Sanfona, guitarras e microscópios
Quem freqüenta o blog já deve ter notado que eu gosto muito da banda curitibana ruído/mm, então não é surpresa alguma eu colocar aqui o primeiro clip (ou é “clipe”?) deles:
Parabéns para a banda, claro, e também para produtora (Mariana Zarpellon), editora (Bia Dantas) e “câmera” (Antonio Guillén)!
Categorizado em: Arte, MúsicaTags:clip, microscópio, Música, ruido/mm
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Alastrando
Como já exemplificado aqui, aqui e finalmente aqui, este blog é o equivalente de uma aldeia infestada por cólera quando se trata de vídeos virais da Internet. O caso está tão sério que agora estou postando um novo ramo do vírus OK Go e sua música “This Too Shall Pass”. Este é simplesmente fantástico!
Cóf!* *Cóf!* (tossindo pela infecção viral memética, não tem problema, isso não mata, só diverte!)
Categorizado em: Arte, Atualidade, MúsicaTags:clipe, internet, meme, Música, Ok Go, viral
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Tremor no Chile
Os chilenos são bem grandinhos para cuidarem de si mesmos depois deste terremoto. Eles sempre foram legais demais para se misturar com o resto do continente. Vai ver a força do desprezo deles está fazendo o país tremer para se desprender e virar uma ilha do Pacífico.
Piadinhas de mau gosto à parte, estive lá duas vezes, achei o país meio feio mas com pessoas bem legais. Então, minha homenagem ao país e meu desejo de recuperação rápida vão com a dica de uma artista muito legal de lá que descobri estes dias, Javiera Mena:
Teoria da conspiração: o novo presidente que assume semana que vem quer mais exército na rua. Assim como este sentimento anos 80 da Javiera, será que teremos um retorno aos anos de chumbo no nosso colega andino-pacífico? Dividam-se em grupos e discutam.
Categorizado em: Arte, Atualidade, MúsicaTags:80s, Chile, indie, Javiera Mena, Música, política, terremoto
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Sons de além túmulo
Ontem meu amigo Beto Torrente me convidou para escutar o novo álbum do Johnny Cash, “American VI: Ain’t no Grave” (2010), lançado ontem mesmo, 3 dias antes do cantor completar 78 anos. O único detalhe é que o “homem de preto”, como o cantor ficou conhecido no começo da carreira, morreu aos 71 anos.
Nos últimos anos de vida Johnny Cash colaborou com o super-produtor Rick Rubin em diversas sessões de regravações e versões. “Hurt“, do pesado e sujo Nine Inch Nails se transformou em uma suave camada de poeira, que incomoda tão ou muito mais do que qualquer bizarrice que Trent Reznor pudesse imaginar. O lançamento do clipe logo após a morte de sua mulher, June Carter, só adicionou ao peso. Um ano após o lançamento de “American IV: The Man Comes Around” (2002), Cash segue June em sua nova jornada.
Mas os discos continuam a sair. “Unearthed” (2003) é um box-set com versões que sobraram da gravação das sessões do projeto American de Rick Rubin. Normal um artista possuir algumas “sobras” que possam ser reaproveitadas. Com o toque de Rubin, elas ficam, se não inovadoras, pelo menos audíveis muito além de uma coletânea de greatest hits.
Mais um disco de American sai em 2006, com o subtítulo de “A Hundred Highways” (Cem auto-estradas), que como o nome sugere mostra Cash mostrando os caminhos que poderia estar seguindo no além-vida, com músicas como “God’s gonna cut you down” (Deus irá te cortar), “I came to believe” (Eu vim para acreditar) e “Love’s been good to me” (O Amor tem sido bom para mim).
“Ain’t no Grave” continua a tradição de músicas proféticas, com a própria faixa título, além de “Redemption Day” e sua ótima regravação de “Satisfied Mind“. Pode ser só que a música country tenha estes temas recorrentes de morte, amor e redenção, mas ouvindo os discos póstumos de Cash um tem a impressão de que ele realmente está mandando mensagens “do outro lado”, não só sobre o que fazer lá, mas como aproveitar aqui.
Categorizado em: MúsicaTags:2pac, Ain't no Grave, Johnny Cash, Música, Rick Rubin, The American VI
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Negócios de família
“A banda MoJones vai tocar no Wonka.” “No WON-KA?”. “Sim.” Minha presença estava garantida pois a banda é boa e o vocalista é um grande amigo, mas o choque da mais nova gig desta jam band ser em um dos bares mais hip de Curitiba se manteve até os primeiros dois minutos do show. Depois disso, a música derrubou qualquer diferença ou preconceito.
Apresentando os personagens e cenário deste acontecimento, primeiro temos a banda MoJones, com muito rock n’roll, blues e funk em seu repertório. Em seguida, o Wonka bar, onde a galerinha antenada se encontra para tomar cervejinhas e comer crepes. Lá ninguém com um tênis com menos de 4 cores é alguém. Se seu cabelo não for repicado com navalha, eles oferecem o serviço na entrada para que você não se sinta tão deslocado.
Nas horas de espera antes do show, ninguém parecia mais deslocado do que a própria banda. O bar estava bem cheio, o palco é pequeno e bem próximo da pista, não tinha como não sentir a pressão de tocar em um lugar assim.
Subindo no palco os cinco integrantes pareciam as cinco famílias de Nova York, cercadas pela Yakuza e as Tríades (de onde vieram tantos orientais?) e pela Lei, representada pelo padrão indie que o bar parece impor. Estava na hora de ir para os colchões.
Aliviando o choque do primeiro contato, os capos da MoJones tinham seus fiéis soldatos logo nas primeiras filas, agitando muito e dando aquele apoio. Nas primeiras músicas os acertos de som, menos teclado, mais guitarra, e muito mais Jim Beam e Caracus, tomadas com satisfação pelo vocalista enquanto a banda honrava o seu nome de jam.
Aos poucos o público em geral foi ficando curioso com a barulheira, com as músicas clássicas de bem antes de The Cure ou Lady GaGa, como Stevie Wonder e ZZ Top. Vi mais de um hipster agitando com Black Crowes. Para os fiéis da banda, a estréia ao vivo da primeira música própria, “Crazy Jane”, trouxe sorrisos de orgulho e satisfação (ao menos pra mim).
Já confortáveis no palco e até aceitando pedidos, o show foi chegando ao fim. Eu já estava na parte de cima do bar (embaixo continuava a encher) e ouvi uma nota/grito do Chefe que, se não garantiu a volta da banda ao bar, ao menos imprimiu para sempre (ou pelo menos até reformarem/pintarem de novo o lugar) em suas paredes a marca do verdadeiro rock n’roll.
Categorizado em: Arte, Gente, MúsicaTags:blues, curitiba, funk, hipster, Mojones, Música, rock, show, Wonka
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