Os meus, os seus, os nossos

Como um ex-futuro jornalista, me interesso muito pelas tendências e acontecimentos dos bastidores do ramo. No meu post passado eu encontrei na própria imprensa um dos isolantes entre povo e poder. Hoje lendo as notícias do dia encontro a descrição do possível desfecho da nova lei de imprensa dos nossos hermanos argentinos.

A lei foi descaradamente escrita para bloquear o grupo Clarín de fazer oposição aos Kirchners e pavimentar a re-eleição da família em 2011. Ela especifica uma restrição inédita no mundo: o mesmo grupo não pode ter um canal de TV aberta e um de TV por assinatura. Com isso, o grupo Clarín terá que vender a preço de banana uma de suas concessões, que será rapidamente adquirida por algum partidário dos Kirchners.

Resistindo às chicotadas

Resistindo as chicotadas

Uma imprensa livre é fundamental para a manutenção da democracia. A imprensa tem o dever, que muitas vezes não é cumprido, de fiscalizar e até certo ponto desestabilizar governos que não vão bem e acelerar a sua substituição. Mas por quê este dever “muitas vezes não é cumprido”?

Por mais bonita que seja a história da liberdade de imprensa, ela é submetida às forças de mercado. Jornal tem que vender anúncio. E o governo é um grande anunciante.

Relações de amizade e familiaridade entre jornalistas e poderosos, que atualmente vem do “berço” das universidades também são um problema, mesmo que menos fácil de ser comprovado. Gay Talese vem falando isso para todos que querem ouvir há um bom tempo. Além da parcialidade, este relacionamento faz com que a distância entre o povo e a imprensa seja muito maior do que a entre imprensa e poder.

A imprensa não deve ficar próxima do poder além do estritamente necessário para investigá-lo, mas o poder também não deve ficar tão próximo da imprensa, como no caso argentino. O controle estatal ou indiretamente-estatal da imprensa é um mau sinal. É o câncer terminal enquanto a dependência financeira e familiaridade são cistos que podem ser removidos e tratados com uma quimioterapia agressiva: uma imprensa alternativa e a formação da cidadania.

"Posso ver os recibos das suas contribuições de campanha novamente, por favor?"

"Posso ver os recibos das suas contribuições de campanha novamente, por favor?"

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