Muito bem Flipper!
E aí curitibanos, todos felizes? Vamos ficar mais alguns minutos vivos e podendo passear pelos nossos parques ou parados nos semáforos da Linha Verde tremendo de medo de sermos assaltados desde que a lei anti-fumo entrou em vigor, pouco mais de 24 horas atrás! Yey!
Enlutado, não saí desde a semana passada, nem para as “festas do último cigarro” feitas por alguns bares da cidade. Não tinha nada a comemorar. Foi com um sentimento meio de tristeza que fui ao encontro dos camaradas em um dos 2 pubs irlandeses da cidade ontem. O menos McDonaldico dos dois.
A temperatura durante o dia alcançou os 34 graus Celsius, e eu por trabalhar em casa estava estilosamente vestido de bermuda jeans e Havaianas (daquelas com desenhos, tipo uns R$5 mais caras que as normais). Saí de assistir “Te Amarei para Sempre” (The Time Traveller’s Wife, 2009) suspirando minha paixonite pela respectiva quando tentei entrar no acima referido pub.

Apresentando as armas do crime
Fui barrado pela minha vestimenta, que talvez fosse pouco céltica. Emputecido, virei as costas e fui embora, mas liguei para os amigos já dentro do pub. Me chamaram de volta, como é isso, não pode. Falaram com as garçonetes, garçons, seguranças até chegar no gerente. Me deixaram entrar, mas que eu ficasse avisado que da próxima vez não iria passar. Me senti de volta ao colégio, indo para a aula com uma calça fora do padrão porque as outras ficaram para lavar.
Logo depois de entrar começou o maior toró, mas já estava pingando quando estávamos organizando o piquete na frente do local. Fiquei no toldo do valet esperando os trâmites e colocando lenha na fogueira quando presenciei um reflexo da absurda lei anti-fumo: nem no toldo um casal pôde fumar. Tiveram que ficar debaixo das gotas pré-dilúvio dividindo rapidamente um pito. Romântico, porém triste.

Aviso: o sorriso Kolynos não acompanha o ato de fumar
A reclamação e pressão democrática me fizeram entrar. Vitória! A companhia que me ajudou a entrar estava boa, mas a Guinness estava quente. Lá vai eu reclamar de novo. Ouvi do barman uma história sobre um “técnico” da Guinness dizendo para servir ela quente mesmo. Duvidei, pedi outra coisa, de menor valor.
Mas já era hora de eu matar a saudade da minha babe, e tive que ir embora. Depois de um beijo de boa noite voltei para minha casa, só para receber um telefonema: “Cara! Você ganhou os ingressos para o show do Killers! Mas perdeu porque não está aqui!”. Mais SMSes seguiram-se com metade do bar tirando uma com a minha cara.

Mas que otário...
Não pude deixar de ficar pensando que este sorteio foi talvez armado, para que, na melhor tradição ditatorial, os privilégios fizessem o cidadão aceitar qualquer regra que lhe fosse imposta dali por diante.
Pra completar, me disseram que depois que fui embora a Guinness ficou gelada.
Mas eu não vou me abater! Não sou o Flipper para fazer truques em troca de peixes! Esta é a ingrata vida de um freedom fighter boêmio. A luta continua companheiros! Duas quintas a partir de ontem, no dia 03/12, vamos de terno e gravata e Havaianas no pub, todos!

Revolução, companheiros!
Tags:anti-fumo, bar, cigarro, curitiba, direitos, ditadura, Guinness, havaianas, repressão, sorte
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