Um dos mais recentes posts do meu douto co-editor Everton, sobre a história do uso das armas de fogo e o questionamento quanto ao seu impacto na sociedade abriu um leque de discussão mais exuberante do que os que eram usados pela banda espanhola Locomia. Gerou alguns bons comentários mas, como co-editor do blog, tenho foro privilegiado e posso fazer meu comentário e engrossar a discussão em um post. Este post.
Sou a favor da liberdade, seja ela para ter armas, fumar em público ou cantar na rua. Sou a favor da igualdade, algo que pode ser conquistado com respeito ou através do conflito, seja armado ou pacífico. Finalmente, fraternidade deveria ser o laço que une estas duas qualidades de vida, e só pode ser conquistada com educação e consciência, algo que, no desenfreado ritmo de desenvolvimento parecemos estar esquecendo de desenvolver.

Ou desenvolvendo em impulsos. Forçamos o uso de cintos de segurança, proibimos o cigarro, limitamos o uso de armas. Nosso sistema de representação está tão fora de sincronia com a realidade que o senso comum parece passar longe dos legisladores e governantes.
Traumas são coletivizados pelos meios de comunicação, movidos por interesses próprios, e estes traumas influenciam a tomada de decisões nas esferas superiores do poder. Em uma era onde a comunicação é tão fácil, ainda estamos isolados de nosso governo por uma camada isolante chamada imprensa.
Um dos comentários falou que a escala imposta pelo crescimento populacional e pelo ritmo de desenvolvimento limita o espaço de manobra das leis. Pode ser verdade. Mas se ela limita no tocante das proibições, deveríamos encontrar soluções para utilizar nossos avanços dos meios de produção para massificar a educação, desenvolvendo consciência. Ao invés de dedicar o tempo proibindo, dedicá-lo criando novas liberdades através do desenvolvimento cultural.
“A manutenção da República e a cura para seus males, é acima de tudo, a propagação da cultura.” Quem disse isso foi José Martí, um dos “inventores” de Cuba. A ilha, hoje comunista, mesmo antes da Revolução já se baseava no princípio de que uma população bem informada pode se defender de qualquer ameaça, seja ela interna ou externa. Não é à toa que até mesmo o regime marxista de atualmente se baseia muito mais numa idéia “martiana” de Cuba do que uma visão utópica do socialismo. E também não é à toa que a ilha tem um dos menores índices de homicídio do Mundo e resiste há mais de 50 anos a influência da maior potência mundial, que está a menos de 200km de suas praias.

A Martí, todo
Outro exemplo, extremo, é a Somália. Sem um governo efetivo desde 1991, com a educação inexistente e a proliferação de armas livre, é um dos países mais violentos do Mundo. Tropas e intervenção não resolveram o problema, só o desenvolvimento de consciência, de que somos todos irmãos, poderá salvá-los.
Estamos em uma posição privilegiada com relação aos países acima, com todas as nossas liberdades garantidas por uma Constituição cidadã e uma estabilidade econômica sem igual. Mesmo assim, não reagimos enquanto a corrupção e a distorção do discurso público nos move para uma distopia de controle. Olhamos a desigualdade social mas só enxergamos nela o crime, e não a oportunidade de diminuí-la, com a extensão das garantias que os mais privilegiados têm para os marginalizados, sendo a principal delas a educação.






