Épico!

por dougspadotto em 9 de novembro de 2009

É irônico que o novo post número 200 deste blog (chegamos a 200 antes na primeira encarnação com a co-editora original) seja sobre a reunião de uma banda. Mas é.

Tive o privilégio de assistir o festival Maquinaria 2009 em São Paulo neste final de semana, indo e voltando em menos de 24 horas, com a energia de um adolescente que acabou de tirar a carteira de motorista – mas que depois teve que dormir umas 10 horas para repor as energias.

Foi com a energia de adolescentes que os senhores do Faith No More agitaram o palco do festival em seu show de fechamento, mesmo depois de uma pancada de chuva que ameçou o início do show. O baterista Mike Bordin parecia ansioso, com seus dreads já grisalhos, andando de um lado para o outro no fundo do palco enquanto os roadies tentavam diminuir o estrago da chuva.

Backstage

Backstage

Munido de um enorme guarda-chuva, vestindo um terno vermelho e outros adereços (bengala, distintivo de detetive), o vocalista Mike Patton entra em cena cantando um hit de rhythm n’blues da década de 70, “Reunited”. Puro estilo!

Dali em diante é porrada atrás de porrada, com uma passadinha de mão entre elas. A galera que parecia não ter exaurido suas forças após as quatro primeiras bandas do festival pareceu ter entrado em um novo estado de espírito depois de “Be Agressive”. Todos começaram a curtir com uma “violência” mais inocente, sem rodinhas e sim com punhos no ar, pulos e gestos sincronizados pelo líder da banda. Ou espontâneos mesmo.

Músicas como “Epic” e “The Gentle Art of Making Enemies” foram parte integrante da vida das pessoas que estavam no campo da Chácara do Jockey neste sábado por mais de 10 anos, e desperdiçá-las em uma sessão de sparring não faria sentido. Era também preciso toda a atenção possível para acompanhar Mike no palco, pois senão você poderia perder uma de suas muitas performances.

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Showman

Mike Patton é um showman e vocalista mais do que completo. Evidência disso (trocadilho intencional) foi cantar “Evidence” em português, dedicando-a ao Zé do Caixão. Sem preço! Entre uma música e outra, muita interação com a platéia, tudo em português, e muito palavrão também! Gritei “porra, caralho!” às ordens do sr. Patton por pelo menos uns 5 minutos! Com um sorriso no rosto e energia saindo de cada poro!

E então era o fim. Ou só parecia o fim, pois os senhores voltam para mais 2 bises, atendendo a quase todos os pedidos menos um: não cantaram “Falling to Pieces” (Caindo aos pedaços), talvez por só um motivo: é tudo o que eles não estão.

FaithNoMore

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