Guerra as Amélias

por dougspadotto em 8 de março de 2010

Feliz dia das mulheres para todas as mulheres da minha, da sua, das nossas vidas. E para as que vivem no Sudeste da Nigéria que talvez tenham alguma relação conosco passando pelo Kevin Bacon.

Uma vez dito isso, queria manifestar meu desgosto pelos dois mini-discursos de aceitação dos prêmios de melhor Direção e melhor Filme no Oscar da noite passada, ganhos respectivamente por Kathryn Bigelow e seu filme “Guerra ao Terror”. Até a Barbra Streisand apresentando os indicados foi mais inspiradora. “Chegou o momento”, ela falou ao anunciar a primeira mulher na História a ganhar o Oscar de melhor direção.

Mas o momento de mudança de paradigma que alguém (inclusive Barbra) esperava não chegou. O discurso foi bonito nos agradecimentos, mas depois degringolou, nas duas vezes, na patriotada americana de sempre: “que nossos garotos voltem sãos e salvos”, “eles estão lá por nós”, etc.

Talvez eu tenha entendido errado a mensagem do “Guerra ao Terror” (The Hurt Locker, 2008). Não. Eu entendi corretamente. Ele mostra um take pessoal da guerra, sem fazer julgamentos. Deixando isto para o espectador. Minha visão é anti-guerra, por isso defendo que os artistas ou qualquer um que tenha uma voz que possa ser ouvida tente melhorar o Mundo pelo menos neste aspecto tão grotesco que é a guerra.

Uma das fantasias no imaginário coletivo (inclusive meu) é de que se as mulheres assumirem posições de poder, elas serão mais sensíveis e levarão à Humanidade a um caminho mais fraterno. Se depender de mulheres como a diretora ganhadora do Oscar de 2010, ficaremos exatamente onde estamos, o que não é uma opção.

P.S.: Quais discursos eu gostei? Bem, pra começar, o da Sandra Bullock, que misturou emoção e até piadinhas com a Meryl Streep magistralmente. Jeff Bridges me fez querer ver o filme dele com novos olhos. Christopher Waltz escreveu um discurso de aceitação de deixar muito roteirista com inveja. Über-bingo!

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Alastrando

por dougspadotto em 4 de março de 2010

Como já exemplificado aqui, aqui e finalmente  aqui, este blog é o equivalente de uma aldeia infestada por cólera quando se trata de vídeos virais da Internet. O caso está tão sério que agora estou postando um novo ramo do vírus OK Go e sua música “This Too Shall Pass”. Este é simplesmente fantástico!

Cóf!* *Cóf!* (tossindo pela infecção viral memética, não tem problema, isso não mata, só diverte!)

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Amadurecendo a discussão sobre a Linha Verde

por dougspadotto em 3 de março de 2010

Meu carro foi arrombado novamente. Desta vez os meliantes não levaram absolutamente nada, a não ser o valor da franquia do seguro que vou pagar no conserto das fechaduras e da porta. A cultura do ladrão era tão pouca que nem meu iShuffle eles levaram, pensando ser um clipe ou outro acessório fashion. Sinto pena, junto com uma medida de indignação, pelo que aconteceu.

Meus representantes não fazem nada, e eu menos ainda. Somente me nego a viver com medo, e acho isto uma vitória quando comparado com os sentimentos de colegas que ouço por aí. É uma concessão que faço: sofro com o crime, mas me nego a viver assustado. Talvez isso mude quando minha vida ou dos meus entes queridos seja ameaçada e não meus bens materiais, não sei.

Mas o post não é sobre criminalidade, mas outra grande polêmica que envolve nosso maior representante local, o prefeito da cidade, e sua obra-chave: a Linha Verde, uma reestruturação de um contorno, adicionando pistas, canaleta de ônibus e um paisagismo joínha. Como é bom falar mal da Linha Verde, não? Não tem um dia que se passe na Band News sem alguém falando a “vergonha” que é aquilo.

Não é exatamente a primeira coisa que vem à mente ao se pensar "Linha Verde", não?

Nunca fui desta opinião. A Linha Verde melhorou e muito o tempo que levo da minha casa à casa dos meus pais (Jardim das Américas – CIC, aproximadamente 25km). Isso de carro é fácil falar. Mas e sem carro? Algumas organizações muito cool além de criticar a Linha Verde criticam a falta de planejamento para transporte coletivo e/ou alternativo, como a bicicleta. Resolvi pôr a prova estas acusações.

