Arte, ciência e Michael Jackson
O autor Arthur C. Clarke escreveu como uma de suas 3 (depois 4) leis de “predição” que “qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistigüível de mágica”. E é citando este grande pensador que eu peço licença para outro corolário, este de minha (até onde eu sei) autoria: “a ciência transforma o imprevisível em previsível; a arte (pop) transforma o previsível em imprevisível”.
Foi este jogo de definições que ficou pulando na minha cabeça, talvez por ela estar balançando para cima e para baixo, de um lado para o outro, acompanhando os ensaios da turnê nunca realizada de Michael Jackson no apaixonado documentário “This is it” (2009).

Dirigido por Kenny Ortega, um dos idealizadores do show, o documentário é um apanhado de cenas de ensaios, gravações de curtas e depoimentos dos envolvidos na montagem do espetáculo. Nele além de conferir parte das músicas que entrariam no show, podemos espiar um lado de Michael Jackson que poucos se importavam em reparar ou levar a sério: o artista, o visionário.
Perfeccionista sem se tornar um ditador, gentil e trabalhador. Essas são as faces do ídolo que transparecem na película, muito mais do que os escândalos que acompanharam sua vida sob os holofotes.
Fazendo o que o povo gosta, ou o que ele escreveu (estas posições se misturam oportunamente em um diálogo entre Michael e seu diretor musical no documentário), ainda assim Michael consegue inovar, adicionar um tempero aqui e ali, uma nova pausa, uma nota mais longa, tornando o previsível imprevisível, para delírio das platéias que só puderam ver um pequeno pedaço desta sua nova visão de “escapismo”, mas com mensagem: amor.
É para esta força imprevisível que o “cientista” Michael Jackson apela para que a situação do planeta seja revertida. Modelando seu show e sua música em torno de uma mensagem de amor ao próximo, Michael queria que o comportamento da Humanidade se tornasse previsível e direcionado para a cura do planeta.

Perdemos o artista, o “cientista” da experiência musical, mas sua mensagem continua viva e quem sabe pode ajudar a reverter as previsíveis catástrofes que causamos a nós mesmos e aos outros ao agirmos sem amor, próprio e ao próximo.
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Ninhos: agora só R$ 99,99!
Estou em mini-férias. Mas ao invés de relaxar em uma praça/parque/praia, me pego fazendo tarefas e pequenas reformas domésticas que vinha protelando. Uma delas hoje foi instalar uma nova torneira na cozinha, pois a anterior já estava quebrada em 3 lugares.
Para isto antes fui até a Leroy Merlin, a Meca da bricolagem, para encontrar a tal torneira que eu tanto queria. Menos de 10 passos dentro da loja e já fiquei me perguntando se não precisava de uma lâmpada nova, ou de uma cortina para dividir alguns ambientes… É o reflexo em mim de algo que eu chamo de “o instinto de pássaro” que o ser humano vem desenvolvendo.
Ao invés de voar, este meio-homem/meio-pássaro somente faz ninhos. O ambiente violento em que vivemos é explorado cientificamente por lugares que vendem não mais um estilo de vida, mas um estilo de morar.

Um ninho humano
Não entendo muito de evolução humana, mas o “homem das cavernas” muito provavelmente não ficava o tempo todo dentro das ditas cavernas, e sim na floresta, savana ou montanha caçando, descobrindo novas paragens, e finalmente mudando até de caverna.
Estamos perdendo do kiwi. Não a fruta, o pássaro nativo da Nova Zelândia. A falta de predadores fez com que este pássaro desenvolvesse traços únicos que o aproximam de um mamífero: não voa, tem um bom senso de olfato, consegue aprender e não faz ninhos. Ele vive em buracos, que usa por um período e depois se muda para outro em algum lugar que seja mais vantajoso para sua sobrevivência.
Até depois da introdução de predadores que o levou a mudar alguns de seus hábitos (os kiwis viraram em sua maioria noturnos depois da colonização humana), o kiwi continua sua vida nômade, sempre procurando novas oportunidades e usando sua capacidade de aprender (característica de mamíferos) para se adaptar.

A kiwi!
O reflexo humano atual, ao ser ameaçado por predadores, é fazer ninhos. E o mercado está aí para suprir todas as nossas necessidades. Sendo que existe tanto mundo por aí, tanto a aprender, até a como combater ou pelo menos evitar os predadores!
Mas nãããooo… preciso comprar essas caixas organizadoras por R$16,95!
P.S.: tip o’ the hat pelo estilo de finalização de posts para meu amigo blogueiro Chefe.
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