Simplesmente Vesper

por dougspadotto em 9 de junho de 2009

Terminei de ouvir o audiobook de “Cassino Royale”, e finalmente fui introduzido a um James Bond sem a maquiagem hollywoodiana, sem os compromissos  impostos por testes de audiência, mas também sutil em suas imposições de ” oitos ou oitentas” quando o assunto é definir a personalidade dura deste personagem, mesmo quando ele deixa expor suas fraquezas.

Logo mais quando rever o filme escreverei mais sobre este fantástico bem cultural. Aqui quero dar uma renovada na receita de dry martini que foi publicada anteriormente aqui mesmo neste simpático blog.

Vamos ao trecho do livro:

“A dry martini,” [Bond] said. “One. In a deep champagne goblet.”

“Oui, monsieur.”

“Just a moment. Three measures of Gordon’s, one of vodka, half a measure of Kina Lillet. Shake it very well until it’s ice-cold, then add a large thin slice of lemon peel. Got it?”

“Certainly, monsieur.” The barman seemed pleased with the idea.

Eu certamente fiquei pleased com a idéia. Agora mesmo a força e sofisticação deste drink me faz salivar.

Kina Lillet não existe mais, então o mais próximo seria o Lillet Blanc, que também é muito difícil de achar. Nós aqui, dependentes da Adega Brasil e  arredores de Curitiba, ou de encomendas duty-free podemos nos contentar com um bom vermouth dry e umas gotas de Angostura.

Além disso, o gin e vodca evoluíram (ou poderíamos dizer devoluíram) e estão mais fracos. As marcas a que Bond se refere são atualmente aguadas em comparação. Em lugar de Gordon’s, podemos tentar o Tanqueray, e a vodca podemos usar a Stolichnaya 100-proof (a vodca “blue label”). Então, traduzindo para o mais próximo possível do original, temos:

3 partes de gin Tanqueray
1 parte de vodca Stolichanay 100-proof
1/2 parte de Dry Martini
2 gotas de Angostura

Coloque tudo em uma coqueteleira com gelo, shake it e sirva em um copo de martini fundo com uma casca de limão

Com certeza sentando em um bar, depois de dois destes você vai responder quando te perguntarem qual era o seu drink:

“Yes, was. The bitch is dead.”

Dead!

Dead!

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Jornalistas sem cuidado, cuidado

por dougspadotto em 30 de maio de 2009

Para os dois amigos que desvirtuaram minha racional co-editora: NÃO É. Repito: Daniel Craig NÃO É GAY. Ele foi casado, tem uma filha e andava pegando a Kate Moss recentemente (e até este último pode ser boato, como tudo na indústria do entretenimento).

E o que isso tem a ver com o personagem que ele está montando no cinema, seja em 007 ou em “Infamous”? Nada. Acho que perdemos o rumo da discussão e caímos no disse-que-me-disse. Teremos mais cuidado no futuro.

Craig vem construindo (sim, os novos filmes são prequels) um 007 interessantíssimo, que levanta questões sobre identidade, sexualidade e violência, entre outras que são tão relevantes ao nosso tempo. Por isso a comparação com Sean Connery, Pierce Brosnan ou quem quer que seja não passa de um exercício de vaidade intelectual.

Até o Craig assumir o manto de 007, NUNCA foi cogitada a homossexualidade do personagem. Só que agora ela é (negada), com a tranqüilidade e a segurança de um ator que sabe o que está fazendo, mesmo em um papel tão desafiador.

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E o que o James Bond come?

por dougspadotto em 28 de maio de 2009
Que mente mais suja...

Que mente mais suja...

Todos sabemos da predileção de James Bond por um dry martini bem preparado. Mas, o que ele come?

Uma rápida busca pela Web me trouxe a uma listagem completa (tem maluco pra catalogar tudo neste mundo), mas o que me impressionou é que toda a sofisticação dos melhores hotéis e restaurantes do Mundo pelos quais este homem passa é desprezado, segundo o próprio autor Ian Fleming, diante de uma receita específica de ovos mexidos. Aí vai:

Ovos mexidos à la James Bond (para 4 individualistas):

12 ovos frescos
Sal e pimenta
150-170 gramas de manteiga fresca
Cebolinha ou ervas finas secas

Quebre os ovos em uma bacia. Bata-os bem com um garfo e os tempere bem com sal e pimenta. Em uma frigideira, derreta um pouco mais da metade da manteiga. Quando derretida, despeje os ovos batidos e frite-os em fogo bem baixo, batendo-os continuamente com um batedor de ovos.

