O Grande Jogo

Duas coisas no dia de ontem fizeram eu suspirar e me arrepiar como uma garotinha de colegial. O primeiro foi a notícia de que um britânico (e seu guia peruano sem Twitter) foram as primeiras pessoas do Mundo a caminharem toda a extensão do rio Amazonas, da fonte a foz. Além disso, foi dia de episódio novo de “Sherlock”, a série que reinventa as aventuras do detetive da rua Baker e seu colega Watson nos dias atuais.

O arrepio da primeira descoberta foi a inveja e nostalgia boas que esta aventura despertou. Lembro dos meus tempos de guri do interior, andando horas e horas pelas margens de rios cujos nomes se perderam no tempo e na memória, pulando pedras e me molhando em banhados, só pela aventura. A segunda trouxe outro tipo de sentimento de aventura, pois o episódio da série era chamado “The Great Game”.

Entre o urso e o leão

O “grande jogo” foi o nome dado para as diversas iniciativas por parte da Rússia e da Inglaterra para conquistar a hegemonia na Ásia Central, especialmente no Afeganistão no século XIX. Desde as missivas diplomáticas até as aventuras improváveis de cavalheiros ingleses e príncipes russos, fui viciado neste período histórico por algum tempo, desde que li pela primeira vez o clássico “Kim“, de um desses estudiosos e aventurosos cavalheiros, Rudyard Kipling.

Mesmo sem conexão aparente entre o enredo do episódio e os acontecimentos fantásticos na fronteira entre Índia e Paquistão, ingleses e o termo estão para sempre fundidos na minha memória. O episódio em si apresenta uma série de “confrontos” entre Sherlock Holmes, um consultor em investigação, e seu nemesis Moriarty, um consultor em cometer crimes. Eletrizante.

A aventura deste outro britânico no Amazonas também desperta um pouco deste sentimento do “cavalheiro desbravador”, membro de uma “sociedade cartográfica”. Só que neste caso, seu website chama a atenção para um punhado randômico de fundações (de conservação da natureza ao combate ao câncer) mas divulga com mais intensidade de links sua disponibilidade como “motivational speaker”, uma espécie de palestrante que aparece em eventos de empresas para “motivar” e “inspirar” liderança ou qualquer outro valor que a diretoria esteja interessada em pregar.

Outra descoberta recente que, como o seriado da BBC, reformula o “grande jogo” para os dias atuais e aqui mesmo em território nacional foi o projeto “Y Ikatu Xingu“, do Instituto Socioambiental. Consiste em uma série de programas para recuperar as águas do Parque Indígena do Xingu, e preparar os povos para o desenvolvimento sustentável da região. Todas iniciativas muito válidas, mas o que chamou a atenção (novamente) foi a quantidade de patrocinadores do projeto, de uma cervejaria nacional a fundações americanas e finalmente, a embaixada do Reino Unido.

Com um tom social e ainda levemente comercial, este novo conjunto de iniciativas, de indivíduos e companhias internacionais em uma região aparentemente remota do país remontam, com sofisticação, a busca pelo conhecimento e controle futuro de recursos valiosos. Resta a um punhado de nativos, nós brasileiros, reparar nos padrões para que a História não se repita e para que possamos crescer juntos.

Dorothy Stang, exemplo de combate à exploração, de nativos por nativos neste caso.

posted by dougspadotto in Atualidade,História,Na Web and have Comment (1)

Blackstar Warrior

Para começar uma boa semana… “get between this brother and his woman… and space ain’t black enough to hide from him!”:

posted by dougspadotto in Arte,Cinema,Na Web and have No Comments

Curitiba – PR, Bélgica

Acompanhado de minha ilustríssima namorada participei ontem do primeiro evento “Dinner & a Movie” do Brooklyn Café aqui em Curitiba. Requiãozices à parte, a classificação própria do lugar é “coffee shop”. Lugar bem simpático na Trajano Reis, a nossa germinante “rua do Rock”.

