
Essa semana fui assistir o novo filme do Stallone, onde ele e sua turminha do barulho vão a um país fictício na América Central, no maior clima de azaração aprontando mil e uma confussões e lá encontram um general malzinho que na verdade é um boneco na mão de malvadões americanos. Aqui o filme foi traduzido com o nome de ‘Os Mercenários’, porém o nome Expendables (Dispensáveis) é mais interessante… enfim, algumas semanas atrás houve todo um frissom devido à declaração do Stallone sobre ser bom filmar no Brasil porque pode explodir tudo e os brasileiros ainda dizem obrigado e oferecem um macaco, ouvi muita gente tendo chiliques com isso, mas disse ele alguma mentira?! Se nem nós nos respeitamos, por que esperamos respeito dos outros?

Voltando ao filme, imaginava que seria apenas mais um filme de explosões, ação e os brucutus matando gente e… foi realmente isso, mas de uma maneira bem legal que me lembrou os filmes da década de 80, com cenas bem feitas e de maneira sem ser absurda demais, vide Missão Impossível e afins, pra ser bem sincero, gostei bastante de ver a velha guarda dos brucutus fazendo um filme desses, a cenas gravadas no Brasil tão bem legais, salvo uma ou outra aparição da cerveja Itaipava e do Guaraná Bhrama, os quais imagino que não são vendidos na américa central, óbvio, que tem furos no roteiro, mas nem tudo é perfeito.
Falando um pouco do cast feminino (composto basicamente de 2 atrizes), Gisele Itié até que faz bem o papel da incorruptível filha do general, sem explicar muito a relação entre eles, mas ela convence com seu inglês xicano, poderia sim, ter sido mais bem aproveitada, mas foi melhor do que o Santoro em seus primeiros filmes mudos de Hollywood; já Carisma Carpenter é totalmente sub-aproveitada, praticamente entra muda e sai calada, pelo menos rendeu uma boa cena para o Jason Stathan. Agora sobre os brucutus, a abordagem do Stallas é boa, porém todos em sua maioria foram mal aproveitados, o que não quer dizer um problema de direção e/ou roteiro, talvez a edição tenha sido porca… apenas o Jet Li, Lundgreen, Stathan e óbvio o Stallas são personagens de destaque
Ainda sem ter ação, gostei do personagem do Mickey Rourke, deu um peso necessário ao filme, algo como um mentor/amigo do personagem do Stallas, não contou muito sobre o personagem, mas foi interessante, como se fosse uma parte perdida da consciência do próprio; sem contar as participações especiais de Bruce Willis e do Schwazzas, muito boa a cena do Governator trocando farpas com o Stallas, já vale o filme, deu o peso de humor que sempre quis ver no cinema.

E falando sobre pesos, a declaração do Stallas quanto ao Brasil e macacos, foi infeliz, foi sim, porém foi pertinente, ainda que apenas uma piada! Diferente de qualquer outro país com um pouco mais de estrutura, o Brasil não montou nenhum comitê para analisar o impacto do filme, explosões etc… o que é comum nos EUA, onde deve-se garantir segurança pessoal e patrimonial e, ainda que o Brasil obrigasse a usar algum padrão, com certeza os padrões usados por eles seriam muito mais rigorosos que o nossos, mas o ponto é, não há ninguém reclamando, pelo contrário, deram incentivos e ficaram lambendo o saco da produção, vejo o que o Stallone disse como uma piada de como as autoridades locais foram puxa-sacos.
E é claro, moramos em um país onde a falta de respeito impera, junto com a hipocrisia! “Ahhh, não vou dar dinheiro pra esses porcos americanos que nos fazem de palhaços… sim sim, uma coca-cola por favor!”, ahhhhh, fala sério, não enxergamos que boicotar um filme por que a estrela principal fez uma piada está longe de ser patriota e outra, isso é apenas um pentelhonésimo, como eu disse no começo, não nos respeitamos, pagamos 2k reais em um iPhone que custa 1/3 desse valor lá fora ou 500 Reais em um nike shox que custa 40 dólares… no fundo os americanos não precisam nos fazer de palhaços, já fazemos isso sozinhos pagando imposto e afins! Sem contar que foi uma piada, certo? Tenhamos um pouco de senso de humor então!

Não quero nenhum revolta armada contra o Stallas e/ou aos americanos, muito pelo contrário, ainda assim deixo aqui meu pesar quanto a nossa postura, é fácil simplesmente se mover pela media, engolir tudo com farinha e apontar o dedo na direção mais comoda, bom seria pensar um pouco antes, o filme vale a meia-entrada no cinema, não é nenhuma peça de exploração dos direitos brasileiros e ficar com raiva do Stallas é procurar pelo em ovo, quer ser a diferença? Não seja palhaço, acredite nesse nosso país, se desenvolva e não ofereça macacos, seja pro Stallas, pra Apple ou pra quem quer que seja.
