Grátiscicle!
Um colega aventureiro precisava de um novo celular. Outro hirsuto colega deu a dica: tenta a lista Freecycle. “Freecycle?”, pensei. Fiquei intrigado e segui os links fáceis na Internet até encontrar um movimento popular muito interessante, o tal Freecycle. “Changing the world one gift at a time” (“Mudando o mundo um presente por vez”) é o lema da comunidade ou, melhor dizendo, comunidade de comunidades, pois cada cidade ou região tem seu grupo de “presenteadores”.
Adoro dar presentes, e mudar o mundo também não me parece uma má idéia. Não demorei 2 minutos para me inscrever na lista e começar a receber os disciplinados e-mails com “[OFEREÇO]“, “[RESERVADO]“, “[ACEITO]“, “[PROCURO]” no começo da linha de assunto, seguido das mais diversas mercadorias: livros, móveis, brinquedos, computadores e até papel para rascunho.
A idéia é anunciar itens que você não quer ou precisa mais e dar para outras pessoas. Nenhum dinheiro pode trocar mãos. São presentes mesmo. Da mesma maneira, se alguém quer ou precisa de alguma coisa, ela pede na lista e quem puder entra em contato e mais um presente troca mãos, de novo sem nenhum dinheiro envolvido.
É um jeito divertido de reciclar, melhorar o mundo e ainda fazer amigos, ou parceiros em uma iniciativa tão bacana. Sugiro que todos acompanhem as listas em suas localidades. Se não pelos itens, pelos sentimentos e histórias que coisas que nem são suas podem despertar: uma coleção inteira da Barsa fez minha imaginação voar, pois sempre quis ter uma quando pequeno. Um armário e uma mesa também quase foram resgatados por mim, mas enquanto eu pensava ela foi aceita por uma “entidade que cuida de crianças com problemas financeiros” (a entidade ou as crianças? Esses pequenos gastadores compulsivos!)
Uma mesma pessoa ofereceu um carrinho de bebê e logo em seguida pediu um cavalete de pintura. Será que ela perdeu um bebê e resolveu fazer terapia com pintura? Não, não… as crianças cresceram e ela agora tem tempo para voltar a pintar.
Sorte destas crianças crescerem em um mundo onde muito pouco se compra, e tudo se transforma.
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Ninhos: agora só R$ 99,99!
Estou em mini-férias. Mas ao invés de relaxar em uma praça/parque/praia, me pego fazendo tarefas e pequenas reformas domésticas que vinha protelando. Uma delas hoje foi instalar uma nova torneira na cozinha, pois a anterior já estava quebrada em 3 lugares.
Para isto antes fui até a Leroy Merlin, a Meca da bricolagem, para encontrar a tal torneira que eu tanto queria. Menos de 10 passos dentro da loja e já fiquei me perguntando se não precisava de uma lâmpada nova, ou de uma cortina para dividir alguns ambientes… É o reflexo em mim de algo que eu chamo de “o instinto de pássaro” que o ser humano vem desenvolvendo.
Ao invés de voar, este meio-homem/meio-pássaro somente faz ninhos. O ambiente violento em que vivemos é explorado cientificamente por lugares que vendem não mais um estilo de vida, mas um estilo de morar.

Um ninho humano
Não entendo muito de evolução humana, mas o “homem das cavernas” muito provavelmente não ficava o tempo todo dentro das ditas cavernas, e sim na floresta, savana ou montanha caçando, descobrindo novas paragens, e finalmente mudando até de caverna.
Estamos perdendo do kiwi. Não a fruta, o pássaro nativo da Nova Zelândia. A falta de predadores fez com que este pássaro desenvolvesse traços únicos que o aproximam de um mamífero: não voa, tem um bom senso de olfato, consegue aprender e não faz ninhos. Ele vive em buracos, que usa por um período e depois se muda para outro em algum lugar que seja mais vantajoso para sua sobrevivência.
Até depois da introdução de predadores que o levou a mudar alguns de seus hábitos (os kiwis viraram em sua maioria noturnos depois da colonização humana), o kiwi continua sua vida nômade, sempre procurando novas oportunidades e usando sua capacidade de aprender (característica de mamíferos) para se adaptar.

A kiwi!
O reflexo humano atual, ao ser ameaçado por predadores, é fazer ninhos. E o mercado está aí para suprir todas as nossas necessidades. Sendo que existe tanto mundo por aí, tanto a aprender, até a como combater ou pelo menos evitar os predadores!
Mas nãããooo… preciso comprar essas caixas organizadoras por R$16,95!
P.S.: tip o’ the hat pelo estilo de finalização de posts para meu amigo blogueiro Chefe.
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Uma nova história das coisas
Tudo tem seus prós e contras. Até a ascensão da sociedade consumista que aparentemente está nos levando a confirmação do calendário maia tem o seu “pró”, que depois se transforma em “contra” e, como no calendário em questão, o ciclo se renova.
O famoso documentário na Web “The Story of Stuff” (A história das coisas), causou furor desde o seu lançamento, sendo ele mesmo um exemplo de massificação, com mais de 7 milhões de espectadores até hoje. Este simpático filme mostra como o ciclo de produção está tão fora de controle que um rádio custa menos do que o valor do seu aluguel na prateleira da loja em que é vendido. Termina com lições de moral sobre como corrigir as coisas.

Um protótipo interessante que parece casar a obsolescência programada com a preocupação com o meio ambiente é este laptop, ainda conceitual, feito de papelão. Os críticos dizem que é mais lixo eletrônico só esperando para acontecer, pois a durabilidade de um equipamento assim é uma fração da de seus elegantes MacBooks de alumínio.
Já eu vejo isso como uma oportunidade de aumentar ainda mais o impacto do programa “Um Laptop por Criança” (OLPC), que está indo para a sua versão 3.0 com um conceito de “laptop como folha de papel“.
Em um post anterior sobre a violência e sua aparente justificativa dada a massificação dos meios de produção de armas e do medo (via meios de comunicação), disse: “…deveríamos encontrar soluções para utilizar nossos avanços dos meios de produção para massificar a educação, desenvolvendo consciência.”

O laptop de 100 dólares
A escala industrial que barateou os componentes do XO (o laptop da Fundação OLPC) e trouxe seu custo para menos de 100 dólares também permitiu o aumento do lixo eletrônico. Segundo Nicholas Negroponte, o visionário fundador da OLPC, depois da introdução do XO em sociedades da América Latina, aumentou o interesse da população em adquirir laptops “um pouco melhores”, aquecendo a economia, aumentando o acesso a informação mas ao mesmo tempo gerando uma reserva de lixo eletrônico para um futuro a médio prazo.

Isso sem contar os fashionistas tecnológicos que compraram XOs só como um brinquedo para mostrar para seus amigos.
Acho interessante olharmos para o lado bom dessas inovações do mercado de consumo, especialmente de tecnologia, que trazem acesso a educação e informação para pessoas que sem elas estariam ainda na escuridão. A mão invisível do mercado pegará estas “lanternas” obsoletas e as transformará depois, tenho certeza.
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