Ontem, no “Dia sem carro” de Curitiba, tão efetivo quanto o “Dia sem submarino”, liguei o meu carro pela primeira vez no dia no final da tarde e fui para outro evento promovido pela prefeitura que tem recebido tanta publicidade quanto: a Mostra de Cinema Cubano promovida pela FCC.
Enganado pelo @CuritibaCultura, pensei que iria assistir ao moderno épico de guerra “Kangamba” (2008), mas fui surpreendido com um outro clássico cubano, “Retrato de Teresa” (1979).

Um dos pôsteres mais populares à venda nos sebos da ilha
A cópia ruim, com som horrível e sem legendas adicionou um pouco de inquietação à surpresa, mas aos poucos fui me acostumando (afinal, o sotaque eu conheço) e aos poucos a história triste de uma mãe se desdobrando para ser feliz sob a enorme pressão da revolução cubana foi abrindo mais e mais portas à reflexão.
Pressionada a produzir mais na tecelagem em que trabalha, co-dirigindo uma peça de dança do sindicato e ainda lidando com as tarefas do lar, Teresa mal tem tempo de respirar. Até seus momentos de reflexão são interrompidos por “companheiros” com novas idéias que ELA pode colocar em prática.
A princípio ela justifica sua jornada tripla ou quádrupla dizendo que não quer ser uma escrava do lar, como todas as mulheres da sua família. Nesta discussão seu marido vai embora, só para tentar voltar assim que vê que sua mulher está tendo sucesso sem ele.
Tanto Ramón (o marido) quanto Teresa não encontram felicidade plena somente na produtividade, na realização profissional que sob a revolução é relacionada ao fervor revolucionário e não aos objetivos pessoais. Ele como técnico de TVs sendo promovido para a divisão de TVs coloridas, ela aparecendo na TV como a formosa co-diretora de uma peça cultural.

"Ó vida, ó azar"
Além de uma reflexão sobre revolução, tempos modernos (no sentido “Chapliniano” da palavra), feminismo e família, o filme destaca que, como Léon Tolstói escreveu em “A Felicidade Conjugal”: “… a felicidade só é real quando compartilhada”. Alguns podem dizer que as personagens conseguiram isto, realizando-se em meio a seus companheiros revolucionários, outros que o desfecho é triste e todas as conquistas são vazias sem alguém próximo para compartilhá-las. Faça a sua decisão.
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