Enquanto os ovos estão um pouco mais úmidos do que você gostaria para servir, remova a frigideira do fogo e adicione o resto da manteiga e continue batendo por meio minuto, adicionando a cebolinha picada bem pequena ou uma porção de ervas finas.

Sirva em torradas com manteiga, em pratos de cobre (mantendo as aparências!) com champagne cor-de-rosa (Taittinger) e uma música ambiente.


Notem o toque final de ervas finas, da champagne, da música! Veja como a mescla de “sabores” rústicos (ovo e manteiga! Só!) e refinados definem este personagem.

(Fonte: 007 in New York City, um conto publicado na coletânea Thrilling Cities, via The James Bond Dossier)

P.S.: Estou tão afim de ver comentários rolando que até vou achar legal se alguém fizer piadinha com a cena de tortura de “Cassino Royale”.

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Em busca de uma identidade

por dougspadotto em 28 de maio de 2009
Que espião sou eu?

Que espião sou eu?

Cruel, muito cruel a minha co-editora… desconstruiu um novo mito que está, coitadinho, em construção. É como chutar o andaime e derrubar todos os pedreiros que estão só colocando os tijolos e cimento em um novo edifício. Que feio! Hehehe…

Cada filme ou obra de arte deve se “defender” por ela mesma, mas em se tratando de 007 e, mais profundamente, de uma identidade masculina ideal para este novo século, podemos dar uma colher de chá e avaliar a obra (os dois filmes mais recentes da saga) em conjunto.

Durante grande parte do primeiro filme, ele não tem só uma mulher. Ele tem NENHUMA mulher no seu caminho. Ele é um homem com uma missão.  Grosso, mal educado, rico (melhor dizer: bem assessorado) porém sem charme algum, com seu smoking emprestado do hotel mas usando um relógio caro. Se continuasse assim, este novo 007 não deveria nada ao Rambo ou Braddock.

Entra Vesper. As circunstâncias os aproximam, os esfregam um no outro até um não saber onde um começa e o outro termina (mesmo com Vesper o traindo). Esta mistura dá a primeira, do que será muitas, camadas de verniz que darão o charme ao personagem que todos nós conhecemos.

Já no segundo filme se nota a diferença de postura de 007, a elegância começa a se manifestar, não só pela lembrança do que a Vesper lhe passou, mas por ele mesmo. O “brucutu” ainda transparece, mas aí está o charme do 007. Ele é bruto, mas as mulheres não resistem a ele.

De “zero” mulher no primeiro filme para 1 e meia no segundo. De smoking emprestado à um Brioni, já são bons avanços, numa trama de 007 que nunca foi tão complexa de tecer.

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Martini, girls and guns

por dougspadotto em 28 de maio de 2009

Mais do mesmo: homens e mulheres no século XXI. Agora, vamos usar este exemplo:

Objeto de estudo

Objeto de estudo

Todos nós, ou a grande maioria, ficou com um, dois e até quatro pés atrás quando ele foi anunciado para ser o novo James Bond. “Loiro? Como assim?”, e coisas do tipo foram ditas.

O primeiro filme não impressiona logo de começo, mas o personagem vai se montando de tal maneira que ao final estamos admirando algo completamente novo: não só o novo James Bond, mas o novo Homem.

Bruto, mas interessado em se lapidar; duro, mas com uma fragilidade emocional latente só precisando de um empurrão(ou de um nó argelino) para se revelar. O romance de 007 com Vesper é uma das coisas mais bonitas que o cinema atual mostrou!

E no segundo filme este “novo Homem” só melhora. A brutalidade se mescla a uma perspicácia felina, algo muito feminino, com resultados vibrantes (vide a cena onde 007 desmantela a Quantum com seu telefone celular). Mesmo depois deste genial toque, ele saí dando porrada em todo Mundo, matando pelo menos um na saída.

No quesito “eye candy”, muita gente fala que agora o próprio Bond agora é a Bond Girl de seus filmes, destacando a physique do ator. Só outra prova de que a mescla de papéis é evidente, sem nenhuma perda tanto para o sexo masculino ou feminino. O 007 não está se afeminando, nem as Bond girls são obsoletas (ah, Vesper…). Só estamos presenciando algo novo e lindo!

Acho que vou gostar deste futuro!

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