Tenho uma Monark Barra Circular de 1989 que mandei reformar no final do ano passado e que não tinha usado desde então (e muito tempo antes disso). Sempre me enrolei para trazê-la para minha casa porque colocar ela no carro era trabalhoso. Resolvi então “trazê-la” com ela “me trazendo”.

Desde o fim do ano os pneus esvaziaram, e a corrente decidiu sair do lugar no vai e vem dos pneus sendo calibrados. Na mochila, itens essenciais da mudança semanal e para a jornada: laptop, roupas, toalha, 2 livros (nunca viaje sem livros) e 2 camisinhas (quem assitiu “Pulp Fiction” sabe que andar devagar por locais onde normalmente se anda rápido de carro pode ter conseqüências imprevisíveis):

Dividi o trajeto em 6 trechos, sendo o principal a Linha Verde. Chegar até ela foi meio demorado a partir do CIC, mas depois foi uma beleza, mesmo debaixo de eventuais chuviscos. Existe uma ciclovia/calçada em todo o seu percurso (falhando um pouco na travessia perto da Leroy Merlin), com asfalto novo. Além disso, as subidas são suavizadas, sendo que na 1 hora e meia que passei pedalando mal cheguei a suar.

Então, ao invés de criticar, encontre soluções dentro do que a cidade oferece. Ou faça propostas. Não é porque a prefeitura não faz exatamente o que você quer que ela está perseguindo o grupo x ou y. Um bom projeto demanda concessões, e temos que ser civilizados o suficiente para encontrarmos um meio termo entre as várias partes que formam esta metrópole dos pinheirais.

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Tremor no Chile

por dougspadotto em 1 de março de 2010

Os chilenos são bem grandinhos para cuidarem de si mesmos depois deste terremoto. Eles sempre foram legais demais para se misturar com o resto do continente. Vai ver a força do desprezo deles está fazendo o país tremer para se desprender e virar uma ilha do Pacífico.

Piadinhas de mau gosto à parte, estive lá duas vezes, achei o país meio feio mas com pessoas bem legais. Então, minha homenagem ao país e meu desejo de recuperação rápida vão com a dica de uma artista muito legal de lá que descobri estes dias, Javiera Mena:

Teoria da conspiração: o novo presidente que assume semana que vem quer mais exército na rua. Assim como este sentimento anos 80 da Javiera, será que teremos um retorno aos anos de chumbo no nosso colega andino-pacífico? Dividam-se em grupos e discutam.

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Latin Teen XXX

por dougspadotto em 24 de fevereiro de 2010

Ontem nos foi revelado mais um capítulo da novela colombiana e venezuelana: em uma reunião privada durante o encontro de líderes latino-americanos, o presidente Álvaro Uribe chamou Hugo Chavez da Venezuela de “covarde” por falar barbaridades à distância mas quando é hora de debater e negociar, ele ficar quieto. Chavez, bruto, respondeu mandando Uribe “ir para o inferno”.

Encontrei a notícia em destaque na BBC, e como sub-sub-destaque no Estadão e outros  jornais nacionais. Isso me preocupa um pouco.

Em seu romance com Simón Bolívar como personagem principal (“O General em seu Labirinto“, 1989), Gabriel García Márquez coloca na boca do Libertador o seguinte comentário quando europeus riem da sua tentativa de se tornar rei da Gran Colombia, que ele unificou com a ajuda de líderes de diversos países da América Latina: “Deixem que nós vivamos a nossa infância!”

Não é vergonha termos líderes que batem-boca e se comportam como crianças. A única vergonha é não admitir isso. Nosso processo de crescimento político como região (integração) já dá um show no europeu (alguém já ouviu falar da I Guerra Latino Americana?), para quê copiarmos a hipocrisia que fez com que a União Européia levasse 30 anos para ser formada? Vamos bater boca sim e formar um bloco em 15, ou menos.

Errar é humano, gritar e espernear é latino. Sejamos humanos e latino-americanos e sigamos juntos e à galope como Simón Bolívar, do Ushuaia à Tijuana.

P.S.: Tenho uma teoria de que o ritmo da cumbia (aí em cima um exemplo) imita o galope de um cavalo, o cavalo de Bolívar ao subir e descer o continente em suas jornadas.

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