Contra o imediatismo mercadológico que a indústria do cinema imprime sobre todos os amantes da sétima arte eu tenho meu antídoto: Wes Anderson. Todos os filmes dele eu pareço ver com um ou dois anos de atraso, e não foi diferente com “Viagem a Darjeeling” (The Darjeeling Limited, 2007).
O filme, que segue o estilo de todos os outros filmes do diretor (à exceção da falta de Bill Murray como protagonista) conta a bizarra história de três irmãos que embarcam em uma jornada espiritual pela Índia a bordo de um trem. Como em seus outros filmes, este também parece começar do meio, com a tensão entre as personagens que só vai mostrando sua origem e é resolvida a medida que elas vivem novas “aventuras”.

Bizarro? Você não viu nem o começo.
O comportamento controlador do irmão que idealizou a “jornada”, Francis (vivido por Owen Wilson) é a caricatura do modo ocidental de viver, com metas e objetivos claros e quadrados a serem cumpridos, alterados diariamente. Aplicados no filme na busca pelo auto-conhecimento, uma prática tão oriental, isto só poderia causar tensão e muita comicidade.
Perdidos no quadrilátero da vida ocidental adulta, os outros dois irmãos, interpretados por Jason Schwartzman e Adrien Brody, se rendem ao controle do irmão. Peter (Brody) está prestes a se tornar pai e só pensa no divórcio e Jack (Schwartzman) vive um relacionamento em crise constante, preenchendo os vazios gerados por suas idas e vindas com sexo casual.
Das várias reviravoltas vividas pelas personagens, a “cura espiritual” vem depois do tempo que eles vivem em uma aldeia remota e recebem as boas vindas de um povo simples, que vive seu dia-a-dia entre família e amigos. É impressionante que eles precisem ter ido tão longe para concluir algo que estava junto deles o tempo todo, só bloqueado pelo imediatismo aparentemente planejado do Ocidente.

Somos oprimidos pela ânsia de conquistar um estilo de vida que muda constantemente. “Só mais um sofá, só mais um sofá e eu serei completo”, como já disse o Narrador em Fight Club (1999). Esquecemos que o que dá sentido às nossas vidas são as pessoas que nos cercam. Uma temporada sozinho na Índia em meditação só nos enquadraria em outro estilo de vida com seus objetivos mutantes (um novo tapete de yoga, um incenso enrolado à mão pelas meninas de Uttar Pradesh ou o último livro do guru da sua preferência). O que nos completa são as pessoas ao nosso redor por mais estranhas que elas possam parecer.
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As 11 malas vistas no filme foram criadas por Marc Jacobs para a Louis Vuitton e elas são decoradas com girafas, rinocerontes e antílopes, um design de Eric Chase Anderson, irmão do diretor. Todas tem as iniciais JLW.
Legal. Eram parecidas demais para ser verdade. Obrigado pelo comentário e informação!