Dentro da bilheteria nenhum cartaz anunciava o fechamento, mas um aviso de “limite de tolerância” de 30 minutos para cancelar uma sessão sem audiência dava a dica de uma das causas para o fim do Cine Luz na XV em Curitiba, que teve suas últimas sessões ontem, dia 12 de Novembro.
Esperançosa outra folha de papel estava pendurada na porta das atrações do próximo domingo, quando a sessão de 1 real costuma(va) trazer pais divorciados com seus filhos, aposentados e tantas pessoas (mas não o suficiente, parece) que aproveitavam a folga e o desconto para pegar um cinema. Não mais.
Ao invés das cadeiras para namorar móveis dos multiplexes, alguns vândalos tiveram a ótima idéia de simplesmente arrancar as separações entre cadeiras. Violentamente simpático, eu achei. Sinal dos tempos, pressão do mercado, vandalismo. Realmente parecia a hora deste cinema fechar.

“Como Festejei o Fim do Mundo” (Cum mi-am petrecut sfarsitul lumii, 2006) foi o filme exibido nestas últimas sessões. Nome muito oportuno, e um filme lindo contando a história dos últimos dias da Romênia sobre a ditadura comunista de Ceauşescu.
Pessoalmente o Luz sempre significou filmes e sentimentos muito familiares. Ele sempre teve um ar de cinema do interior, que na minha cidade natal não sobreviveu além dos meus 10 anos de idade. Alguns títulos marcantes que vi lá também mexem com sentimentos de família, como “O Caminho para Casa” e “Nome de Família”, que fizeram eu me debulhar em lágrimas mais de uma vez.
Dizem que a sala re-abrirá na renovada rua Riachuelo, mas com certeza a história e clima que o Luz oferecia não conseguirão ser transferidos. Na saída a bilheteira e o porteiro conversavam sobre horários de trabalho como se nada estivesse acontecendo. Para eles tudo parece continuar o mesmo, mas para o Cine Luz é hora de mudar e criar novas emoções e sonhos.




