Não durou muito a minha resistência à cobertura da Copa do Mundo. Ainda continuo avesso às matérias primárias dos portais, e nem quero saber o que a televisão brasileira anda fazendo desde que descobri o footyfire.com, mas durante os 3 jogos diários, estou ligado nos comentários online. Ao menos consigo os placares em tempo quase-real.
No final de semana a história foi outra. Onde eu estive encontrei televisões ligadas, e não pude resistir em fazer um link entre a chateação geral dos repórteres com o regime secreto que Dunga vem impondo aos treinos da seleção e esta matéria na BBC Magazine de hoje, sobre a ciência de tentar (e falhar) cancelar o som das vuvuzelas.
Antes, a ciência: eu já andava falando aos quatro ventos que “se dá para filtrar a imagem” (como em casos de chuva torrencial ou falta de energia em estádios durante a noite), filtrar som seria uma questão de mudar o canal que passa por um filtro. Segundo a matéria, traduzo o essencial: “A vuvuzela is tuned – to use the term loosely – at the B flat below middle C, and has a similar frequency to speech tones,” (uma vuvuzela está afinada – para usar o termo vagamente – entre Si Maior e Dó Maior, e tem a freqüência similar aos tons da fala humana — me enrolei na notação musical de “flat” e “middle”, alguém me ajuda? update: B Flat = Si bemol, middle C = Dó médio). Se os filtros fossem aplicados, perderíamos a pronúncia de algumas vogais, o que não é uma má idéia, seria metade de um #CALABOCAGALVAO, feito automaticamente pela filtragem dessas notas.
Portanto, meu take científico amador não parece funcionar. Não adianta usar os MP3s canceladores de vuvuzelas que andam distribuindo por aí também. Agora, o take comentarista amador.
Os repórteres da rede Bandeirantes estavam inconsoláveis pela falta de acesso aos jogadores brasileiros. A televisão e os portais têm necessidade de imagem fresca e, na falta disso, começam a elaborar teorias da conspiração esdrúxulas, com dores nas costas misteriosas, brigas inexistentes e previsões de místicos.
O treinador da seleção brasileira parece ter conseguido o impossível: blindar a seleção do ruído das “vuvuzelas” da mídia. Mas pelo menos algumas palmas, “olas” ou vaias o time terá que ouvir durante o campeonato. Em algumas horas vamos saber se o “método Dunga” de concentração irá funcionar, se isolando os jogadores ele irá conseguir evitar o salto alto, um problema no futebol brasileiro, que precisa é de garras.







