Água presa

Aproveitando o dia da Natação, o qual não consegui encontrar a origem da comemoração (nem na Wikipédia, hehe) e o fato de que deixamos passar a comemoração do dia Mundial da Água, dia 22 de Março, trago o vídeo “The Story of Bottled Water” (“A História da Água Engarrafada”), que foi lançado naquele dia pelo mesmo pessoal que nos trouxe o genial “The Story of Stuff“.

A idéia central do vídeo é a “produção de demanda”, um dos motores da economia mundial atual, e o seu impacto no meio ambiente e na forma como vivemos. Aproveitem! (tem legendas em português, só clicar em “CC” na telinha abaixo)

Consumo água em garrafões de 20 litros, porque não confio na limpeza da caixa d’água do lugar onde eu vivo. Seria interessante se houvesse um kit de teste de potabilidade da água simples, barato e fácil de usar. Está aí um mercado ou serviço que eu também não encontrei numa série de buscas esta manhã. Alguém aí conhece algum?

por dougspadotto em Atualidade e tem (2) comentários

Grátiscicle!

Um colega aventureiro precisava de um novo celular. Outro hirsuto colega deu a dica: tenta a lista Freecycle. “Freecycle?”, pensei. Fiquei intrigado e segui os links fáceis na Internet até encontrar um movimento popular muito interessante, o tal Freecycle. “Changing the world one gift at a time” (“Mudando o mundo um presente por vez”) é o lema da comunidade ou, melhor dizendo, comunidade de comunidades, pois cada cidade ou região tem seu grupo de “presenteadores”.

Adoro dar presentes, e mudar o mundo também não me parece uma má idéia. Não demorei 2 minutos para me inscrever na lista e começar a receber os disciplinados e-mails com “[OFEREÇO]“, “[RESERVADO]“, “[ACEITO]“, “[PROCURO]” no começo da linha de assunto, seguido das mais diversas mercadorias: livros, móveis, brinquedos, computadores e até papel para rascunho.

A idéia é anunciar itens que você não quer ou precisa mais e dar para outras pessoas. Nenhum dinheiro pode trocar mãos. São presentes mesmo. Da mesma maneira, se alguém quer ou precisa de alguma coisa, ela pede na lista e quem puder entra em contato e mais um presente troca mãos, de novo sem nenhum dinheiro envolvido.

É um jeito divertido de reciclar, melhorar o mundo e ainda fazer amigos, ou parceiros em uma iniciativa tão bacana. Sugiro que todos acompanhem as listas em suas localidades. Se não pelos itens, pelos sentimentos e histórias que coisas que nem são suas podem despertar: uma coleção inteira da Barsa fez minha imaginação voar, pois sempre quis ter uma quando pequeno. Um armário e uma mesa também quase foram resgatados por mim, mas enquanto eu pensava ela foi aceita por uma “entidade que cuida de crianças com problemas financeiros” (a entidade ou as crianças? Esses pequenos gastadores compulsivos!)

Uma mesma pessoa ofereceu um carrinho de bebê e logo em seguida pediu um cavalete de pintura. Será que ela perdeu um bebê e resolveu fazer terapia com pintura? Não, não… as crianças cresceram e ela agora tem tempo para voltar a pintar.

Sorte destas crianças crescerem em um mundo onde muito pouco se compra, e tudo se transforma.

por dougspadotto em Comportamento e tem (2) comentários

As mãos de Victor Jara

Domingo começou com um slideshow de fotos do seu enterro simbólico depois de 36 anos, depois passei por seu artigo na Wikipédia, um verborrágico artigo no site do PSTU e terminei com esta música do Calexico aparecendo no meio de uma lista do Grooveshark:

Aqui está a versão de estúdio da música, e em seguida a letra desta música que usa a mutilação que Victor sofreu (antes de ser assassinado com 30 tiros, ele foi torturado e teve suas mãos quebradas) como imagem que evoca os frutos que são colhidos após qualquer luta pela liberdade:

Wire fences still coiled with flowers of the night
Songs of the birds like hands call the earth to witness
Sever from fear before taking flight

Fences that fail and fall to the ground
Bearing the fruit of Jara’s hands

Me siento solo y perdido una vela alumbra mi camino
Cruzando tierras que nunca he visto
Cruzando el rio de mi destino
Solo soy un chico mas que suena en alto y mirando al mar

