Uma grande obra de arte chegou aos cinemas de Curitiba: Katyń (2007), do renomado diretor Andrzej Wajda. Obra de arte no sentido estético, com uma produção impecável, e no sentido de significados que traz à audiência, contando a história do massacre dos oficiais do exército polonês logo no início da II Guerra Mundial do ponto de vista do que foi uma audiência na época, os familiares, sujeitos à propaganda nazista e depois comunista divulgando a “verdade” sobre o acontecimento.

Para o matadouro
O que chamou atenção a medida que o filme saía da guerra para os acontecimentos posteriores, a “ressaca” da guerra, por assim dizer, foi a artificial divisão gerada na sociedade polonesa pela propaganda comunista. Todos pareciam saber que os responsáveis eram os russos, afinal os oficiais foram encontrados em território que estava sob controle soviético na época, mas mesmo assim alguns escolhiam negar esta Verdade (Правда, “pravda”, que era o nome do jornal oficial do Partido) com um pragmatismo gelado (“nunca haverá uma Polônia livre”, diz uma personagem), enquanto alguns desafiavam-na e desapareciam (“eu escolho os assassinados e não os assassinos”, diz a própria irmã da personagem anterior).
Esta divisão e revolta trouxe à tona o tema de revolução novamente. O que houve na Polônia e em todo o leste da Europa pós II Guerra Mundial não foi uma extensão da revolução bolchevique, como a propaganda comunista quis fazer parecer, escolhendo até o acontecimento na floresta de Katyń como exemplo de martírio revolucionário. Foi uma invasão, que foi combatida de dentro desde o início. É de se admirar que tenha durado tanto tempo.
É uma lição para os que acham que algumas das recentes revoluções mundiais (Cuba e Irã) podem ser derrubadas seguindo os exemplos destes freedom fighters. Na Polônia existiam colaboradores dos invasores, nestes outros países aparentemente existem convertidos à causa revolucionária, inspirados por uma revolução e um martírio reais (Serra Maestra e exílio do aiatolá, respectivamente), não uma invasão do estrangeiro.
Da mesma forma uma lição aos EUA e sua polinização de democracia em países que não estão acostumados à idéia. Pode funcionar por um tempo, mas como converter pessoas que sofreram no processo de “libertação” nas mãos destes mesmos “libertadores”? Desde o Vietnã até hoje a expressão “to capture hearts and minds“ (“conquistar as mentes e corações”) aparece nas cartilhas militares e na mídia americanas, mas não tem significado algum. Liberdade não é algo ganho, é algo que se conquista.

Soldado: "... mais corações e mentes iraquianos"
Posts relacionados:

Bom post, mas não vou discutir novamente a idéia dq Liberdade não existe…
Deixo isso pra mais a noite tomando vodka!!
Ernest, nunca gostei muito de vodka…