Ninhos: agora só R$ 99,99!
Estou em mini-férias. Mas ao invés de relaxar em uma praça/parque/praia, me pego fazendo tarefas e pequenas reformas domésticas que vinha protelando. Uma delas hoje foi instalar uma nova torneira na cozinha, pois a anterior já estava quebrada em 3 lugares.
Para isto antes fui até a Leroy Merlin, a Meca da bricolagem, para encontrar a tal torneira que eu tanto queria. Menos de 10 passos dentro da loja e já fiquei me perguntando se não precisava de uma lâmpada nova, ou de uma cortina para dividir alguns ambientes… É o reflexo em mim de algo que eu chamo de “o instinto de pássaro” que o ser humano vem desenvolvendo.
Ao invés de voar, este meio-homem/meio-pássaro somente faz ninhos. O ambiente violento em que vivemos é explorado cientificamente por lugares que vendem não mais um estilo de vida, mas um estilo de morar.

Um ninho humano
Não entendo muito de evolução humana, mas o “homem das cavernas” muito provavelmente não ficava o tempo todo dentro das ditas cavernas, e sim na floresta, savana ou montanha caçando, descobrindo novas paragens, e finalmente mudando até de caverna.
Estamos perdendo do kiwi. Não a fruta, o pássaro nativo da Nova Zelândia. A falta de predadores fez com que este pássaro desenvolvesse traços únicos que o aproximam de um mamífero: não voa, tem um bom senso de olfato, consegue aprender e não faz ninhos. Ele vive em buracos, que usa por um período e depois se muda para outro em algum lugar que seja mais vantajoso para sua sobrevivência.
Até depois da introdução de predadores que o levou a mudar alguns de seus hábitos (os kiwis viraram em sua maioria noturnos depois da colonização humana), o kiwi continua sua vida nômade, sempre procurando novas oportunidades e usando sua capacidade de aprender (característica de mamíferos) para se adaptar.

A kiwi!
O reflexo humano atual, ao ser ameaçado por predadores, é fazer ninhos. E o mercado está aí para suprir todas as nossas necessidades. Sendo que existe tanto mundo por aí, tanto a aprender, até a como combater ou pelo menos evitar os predadores!
Mas nãããooo… preciso comprar essas caixas organizadoras por R$16,95!
P.S.: tip o’ the hat pelo estilo de finalização de posts para meu amigo blogueiro Chefe.
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O retorno do macaco aquático
Assim como a evolução dos seres humanos, algumas mudanças de comportamento demoram tanto tempo quanto. Em Julho deste ano, quando assisti pela primeira vez o vídeo no final deste post, eu já queria fazer natação. Depois de quase 3 meses, volto da minha terceira aula duvidando da teoria do macaco aquático.
Basicamente o que esta hipótese levanta é a possibilidade dos seres humanos terem evoluído não dos macacos que foram para a savana, como os babuínos, e sim de um “macaco aquático”, que vivia da coleta de moluscos e desenvolveu características físicas adaptadas a uma vida aquática, entre elas o controle da respiração, falta de pêlos e uma camada de gordura para isolar o frio.
Ironicamente, os humanos agora procuram a natação para eliminar esta mesma “capa de gordura”. Podemos ter o reflexo do mergulho desde bebês, mas deixe eu lhes dizer que cair numa piscina com seriedade não é nada natural! Na segunda piscina o seu fôlego já se esvai, mas mesmo assim o nosso dom de controlar a respiração e algumas características físicas, como um nariz “encapado”, fazem com que pelo menos a água não entre em seus pulmões.

A maioria dos animais consegue nadar. Quem nunca jogou seu cachorro na piscina quando era criança para ver ele nadando? Virou até uma modalidade de nado. Mas mergulhar, entre todos os animais terrestres os seres humanos são os únicos.
Que bom se uma aula de natação fosse só mergulhar! Mas lá vamos nós gerando propulsão com nossos membros, que tem somente vestígios de membranas natatórias, de todo jeito imaginável: com um braço, só com as pernas, alternando braços, de frente, de costas.
Mesmo com o cansaço e a frustração ao realizar que assim como do macaco da savana já nos afastamos muito do hipotético macaco aquático, um benefício muito grande de colocar a cabeça debaixo d’água e percorrer alguns metros é o silêncio e tranqüilidade que encontramos nesses momentos. Por alguns minutos saímos da floresta e temos tempo de clarear e talvez evoluir nossas mentes.
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Ring of Fire
Volta e meia na Web aparece um artigo com alguma pesquisa feita na Áustria, Suíça ou Finlândia sobre o impacto de x coisa sobre y outra coisa: comer tomates dá câncer, ovos melhoram a circulação, abrir portas com a mão direita desgasta menos a fechadura… toda semana uma coisa nova.
Porém um tema tão recorrente quanto o “aumenta/diminui as chances de câncer” é o estudo do sono dos casais. Normalmente o homem parece sair perdendo, com seus cérebros sendo aparentemente “drenados” devido ao simples fato de dormir com a parceira. Já mulheres parecem se sair melhor e descansam mais quando dividem sua cama.
Na pesquisa mais recente, o cenário já é outro: ambas as partes do casal podem sofrer de diversas formas pelo simples fato de dormirem juntas. Noites mal dormidas pelo movimento ou sons do(a) parceiro(a), roubo de cobertor… isso primeiro afeta o sono, diretamente impactando a saúde das pessoas, mas também leva a tensões no relacionamento que podem acabar em separação.

