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Como já exemplificado aqui, aqui e finalmente aqui, este blog é o equivalente de uma aldeia infestada por cólera quando se trata de vídeos virais da Internet. O caso está tão sério que agora estou postando um novo ramo do vírus OK Go e sua música “This Too Shall Pass”. Este é simplesmente fantástico!
Cóf!* *Cóf!* (tossindo pela infecção viral memética, não tem problema, isso não mata, só diverte!)
Categorizado em: Arte, Atualidade, MúsicaTags:clipe, internet, meme, Música, Ok Go, viral
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Lendas, mágica e tecnologia
Às vezes é bom nem pensar na velocidade em que as coisas acontecem e só aproveitar. Hubs, satélites, roteadores, fibras óticas e fios de cobre me trouxeram o link para um blog chamado Pink Tentacle, sobre tudo relacionado ao Japão. Neste post ele mostra algumas lendas urbanas da era Meiji, o período em que o país encerrou séculos de isolamento e começou a progredir em uma velocidade estonteante (que parece não ter diminuído até hoje, dado que tudo de mais moderno ainda vem de lá).
As estradas de ferro causaram impacto à vida selvagem, e as divindades da natureza formavam trens fantasmas; o isolamento dos fios elétricos não era piche, era sangue de virgens; o chocolate era feito de sangue coagulado de vaca. Esta e outras lendas urbanas se espalharam pelas ilhas, tentando trazer algum sentido para toda aquela novidade.
O autor Isaac Asimov já falou que “qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguivel de mágica”. Isso é válido tanto para o Japão da era Meiji quanto para o sertão de Goiás quanto para alguém que trabalha na área de tecnologia há tanto tempo, meditando sobre quanta informação está passando por esta caixinha preta aqui do lado, e fantasiando com ela ganhando vida durante a noite e saindo piscando pelos jardins em forma de vaga-lumes…
Categorizado em: Comportamento, GenteTags:folclore, internet, Japão, lendas, progresso, tecnologia
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Grátiscicle!
Um colega aventureiro precisava de um novo celular. Outro hirsuto colega deu a dica: tenta a lista Freecycle. “Freecycle?”, pensei. Fiquei intrigado e segui os links fáceis na Internet até encontrar um movimento popular muito interessante, o tal Freecycle. “Changing the world one gift at a time” (“Mudando o mundo um presente por vez”) é o lema da comunidade ou, melhor dizendo, comunidade de comunidades, pois cada cidade ou região tem seu grupo de “presenteadores”.
Adoro dar presentes, e mudar o mundo também não me parece uma má idéia. Não demorei 2 minutos para me inscrever na lista e começar a receber os disciplinados e-mails com “[OFEREÇO]“, “[RESERVADO]“, “[ACEITO]“, “[PROCURO]” no começo da linha de assunto, seguido das mais diversas mercadorias: livros, móveis, brinquedos, computadores e até papel para rascunho.
A idéia é anunciar itens que você não quer ou precisa mais e dar para outras pessoas. Nenhum dinheiro pode trocar mãos. São presentes mesmo. Da mesma maneira, se alguém quer ou precisa de alguma coisa, ela pede na lista e quem puder entra em contato e mais um presente troca mãos, de novo sem nenhum dinheiro envolvido.
É um jeito divertido de reciclar, melhorar o mundo e ainda fazer amigos, ou parceiros em uma iniciativa tão bacana. Sugiro que todos acompanhem as listas em suas localidades. Se não pelos itens, pelos sentimentos e histórias que coisas que nem são suas podem despertar: uma coleção inteira da Barsa fez minha imaginação voar, pois sempre quis ter uma quando pequeno. Um armário e uma mesa também quase foram resgatados por mim, mas enquanto eu pensava ela foi aceita por uma “entidade que cuida de crianças com problemas financeiros” (a entidade ou as crianças? Esses pequenos gastadores compulsivos!)
Uma mesma pessoa ofereceu um carrinho de bebê e logo em seguida pediu um cavalete de pintura. Será que ela perdeu um bebê e resolveu fazer terapia com pintura? Não, não… as crianças cresceram e ela agora tem tempo para voltar a pintar.
Sorte destas crianças crescerem em um mundo onde muito pouco se compra, e tudo se transforma.
Categorizado em: ComportamentoTags:ativismo, comunidade, consumo, freecycle, internet, lista
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“Ó mãe! Sem as mãos!”
Em 1997 lembro de anotar em um pedaço de papel endereços da Internet que a revista Wizard publicava, e assim que não tinha uma aula na Escola Técnica, ia para o CCE (Centro de Computação Eletrônica) usar os computadores com conexão à Rede, e com o Netscape 2.0 entrar nos sites da Marvel, da Wildstorm e eventualmente da… blergh… DC. Produções grandiosas. Lembro do site da Marvel sendo um “image map” enorme, que levava uns 5 minutos para carregar, com links (escondidos!) em forma de retângulos e círculos levando a informações sobre os personagens, revistas, etc.
Só que no papelzinho, junto dos sites oficiais, já apareciam sites pessoais. Lembro de um chamado “Jim Lee’s Shrine”, com um endereço complicadíssimo, http://wsnet.com/~serrian/JLShrine.htm (obrigado Google, um chute no estômago da memória ter achado isto mesmo com o site não existindo mais, parabéns!). Outros ainda tinham nomes de ruas famosas (SunsetStrip) e números longos que identificavam sites como casas de uma cidade, ou coleção de cidades chamada Geocities, que deixa de existir hoje.
Diferente de uma corporação como a Marvel, o site pessoal era um delírio de elementos visuais, como uma linguagem hieroglífica animada completamente nova, uma ansiedade para expressar a personalidade do criador do site em cada gif animado ou pano de fundo retirado de outros sites, remixado ou simplesmente copiado.