Fences that fail and fall to the ground
Bearing the fruit of Jara’s hands

Fences that fail and fall to the ground
Bearing the fruit of Jara’s hands

Cercas de arame ainda entrelaçadas com as flores da noite
O canto dos pássaros como mãos clamam a terra como testemunha
Para se libertar do medo antes de alçar vôo

Cercas que falham e caem ao solo
Trazendo os frutos das mãos de Jara

Sinto-me sozinho e perdido uma vela ilumina meu caminho
Cruzando terras que nunca vi
Cruzando o rio de meu destino
Sou somente um menino que sonha alto e olha o mar

Cercas que falham e caem ao solo
Trazendo os frutos das mãos de Jara

Cercas que falham e caem ao solo
Trazendo os frutos das mãos de Jara

por dougspadotto em Arte,Atualidade,História e ainda não tem comentários

Os meus, os seus, os nossos

Como um ex-futuro jornalista, me interesso muito pelas tendências e acontecimentos dos bastidores do ramo. No meu post passado eu encontrei na própria imprensa um dos isolantes entre povo e poder. Hoje lendo as notícias do dia encontro a descrição do possível desfecho da nova lei de imprensa dos nossos hermanos argentinos.

A lei foi descaradamente escrita para bloquear o grupo Clarín de fazer oposição aos Kirchners e pavimentar a re-eleição da família em 2011. Ela especifica uma restrição inédita no mundo: o mesmo grupo não pode ter um canal de TV aberta e um de TV por assinatura. Com isso, o grupo Clarín terá que vender a preço de banana uma de suas concessões, que será rapidamente adquirida por algum partidário dos Kirchners.

Resistindo às chicotadas

Resistindo as chicotadas

Uma imprensa livre é fundamental para a manutenção da democracia. A imprensa tem o dever, que muitas vezes não é cumprido, de fiscalizar e até certo ponto desestabilizar governos que não vão bem e acelerar a sua substituição. Mas por quê este dever “muitas vezes não é cumprido”?

Por mais bonita que seja a história da liberdade de imprensa, ela é submetida às forças de mercado. Jornal tem que vender anúncio. E o governo é um grande anunciante.

Relações de amizade e familiaridade entre jornalistas e poderosos, que atualmente vem do “berço” das universidades também são um problema, mesmo que menos fácil de ser comprovado. Gay Talese vem falando isso para todos que querem ouvir há um bom tempo. Além da parcialidade, este relacionamento faz com que a distância entre o povo e a imprensa seja muito maior do que a entre imprensa e poder.

A imprensa não deve ficar próxima do poder além do estritamente necessário para investigá-lo, mas o poder também não deve ficar tão próximo da imprensa, como no caso argentino. O controle estatal ou indiretamente-estatal da imprensa é um mau sinal. É o câncer terminal enquanto a dependência financeira e familiaridade são cistos que podem ser removidos e tratados com uma quimioterapia agressiva: uma imprensa alternativa e a formação da cidadania.

"Posso ver os recibos das suas contribuições de campanha novamente, por favor?"

"Posso ver os recibos das suas contribuições de campanha novamente, por favor?"

por dougspadotto em Atualidade e ainda não tem comentários

Deu certo!

Pode ter passado batido no meu penúltimo post escrito em choque com a morte do Michael Jackson e a overdose informática, mas olha só: a Medida Provisória 485, que era para ser sancionada com emendas assassinas do Congresso foi assinada, só que sem os trechos mais venenosos, que diziam respeito à posse da terra por empresas e por pessoas que não moram na região.

Viva! Viva! Viva! É o gostinho do ativismo que dá certo aqui da ponta dos meus, dos nossos, dedos. Fácil e confortável demais alguns podem dizer (até eu), mas funcionou. Obrigado Avaaz.org por organizar a petição (13,000 enviadas em menos de um dia). Além dela também mandei e-mail direto para o presidente Lula, e gostei!

Gostei de fazer a diferença, nem que seja com alguns cliques. E vocês? Vamos experimentar de novo uma outra hora? Ok! A gente se fala!

por dougspadotto em Round 2 e ainda não tem comentários
  • RSS
  • Twitter
  • Facebook
  • NetworkedBlogs
  • Orkut