Em um post anterior eu mencionei brevemente um “pré-alfa super secreto dos Países Baixos” na minha busca com música nova. Este pré-alfa foi lançado esta semana, e se chama Shuffler (http://shuffler.fm/ para quem não acredita em seguir links). O @marcelcorso está envolvido no desenvolvimento do site, que tem gerado um buzz tremendo na Interweb, daí o acesso ao alpha.
O que o Shuffler faz é “zapear” por blogs de música organizados por gêneros, virando em sua forma mais básica uma jukebox digital. Um dos diferenciais é que ao mesmo tempo que ele toca as músicas dos blogs, o próprio blog que hospeda a faixa é mostrado na janela do navegador.
Quando primeiro ouvi falar do Shuffler eu pensei em citar o George W. Bush falando do seu iShuffle, uma besteirada usando a mesma palavra 4 vezes mas, por sorte, encontrei no meu dia-a-dia cibernético esta apresentação do futurólogo Jamais Cascio falando sobre o futuro da Internet (é, eu sei) e com alguns conceitos que ele expôs lá eu consegui analisar o Shuffler por uma ótica muito mais interessante, crítica e, confesso, empolgante.
Jamais (que nome bacana!) fala de três aspectos da cultura: criação, consumo e conexão. Resumindo, a Web atual ainda está no eixo criação+consumo, a “terra do Lego”. É fácil criar e é fácil consumir. É somente um passo além do nosso mundo anterior à Internet, com as pessoas consumindo o que os meios de comunicação, que também são movidos a pessoas, ofereciam.
O aspecto “conexão” que ele destaca não quer dizer os cabos de fibra ótica e a disponibilidade de conexão entre computadores. Ele descreve isto como a relação entre pessoas, produtoras de conteúdo ou não, neste ambiente da “terra do Lego”. Com tantos criadores, como avaliar o que é bom para cada um? Isto tem muito a ver com gosto, mas também reputação, confiança. A HypeMachine foi um experimento em trazer este tipo de garantia no mundo musical virtual, mas carecia de colocar uma cara nos artistas “selecionados” pelo seu algoritmo frio e imparcial.
O Shuffler devolve o controle deste julgamento de reputação ao usuário. Se você estiver disposto (tudo bem se não estiver, o site continuará lá, escolhendo e tocando as músicas para você), você muda para a janela e encontra um post de um blog acompanhando o que está tocando, com um pouco mais sobre a música, seja sobre um show, uma fofoca sobre o artista ou uma opinião, que pode dizer “olha como isto é legal, escute comigo”.
Esta conexão entre criação e consumo, baseada em reputação, pode transformar a Internet em um “espectro empático”, onde pessoas de gostos iguais não só consomem ou só se conectam, mas também criam e compartilham.







