está tão fora de controle que um rádio custa menos do que o valor do seu aluguel na prateleira da loja em que é vendido. Termina com lições de moral sobre como corrigir as coisas.

Um protótipo interessante que parece casar a obsolescência programada com a preocupação com o meio ambiente é este laptop, ainda conceitual, feito de papelão. Os críticos dizem que é mais lixo eletrônico só esperando para acontecer, pois a durabilidade de um equipamento assim é uma fração da de seus elegantes MacBooks de alumínio.
Já eu vejo isso como uma oportunidade de aumentar ainda mais o impacto do programa “Um Laptop por Criança” (OLPC), que está indo para a sua versão 3.0 com um conceito de “laptop como folha de papel“.
Em um post anterior sobre a violência e sua aparente justificativa dada a massificação dos meios de produção de armas e do medo (via meios de comunicação), disse: “…deveríamos encontrar soluções para utilizar nossos avanços dos meios de produção para massificar a educação, desenvolvendo consciência.”

O laptop de 100 dólares
A escala industrial que barateou os componentes do XO (o laptop da Fundação OLPC) e trouxe seu custo para menos de 100 dólares também permitiu o aumento do lixo eletrônico. Segundo Nicholas Negroponte, o visionário fundador da OLPC, depois da introdução do XO em sociedades da América Latina, aumentou o interesse da população em adquirir laptops “um pouco melhores”, aquecendo a economia, aumentando o acesso a informação mas ao mesmo tempo gerando uma reserva de lixo eletrônico para um futuro a médio prazo.

Isso sem contar os fashionistas tecnológicos que compraram XOs só como um brinquedo para mostrar para seus amigos.
Acho interessante olharmos para o lado bom dessas inovações do mercado de consumo, especialmente de tecnologia, que trazem acesso a educação e informação para pessoas que sem elas estariam ainda na escuridão. A mão invisível do mercado pegará estas “lanternas” obsoletas e as transformará depois, tenho certeza.
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The times…
Hoje no shopping (tentando pegar gripe) eu presenciei uma cena meio triste. Entre 12 e 15 guris, cada um ouvindo música em seu próprio celular. Interação por meio de gestos, um apontando para o outro suas pequenas telinhas com a música atual.
Antes era assim…

…já hoje…

Estamos levando o individualismo às últimas conseqüências. Nem fisicamente juntos conseguimos nos identificar com alguma coisa em comum. Nem tentamos mais.
reclamado por Douglas
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Pós-Modernidade! Pós! Modernidade!
Assunto não falta. Ou talvez falte. Então que tal reciclar um velho, colocar um pouco de novo, misturar com algo beeem velho, soldar com luz do sol, embalar em plástico e chutar na rede de vôlei?
Pois é, isso é a pós-modernidade! (Será?) Vivemos uma era de mashups, integração, reinvenção, criação comunitária. Quero falar de dois tipos, começando pelo mais simples.
DJ Shadow e Cut Chemist são… adivinhem… DJs. Eles se uniram em alguns projetos, o mais recente a ganhar formato CD é “The Hard Sell (Encore)“, de 2008. Ouvindo este resultado da parceria não fica claro onde começa a “seriedade” e as batidas de Shadow e termina o lirismo latino do Cut Chemist, tão rápida são suas sobreposições. É fantástico! Mas não é só isso: além das suas personalidades (musicais) eles usaram bluegrass, música dos anos 80 e 90 (lembram daqueles r&b’s bem grundentos?) e criaram algo lindo e ao mesmo tempo divertido. Recomendo muito.
Viram só? Bluegrass, sério, pop, engraçado. Encontre um amigo e crie algo novo! E nunca foi tão fácil!

Todos partes do todo
Este artigo da Wired do mês passado (com a maior concentração de buzzwords por parágrafo que eu vi em muito tempo) pode parecer exagerado, mas a “revolução digital” nos leva a uma constante colaboração entre indivíduos para criação de bens que possuem valor a princípio somente para os envolvidos, mas que pode ir atingindo novas audiências e, o mais importante, novos criadores que levarão o produto para o próximo nível.
A Wired fala de produtos de informação, mas podemos ver claramente bens culturais florescendo rapidamente por todos os cantos da Web, seja no Flickr, WordPress (e .com), ou até na venda de camisetas no modelo DesignByHumans, onde os artistas submetem sua arte, uma massa anônima vota e aprova designs que se tornam… produtos!
É um novo capitalismo transvestido de comunismo. E que travesti bonito que ele está ficando! Por enquanto ele ainda toma hormônimos comunistas, mas mal posso esperar para ele sofrer as últimas operações.
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