Sob a pálida luz do luar o cenário estava montado, os cowboys se encaravam e procuravam uma falha para alvejar seu oponente…
Não, não estou falando de um conto de velho oeste ou de um filme western, mas sim do começo do show do Metallica em São Paulo ontem, dia 30/01/2010! Ao som de Ecstasy of Gold de Ennio Morricone, com cenas do filme O bom, o mal e o feio de Sergio Leone (The good, the bad and the ugly) os 4 cowboys do metal entraram no palco e já foram tocando Creeping Death, clássico do album Ride the Lighting de 1984.
Ao término dessa primeira música James Hetfield, quem eu devo dizer, além de ter uma enorme presença de palco, foi extremamente simpático e falou em português: “Estão prontos?” e mal as 68 mil pessoas no estádio tendo ido a loucura, Robert Trujillo puxou os primeiros acordes no baixo de For whom the bell tolls, também do mesmo álbum de 1984.
O show como pode-se perceber foi marcado por clássicos e algumas poucas músicas do álbum Death Magnetic de 2008, o que com certeza agradou muito os fãs, particularmente, senti falta de ouvir All nightmare long do último álbum, porém tivemos a ótima The Day that never comes, que considero ser uma das melhores do álbum novo.
Quanto as clássicas, não preciso falar muito, fora as já citadas no começo, tivemos músicas que mexeram com uma geração, como Fade to Black, Sad but True, Enter sandman, Master of puppets (responsável em partes por eu estar quase que sem voz hoje!) e claro, músicas que como diz um amigo meu: “já vi muito cabeludo chorando ouvindo…” que é One and Nothing Else Matters, essa última devo dizer, mexe pra caramba comigo: “So close, no matter how far / Couldn’t be much more from the heart / Forever trusting who we are / and nothing else matters” é muito eu nesse dias; e bem, One, quem estava do meu lado percebeu o quanto gosto dessa música, pra quem não sabe, ela é do album “…And Justice for All” e é baseada em um conto de Dalton Trumbo chamado Johnny Got his Gun, que conta a história de um soldado que se fere severamente na 1ª Guerra Mundial, tendo perdido os braços, pernas, ficado surdo, cego e perdido o paladar e o olfato, ou seja, é uma mente viva em um corpo morto.
Por fim, falemos um pouco de respeito, algo que citei no show do AC/DC, o Metallica não só respeita os fãs, como os ama, coisa que James Hetfield repetiu algumas vezes durante o show, todos os membros, Lars, Kirk e Trujillo também demonstraram uma paixão, mesmo após o show ter acabado, cada um fez um agradecimento ao público e ficaram jogando palhetas para a galera, para monstros do rock, o Metallica é uma grande família!
Antes de terminar um parenteses sobre a abertura com o Sepultura, ainda que minha opinião seja que hoje o Sepultura é apenas um cover do que ele foi no passado, o show deles foi intenso e muito bem orquestrado, me atrevo a dizer que foi uma parte do sábado que realmente não esquecerei!
Não imaginava ver um show melhor que o AC/DC nessa encarnação, mas o Metallica conseguiu o improvável, fez um show emocionante, fraterno! Sem dúvidas o melhor show que vi em minha vida! Talvez todo o clima envolta tenha ajudado, as pessoas que amo e estavam comigo, o MetalBus que foi nossa condução para o show… não sei, assisti o melhor show, ao lado das melhores pessoas, só posso dizer que Nothing Else Matters.