Os pratos foram interessantíssimos e deliciosos. De esferas de manga a brotos de samambaia até cogumelos, o chef Washington Silvera deu um show para os presentes. Vocês podem acompanhar a apresentação do menu aqui:

Mas, da mesma forma que a Trajano Reis não é a rua do rock, por mais comovente que seja a aglomeração dos tipos mais bacanas da cidade pela região nas noites de quinta a domingo, o Brooklyn não foi um café do pessoal trendy de Estocolmo e não segurou bem a audiência para o filme que seguiu o jantar (na verdade foi em paralelo).

O cult “O Grande Lebowski” (“The Big Lebowski“, 1998) foi apresentado na parede do café. Escolha ótima que complementaria a noite, se não fosse o frio tremendo que fazia. O pé direito alto do lugar e a falta de aquecimento forçou a nossa saída antes do final do filme (e da sobremesa). Outro motivo para a saída foi a vontade de assistir o primeiro debate dos candidatos à presidência.

Uma vez Simón Bolívar se irritou com a chacota dos europeus sobre sua tendência absolutista. Irado, disse: “deixem que vivamos a nossa adolescência!”. Mas, neste caso, talvez seja bom ouvir o conselho da nossa mãe Europa e vestir um casaco.

Por mais bacanas que sejam as idéias de eventos culturais alternativos, precisamos que a organização leve em conta o ambiente, seja o calor escaldante de Salvador ou o frio esquizofrênico de Curitiba. De qualquer maneira, o importante é continuar experimentando. Brotos de beterraba, alguém?

Só faltou o Tofu Matador

posted by dougspadotto in Atualidade,Culinária,Gente and have No Comments

Música e… música

Depois dos últimos posts musicais sobre Emo e Ska, fiquei me sentindo um pouco musical e escrevi duas músicas (dãh).

A primeira é realmente uma balada emo, a qual imaginei com uma levada estilo Theory of a Dead Man, mas talvez em um vocal feminino… sei lá, não toco e nem canto então não tenho idéia em qual tom ficaria melhor.

Já a segunda, seria legal um rock ligeiro, puro e simples, talvez um rockabilly caísse bem também, digam aí o que acham!

 

Day by day

I was flying, living without you
carrying the guilt, just a replay
Asking for a chance, trying to refill
Living for you, day by day

Keeping the distance,
always far away
Asking for nothing
Day by day
Asking for you,
Day by day

I was lying, saying I don’t want you
Cheating the truth, just a fool play
Wishing on a star, crying again
Hearing an echo, day by day

Keeping the distance,
always far away
Asking for nothing
Day by day
Asking for you,
Day by day

I was dying, thinking on you
Drinking your poison, the only way
looking for a change, falling apart
Being a shadow, day by day

Keeping the distance,
always far away
Dying for nothing
Day by day
Dying for you,
Day by day

A little bit me,
much more you
Stand still
A little bit you,
Much more me
Little by little
Day by day
Day by day
So far away…
Day by day

—————————————————————-

Fast tracks

High stakes on a single game,
Silver and gold in our hands,
take a deep breath, fest your seat belt
the engine starts, now it can’t be held

Horse power on a muscle car,
a symphony played as a roar
frightning a lamb, exploding a star
Look the stalion, do you wanna try?

Adrenaline feels like gasoline
heart beats and my body thrills
listen to the engine and hold on still
All my fear cracks, let’s go
down on the fast tracks

No rain check, it is now or never
Everlasting race we do togheter
eye to eye, face to face
try not to loose my pace

four burning wheels, it is no hoax
this italian one doesn’t need any ox
this piece of art doesn’t need hacks
let show how to finish the fast tracks

Adrenaline feels like gasoline
heart beats and my body thrills
listen to the engine and hold on still
All my fear cracks, let’s go
down on the fast tracks

Life and death in a second splitted
a record made to be beated
Foccusing the thing matters!
Never, ever be defeated!

Red lights, Yellow lights Go Go Go
Need for speed? ha! I got the 5th gear
if you still gonna live with this fear
You won’t be able to get any near

Any near! (you can only stay behind)

Adrenaline feels like gasoline
heart beats and my body thrills
listen to the engine and hold on still
All my fear cracks, let’s go
down on the fast tracks

if you still gonna live with this fear
You won’t be able to get any near

Any near! (you can only stay behind)

All my fear cracks, let’s go
down on the fast tracks

posted by Everton in Arte,Música and have No Comments

Rudie can’t fail…

E lá vamos para mais um texto sobre música, assim como falei de Emo no último, agora falarei um pouco de Ska, que também faz parte da cultura de rua como o punk, hardcore, depois de algum tempo também acabou sendo associado como música de carecas (Skinheads).