Coloca este pé frio pra lá!
Acredito que dividir a cama representa bem a ânsia do ser humano de ser algo além da sua biologia atual. É um ato de desprendimento, deixar-se inteiramente à mercê de outra pessoa, aceitando-a também ao seu lado e adaptando-se, palavra quase sinônima de evolução. Dormir é a coisa mais mesquinha que podemos fazer, e mesmo assim procuramos dividir isso com alguém especial.
A Humanidade constantemente encontra maneiras de ultrapassar a influência do ambiente em sua jornada evolutiva. Estamos até procurando novos ambientes para conquistar e provar nossa capacidade de adaptação, seja ele na Antártida, no fundo do Mar e em Marte. Mas a evolução cultural, talvez até espiritual, pode acontecer com uma ação bem simples, dividir uma cama, e não é conquistada com o intelecto, mas com um sentimento: amor.
(Ninguém experimentou o poder transformador do amor mais do que Johnny Cash, como documentado na música que dá nome ao post e à música deste vídeo.)
Categorizado em: ComportamentoTags:amor, cama, compromisso, evolução, Johnny Cash, Música, namoro, qualidade de vida, sono
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The Age of Not Caring
Na noite antes do festival de Woodstock completar 40 anos, uma figura estranha andava por um bairro de Nova Jérsei nos EUA. Chovia muito, e os cautelosos donos da casa à venda que esta pessoa estava inspecionando chamaram a polícia.
Uma policial de 24 de anos de idade atende ao chamado e se aproxima do cidadão, perguntando o seu nome. Ele responde: “Bob Dylan”.

Não acreditando, a policial faz diversas perguntas, entre elas sobre onde ele está hospedado. Ele diz que está nos ônibus da turnê, e ela pede para que ele a acompanhe até os ônibus para checar. Chegando lá, o mal-entendido é desfeito, mas não sem uma das lendas vivas do rock passando um tempo numa viatura de polícia.
Ele deve ter achado engraçado até. Bob Dylan vem do início de uma era de “não se importar” (“the age of not caring” do título do post). Mesmo no olho do furacão dos anos 60, ele sempre desmereceu o status de suas músicas nos movimentos sociais daquela época e de todas as épocas subseqüentes.
Bob Dylan é um artista na arte de viver. Ele faz o que bem entende dentro do que gosta, e isso é tudo. Individualista ao máximo, atinge milhões. Uma contradição ambulante.
Já as pessoas que chamaram a polícia refletem o lado ruim da era de não se importar. Deste individualismo doentio que não cria, não vive, só sobrevive entre uma ameaça e outra. Em um tempo em que temos todos os confortos necessários e desnecessários para viver, parece que voltamos à Idade das Cavernas, tentando nos proteger contra os tigres dentes-de-sabre lá fora.

Ao invés de olhar para trás e celebrar liberdades do passado, temos que olhar ao nosso redor e reconquistar o que é nosso de direito. Andar pela chuva a procura de um novo lar.
Categorizado em: AtualidadeTags:Bob Dylan, Comportamento, evolução, liberdade, Música, Woodstock
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O fim da megastore multimídia chamada TV
Eu não possuo uma televisão desde 2003. Mas mesmo assim durante minhas visitas de final de semana à casa de meus pais eu acabo hipnotizado pelo seu canto de sereia luminosa e passo algumas horas na frente dela, divididas em pequenas sessões de 10-15 minutos. Se ficar mais do que este tempo em cada canal eu acho que o screensaver vai aparecer, então troco de canal freqüentemente ou desligo e vou fazer outras coisas.
Esse paralelo entre a TV servindo conteúdo estático, se comparado com a velocidade com que abro e fecho tabs e janelas no meu Firefox (Iceweasel na verdade) é o equivalente de comprar tecidos de um caixeiro viajante e entregar para a costureira do bairro ao invés de comprar uma camisa pronta feita nas Filipinas em um site na Irlanda.
Se não fosse só este ranço, neste final de semana eu percebi algo ainda pior, ouvindo ao longe enquanto a família assistia a programação dominical: os programas de TV estão co-optando a Internet como fonte de material. O Gugu tem o quadro “os melhores vídeos da Internet”, e até o Fantástico pauta suas reportagens em assuntos que apareceram nas feeds de RSS da nossa geração pelo menos uma semana antes.

Dinossauros com roupagem moderninha
Não é novidade que a TV está no caminho da obsolescência, mas acho interessante o paralelo com o comércio de bens duráveis. Começamos com livros, agora temos DVD players, ventiladores, laptops e até camas ao alcance da alguns cliques. Para que um intermediário se podemos conseguir os produtos da fonte?
Isso também vale para a informação e entretenimento, que uma vez vinham pelo rádio, depois pela TV e agora, com interatividade sem precedentes, a Internet. A TV está se segurando com suas últimas forças para continuar relevante, se abrindo e tentando incorporar esta interatividade, mas eu particularmente acho que é uma iniciativa fadada ao fracasso.
Da mesma forma veremos evolução nas formas de apresentação de conteúdo na própria Internet também, em uma velocidade também sem precendentes, mas com o controle mais distribuído entre emissores e receptores destes bens culturais (ou daquele vídeo engraçado do casamento).
escrito por Douglas
Categorizado em: AtualidadeTags:evolução, internet, tv
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