Voltando para casa nesta madrugada já não mais chuvosa de Curitiba, sou brindado com uma versão acústica de “It’s the End of the World as We Know It (And I Feel Fine)” e fui brevemente tocado pela mágica juvenil que o R.E.M. continua a invocar até hoje.

Shiny happy person
Brevemente e novamente, pois veio também a memória do apoteótico show deles no Rock in Rio III, o qual tive o prazer de participar (não assistir), com uma produção brilhante, e mesmo assim ofuscada pela impressionante presença de palco do frontman da banda, Michael Stipe.
Desde “Radio Free Europe”, passando por “Shiny Happy People” até o recente “Supernatural Superserious”, por mais tempo que vá passando, Michael Stipe parece beber da fonte da juventude, pois suas letras usam o imaginário e até mesmo o vernacular da garotada atual. Ouvindo “Supernatural”, eu imagino as palavras saindo de uma adolescente em um shopping center, tagarelando e digitando um SMS.
Talvez parte da fórmula da juventude do R.E.M. seja encarar o show biz como a piada que ele é, sendo assustadoramente honesto a respeito de tudo que se passa na vida de seus integrantes, sem deixar de fazer sua crítica ao mesmo tempo. Por exemplo, quando houveram rumores sobre a homossexualidade de Michael, a banda lançou um vídeo onde o vocalista leu um texto de apoio à heterossexualidade de seus companheiros de banda, Peter Buck e Mike Mills. Quando da saída de seu baterista original Bill Berry devido a problemas de saúde relacionados ao stress, para evitar especulações sobre a separação litigiosa da banda, eles publicaram uma matéria com o raio X mostrando o aneurisma cerebral que Bill sofreu durante a monstruosa turnê “Monster” de 1995.
Com escândalos e exageros dignos de rock stars, mas com honestidade, está aí a fórmula da juventude eterna da banda, e principalmente de seu “supernaturalmente” humano líder, Mike.

Birthday party, cheesecake, jelly bean, boom! / You symbiotic, patriotic, slam book neck, right? / Right.