Podemos separar o Ska em três ondas, falasse até em uma quarta onda com alguma popularização após o início dos anos 2000, mas serei canônico e falarei apenas das 3 ondas.

Pra quem acha que Ska é uma coisa dos anos 90, está muito enganado, a primeira onda remonta os anos 60! E independente do que se diga, o Ska começou na Jamaica e não como um tipo de reggae, mas sim como uma versão R&B que era bastante comum e estava se popularizando nessa época; a levada um pouco mais animada se aproxima de músicas caribenhas como o Calypso, nessa época um músico chamado Cecil Bustamente Campbell, mais conhecido como Prince Buster, gravou com o guitarrista Jah Jerry algumas músicas, porém mudaram a ‘levada’ da guitarra colocando mais peso e assim nasceu a famosa ‘levada’ de ska, dessa maneira em Kingston na Jamaica nasceu o Ska que acabou sendo popular com a independência da Jamaica em 1962.

E nessa época surgiu, o que pra mim é uma das bandas mais importantes pro Ska, o The Skatalites, se você gosta de Ska e nunca ouviu The Skatalites, Shame on you!!! Corra para o link de torrents mais próximo e baixe tudo o que achar!!! Voltando, como a Jamaica tinha acabado de se tornar idependente, não tinham ainda assinado a convenção de proteção a propriedade intelectual, ou seja, não havia copyright, vejam só que beleza, dessa maneira surgiram várias versões divertidas de músicas dos Beatles, temas de filmes etc.

Eis que então os britânicos entram na cena Ska, o que é chamada a Segunda Onda, ou como eles preferem chamar porque tem que ser diferente: o segundo tom, nessa época o Ska acabou se aproximando do punk, mudando a levada de um Rocksteady pra algo mais rápido, particularmente gosto muito dessa fase, principalmente de uma banda chamada The Specials (aquela mesmo to Ghost Town, de uma versão do Rudy, a message to you), porém ainda que eu prefira The Specials, a banda que fez mais sucesso dessa segunda onda, ou segundo tom, é sem dúvida a banda, também britânica, Madness, fica aí também a dica, os caras são bons e tocam até hoje!

Ah os anos 80, muita coisa boa surgiu e entre elas o Ska Punk e com ele o que é conhecido como a Terceira onda, agora influenciados pelos britânicos, bandas como The Toasters e The Uptones fizeram um som mais rápido, também podemos citar o The Mighty Mighty Bosstones, mas o pessoal da terceira onda respeitava muito a primeira onda e fizeram versões e até mesmo músicas novas como na década de 60!

Após 1984 um ótimo ano para o punk rock como um todo, surgiro ótimas bandas de Ska core ou Punk Ska tais como Operation Ivy, Rancid e uma que eu não gosto muito que é Sublime, basicamente todos influenciados pelo The Uptones (que é muito bom!), óbvio que tudo que cresce da dinheiro, aí temos as bandas que caíram no gosto mainstream, as mais conhecidas são Save Ferris e The Hippos, bom sons, mas tem coisa melhor, Aquabats, Goldfinger… pera, Goldfinger não toca mais ska desde 2001, mas enfim, Goldfinger também é legal!

Nos anos 90 o The Mighty Mighty Bosstones estourou com Where’d You Go e the impession that I Get, e aí apareceram algumas bandas, algumas boas como Reel Big Fish, No Doubt, Let’s go bowling e outras que eu não sou tão fã como o Sublime, Less than Jake, Fall Out boy etc.

Enfim o Ska continua vivo até hoje, não tão forte como antes, mas tem muita coisa boa, recomendo realmente para o bando de Emo MTV que ta por aí solto com suas franjas sebentas que quando estiverem se deprimindo com músicas pseudo-tristes, que ouçam uma música feliz das bandas citadas e parem de incomodar os outros!

posted by Everton in Música and have Comments (2)
  • RSS
  • Twitter
  • Facebook
  • NetworkedBlogs
  • Orkut