Arquitetura da destruição

“Não acredito que você vai assistir outro filme com o Clive Owen!”, disse minha cara co-editora quando a encontrei no caminho para o cinema. O que faltou dizer é que o filme “Trama Internacional” (The International, 2009) é dirigido pelo multi-talentoso Tom Tykwer, de ótimos filmes como “Corra, Lola, Corra”, “A Princesa e o Guerreiro” e “Perfume”, e que teve um trailer eletrizante que vendeu, ao menos para mim, um ingresso.

O filme é um thriller policial que conta a história de um obstinado agente da Interpol tentando provar o envolvimento de um poderoso banco em um esquema global de lavagem de dinheiro e venda de armas. Gravitando ao seu redor existe uma variedade de personagens, o principal deles sendo uma promotora de NY, vivida por Naomi Watts (fraquíssima no papel).

"-Arigoadepô?" "-Hã!?"

"-Arigoadepô?" "-Hã!?"

A história é contada de forma competente, sem exageros, e a atuação de Owen realmente desequilibra e os coadjuvantes parecem caricatos perto da profundidade da personagem que ele montou.

Se falta força no elenco, a direção de arte está impecável, das locações aos menores detalhes dos cenários. Com um foco cristalino Tom Tykwer nos faz mergulhar em belíssimos cenários, desde uma escada de incêndio em Milão até as espirais do museu Guggenheim em NY. A trilha sonora (do próprio diretor) operática porém moderna também empolga e envolve.

Da mensagem do filme fica a frustração de pessoas movidas por ideais, como o personagem de Clive Owen, ao perceberem a inevitabilidade de sucumbir a um destino que está fora de seu controle, como acontece com um dos antagonistas do herói do filme vivido pelo competente Armin Mueller-Stahl. Ao mesmo tempo, nesta conclusão agridoce chega-se a uma outra possibilidade: “às vezes um homem pode encontrar seu destino na estrada que ele escolheu tentando evitá-lo” (“Sometimes a man can meet his destiny on the road he took to avoid it”).

Se você for atirar, atire, não fale.

Se você for atirar, atire, não fale.

escrito por Douglas
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por dougspadotto em Uncategorized e tem (4) comentários

4 comentários para “Arquitetura da destruição”

  1. santinlarissa disse:

    outro filme com o Clive Owen. tsc.
    vou ser obrigada a assitir para fazer um round 2.
    MUUUUUAAAHAHAHHAA

  2. Rodriane disse:

    Eu acho os virtuosismos estéticos do Tom Tykwer um-tanto quanto-chatos-de-doer. Acho que ele prima pela forma e sobrepõe o conteúdo. Perde a medida.
    A Naomi Watts é a queridinha do Lynch, non. Eu gosto dela, mas não vi o filme, então nem sei. hehe.

    O título tá engraçado, hm. Pobres alemães vão carregar esse peso pelo resto da vida. *rs

  3. dougspadotto disse:

    Pois é, o diretor _tinha_ esta mania de prezar pela estética. Neste filme não cheguei a reparar isso e chegar a achar chato.

    Talvez as histórias que ele escolhe contar são simples demais e ele acaba tendo tempo de sobra para pirar no visual…

  4. Rodriane disse:

    mas O Perfume não é nada simples, o livro digo. Aliás, sempre achei deveras corajoso querer filmá-lo. Talvez pela quantidade de sensações não palpáveis e aí ele vai para esse lado que vc falou… pirações estéticas p contar a história.
    mas o ‘corra lola, corra’ acho uma das coisas mais superestimadas do cinema…

    ai mais fico aqui falando do cara sem ter visto esse filme, posso mudar radicalmente de idéia.
    coisa que acontece muito. *rs

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