Homenagem do site xkcd.com ao fim do Geocities
A base da Internet é a cópia, já ouvi mais de um “especialista” dizer. Nos primórdios dela como veículo de conteúdo, isto era delirantemente evidente. Agora é um pouco menos, sendo que as cópias são pasteurizadas dentro de sistemas de gerenciamento de conteúdo como o Blogger, Wordpress e as inúmeras plataformas de wikis.
Teria razões para soar como um velho rabugento, pois logo em 1998 criei e publiquei a primeira encarnação da minha persona Web na “Página do Doug”, já desaparecida até do registro fóssil da Internet, onde publicava as várias formações dos X-Men, letras da Jewel e minhas primeiras resenhas de cinema. Sim, com papel de parede repetitivo e gifs animados.
Mas não é só de cópias pasteurizadas que vive a Internet. Ela está crescendo para algo mais colaborativo. Comentários em blogs, redes sociais, este tipo de coisa que faz as cópias girarem em uma velocidade tão grande que ficam “familiarmente irreconhecíveis” muito rápido. Ao invés de selos de “site da semana”, os sites e acontecimentos Web mais relevantes são reproduzidos e recriados.

Na base disso, a criação de conteúdo novo na Internet é a expressão da personalidade de cada um, o exibicionismo inato da maioria das pessoas. O “tá bom filho” falado pela mãe é um comentário no seu blog, um scrap no orkut ou um “Like this” no Facebook.
Categorizado em: Atualidade, Comportamento, GenteTags:blogs, do-it-yourself, ego, Geocities, hype, internet, personalidade, xkcd
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O fim da megastore multimídia chamada TV
Eu não possuo uma televisão desde 2003. Mas mesmo assim durante minhas visitas de final de semana à casa de meus pais eu acabo hipnotizado pelo seu canto de sereia luminosa e passo algumas horas na frente dela, divididas em pequenas sessões de 10-15 minutos. Se ficar mais do que este tempo em cada canal eu acho que o screensaver vai aparecer, então troco de canal freqüentemente ou desligo e vou fazer outras coisas.
Esse paralelo entre a TV servindo conteúdo estático, se comparado com a velocidade com que abro e fecho tabs e janelas no meu Firefox (Iceweasel na verdade) é o equivalente de comprar tecidos de um caixeiro viajante e entregar para a costureira do bairro ao invés de comprar uma camisa pronta feita nas Filipinas em um site na Irlanda.
Se não fosse só este ranço, neste final de semana eu percebi algo ainda pior, ouvindo ao longe enquanto a família assistia a programação dominical: os programas de TV estão co-optando a Internet como fonte de material. O Gugu tem o quadro “os melhores vídeos da Internet”, e até o Fantástico pauta suas reportagens em assuntos que apareceram nas feeds de RSS da nossa geração pelo menos uma semana antes.

Dinossauros com roupagem moderninha
Não é novidade que a TV está no caminho da obsolescência, mas acho interessante o paralelo com o comércio de bens duráveis. Começamos com livros, agora temos DVD players, ventiladores, laptops e até camas ao alcance da alguns cliques. Para que um intermediário se podemos conseguir os produtos da fonte?
Isso também vale para a informação e entretenimento, que uma vez vinham pelo rádio, depois pela TV e agora, com interatividade sem precedentes, a Internet. A TV está se segurando com suas últimas forças para continuar relevante, se abrindo e tentando incorporar esta interatividade, mas eu particularmente acho que é uma iniciativa fadada ao fracasso.
Da mesma forma veremos evolução nas formas de apresentação de conteúdo na própria Internet também, em uma velocidade também sem precendentes, mas com o controle mais distribuído entre emissores e receptores destes bens culturais (ou daquele vídeo engraçado do casamento).
escrito por Douglas
Categorizado em: AtualidadeTags:evolução, internet, tv
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