O continente das maravilhas

Depois da recomendação de um muito estimado amigo, resolvi assistir ao documentário “Encounters at the End of the World” (2007) do diretor alemão Werner Herzog.

Foi um documentário produzido pela National Science Foundation dos EUA, que levou Herzog ao continente antártico para filmar “o que ele quisesse”. Herzog garantiu que não iria produzir outro filme sobre pingüins, arrumou as malas, embarcou em um avião militar da Nova Zelândia e pousou na base de McMurdo na Antártida, de onde visitou diferentes bases científicas ao redor do continente gelado.

O que poderia ser um simples documentário científico se tornou algo mais, com Herzog interpretando cada diferente pesquisa não pelo que elas significam cientificamente, mas dando idéias para que a audiência imagine os seus propósitos. Um desafio que parece saído diretamente de “Alice no País das Maravilhas”, e que funciona muito bem.

Por que ela desceu o buraco do coelho?
Por que ela desceu o buraco do coelho?

Funciona não só pelos questionamentos fora do comum do diretor, mas também porque, como no país que Alice visitou, a Antártida desafia todas as nossas concepções de realidade sendo, entre outras coisas, um vazio “vivo” segundo um glaciologista entrevistado.

Esta declaração enigmática é apenas uma das várias que o diretor tira dos habitantes do continente. Além da beleza das paisagens, das interessantes pesquisas e questionamentos do diretor, o que realmente chama a atenção e inspira o título do documentário são os “encontros” que acontecem durante o seu desenrolar. De motoristas de ônibus que foram perseguidos com machetes na Guatemala a cientistas que tocam guitarra no teto de uma estação de pesquisa para comemorar a descoberta de novas espécies, são estas pessoas, todas “desprendidas do Mundo” e que acabaram “caindo” todas para o extremo Sul que fazem deste documentário algo tão valioso e digno de ser assistido.

Em mais um paralelo com o país das maravilhas, o diretor nos leva, todo o tempo perguntando “por quê? por quê? por quê?” por um túnel bem debaixo do verdadeiro pólo Sul magnético da Terra, com temperaturas abaixo de -70 graus Celsius, somente para encontrar um peixe congelado, algumas fotos e pipoca congelada deixada pelos cientistas. O que fazer disso vai da nossa imaginação, algo raro para um documentário.

O que você vê?
O que você vê?
escrito por Douglas
por dougspadotto em Uncategorized e tem 1 comentário
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