Walter Cronkite morreu ontem aos 92 anos. Mesmo sem ter vivido e acompanhado o seu tempo como âncora da CBS News, através da cultura pop que me foi transmitida principalmente pelo cinema, sinto como se tivesse sentado toda noite na frente da TV desde os anos 60 até o começo dos 80 para ouvir seu telejornal.
Ele foi o âncora dos âncoras do telejornalismo, visto como um pai pelo time de jornalistas que preparavam todos os dias o CBS Evening News. Sua pronúncia pausada era precisamente calculada para a máxima compreensão, seus comentários embasados em uma investigação completa dos fatos moldavam a opinião pública nos EUA de tal maneira que quando ele se manifestou contra a guerra do Vietnã, o então presidente Lyndon Johnson disse “se eu perdi Cronkite eu perdi metade da América”.

Definitivo
Este misto de familiaridade e profissionalismo é determinante no papel de âncora. O espectador precisa confiar em quem está lhe contando as notícias como se confiasse num amigo próximo.
Ainda vivemos numa fase do desenvolvimento do jornalismo em que nomes fazem a diferença. Seja no rádio ou televisão com âncoras ou polemistas, ou no jornalismo impresso com colunistas superstars. Mas o que ainda precisa ser mais exposto é que esta é somente a fachada do que se chama Jornalismo. Jornalismo é feito na rua, com reportagem e equipe de pesquisa e produção, com muito trabalho e sacrifício.

Profissão perigo
Até mesmo Walter Cronkite exaltou este fato, entregando o ouro e dizendo em sua transmissão de despedida: “And anyway, the person who sits here is but the most conspicuous member of a superb team of journalists; writers, reporters, editors, producers…” (“De qualquer maneira, a pessoa que senta aqui é somente o membro mais conspícuo de um extraordinário time de jornalistas; escritores, repórteres, editores, produtores…”)
Por mais que as fontes de informação se dinamizem no futuro, confiança ainda será a base do relacionamento entre os emissores e receptores de notícias. Até agora não foi encontrada nenhuma outra solução do que “firmar” a mensagem ao redor de um sólido âncora. O que não quer dizer que outra não vá ser encontrada.


