Cores desbotadas

Todos estamos acompanhando a Revolução Verde que varre as ruas de Teerã com bastões e cacetetes e as lava com sangue. Uma tragédia política e social que marcará a História mas, segundo minha opinião, não irá trazer mudança duradoura ao país dos aiatolás.

O que a galerinha do Twitter parece não saber é diferenciar as revoluções coloridas da virada do século XXI e uma Revolução com “r” maiúsculo que fez surgir a República Islâmica do Irã. Para começar, as revoluções coloridas somente aconteceram realmente nas ex-repúblicas soviéticas. As outras receberam nomes de revoluções mas nada mais foram do que protestos, alguns com resultados, outros não.

Outro aspecto que foge ao ativismo imediatista gerado pela Internet foi o desenrolar dessas revoluções, que acabaram em compromisso com o status quo anterior e em alguns casos até o retorno ao ancien régime.

Estou longe de ser um expert nas ditas revoluções. Acompanhei-as pela BBC como qualquer outro nerd, e estou aberto a comentários e correções onde forem cabíveis. Vou exemplificar as duas condições do parágrafo anterior (compromisso e retorno) com os dois exemplos mais conhecidos das revoluções coloridas: a Rosa da Geórgia e a Laranja da Ucrânia.

Será que deixaram ela murchar?

Será que deixaram ela murchar?

Entre 2003 e 2004, a Geórgia passou por uma situação muito semelhante à do Irã atual, com resultados da eleição disputados com protestos de rua. Uma nova eleição foi realizada e Mikhail Saakashvili recebeu uma votação à la Saddam Hussein: 96% dos votos foram para ele. Difícil de acreditar também, porque desde os primeiros momentos de seu mandato milhares de refugiados e uma massa de desempregados o forçam a cumprir suas promessas. Não conseguindo, parte da Geórgia se volta novamente à Mãe Rússia, o poder regional que a acolheu por tanto tempo. O apoio dos EUA parece ter sido muito aquém do que foi suposto, e Saakashvili está sendo obrigado, à força, a se dobrar aos desígnios russos.

Na Ucrânia, também após eleições contestadas e até uma tentativa de assassinato, Viktor Yushchenko chegou ao cargo de presidente, mas meses depois entregou o cargo de primeiro-ministro ao seu rival, Viktor Yanukovych. (Pode-se dizer que os dois Viktors saíram vitoriosos!) Também a falha em cumprir promessas de campanha (ou poderíamos dizer, promessas revolucionárias) levou a Revolução Laranja ao caminho do comprometimento e, com a provável eleição de Yulia Tymoshenko em 2010 o que veremos é mais uma fraca tentativa de sair da esfera russa pois uma das propostas principais da candidata é fazer a Ucrânia entrar para a União Européia “sem antagonizar a Rússia”. Se isso não fosse falho o suficiente, o comportamento populista da candidata não inspira confiança.

Propaganda de Yulia Tymoshenko

Propaganda de Yulia Tymoshenko

Vivemos uma era de ansiedade por transformações radicais que possam salvar nossa cidade, país e planeta mas parece que por mais que tenhamos evoluído em ferramentas, ainda carecemos de métodos revolucionários que tornem seus efeitos duradouros.

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por dougspadotto em Round 1 e tem 1 comentário

Um comentário para “Cores desbotadas”

  1. Dada disse:

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