Juntando a fome com a vontade de comer

Vamos começar com outra checagem de fato: Copolla sim queria Pacino no papel de Michael Corleone, mas ninguém mais. Isso que disse em meu post.

Concordo que foi uma escolha acertada. Era a hora de Al Pacino despontar. Ele fez a mudança de palco para tela grande brilhantemente com The Panic in Neddle Park (1971) interpretando – olhe só – um marginal, e estava com fome de mais. Copolla juntou esta fome do ator com a sua “vontade de comer” de diretor(no pun intended) e o resultado é História do cinema.

Minha intenção foi expressar uma idéia pessoal de que Al Pacino se identifica mais com a comunidade latina do que a italiana, não passar nenhum julgamento nem nada. Quis generalizar a carreira de um ator completo que fez mais de 40 filmes em sua vida. Tarefa difícil, mas acredito que mais válida do que tentar isolá-lo a um papel emblemático dos anos 70.

Não gosto de estar no papel de criar estereótipos. O que começou como uma discussão animada acabou ficando bem sério. Tanto faz se ele é latino, italiano, chinês ou canguru. Ele é um ser humano, e um grande talento. Fiquemos felizes com isso.

Quem diria que criar um estereótipo fosse tão difícil!?

Quem diria que criar um estereótipo fosse tão difícil!?

por dougspadotto em Round 3 e tem (3) comentários

Miguelito Corleone

Começou como um simples fato a ser checado: o pai de Al Pacino veio mesmo da mítica Corleone na Sicília? Eu, na minha presunção, disparei: “Nããããooo… ele é porto-riquenho!”

Isto me parece tão verdadeiro que nunca cheguei a questionar este fato inventado. É só olhar o trabalho dele em “Scarface” e “Pagamento Final“. Até em “Um Dia de Cão” ele transforma dá toques de latinidade a um americano bissexual.

"Say hello to my little friend!"

"Say hello to my little friend!"

Destes papéis emblemáticos até os recentes pilotos-automáticos (O Recruta, S1mone, O Articulador…), onde ele parece apenas aplicar sua formação de ator cultivado em anos de palco off-Broadway, Michael Corleone é uma anomalia em sua carreira. Ele nem era para conseguir o papel. A lista de outras opções que os produtores queriam era extensa (Robert Redford e DeNiro, Jack Nicholson, para citar alguns), e só com muita persuasão Copolla conseguiu garantir o papel para Pacino.

Talvez a trajetória de ator sofrido fez com que Pacino absorvesse muito das características desta minoria tão marginalizada (latinos), mais do que as de sua família, com quem conviveu muito pouco, pois os pais se divorciaram muito cedo. Esta latinidade sofrida, apelando à malandragem para sobreviver, transparece em seus melhores papéis. Nos outros ele simplesmente atua, mas interpretando latinos ele se sobressai.

Michael Corleone não deixa de ser latino, é claro, mas de uma sofisticação fruto de uma era na qual Pacino não viveu, estando nas ruas, emprestando dinheiro para tomar o ônibus e fazer testes de peças de teatro.

Com trocos de sobra

Com trocos de sobra

Na verdade estamos discutindo a construção de estereótipos, sejam eles de nacionalidade, de raça, de língua ou classe social. Como um ator mas, sobretudo como ser humano, Al Pacino é fruto de seu ambiente, e por isso parece deixar transparecer a nós fãs uma natureza que é muito mais chicana do que carcamana. Quem sabe ele não é na verdade um budista xintoísta vegetariano e ninguém sabe? Resta especular!

por dougspadotto em Round 1 e ainda não tem comentários
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