E a história do nosso caro Ranger começa a se direcionar para o fim! Esta é a penúltima parte, se tudo der certo, semana que vem termino a história baseada na música do Johnny Cash… mas, pra quem esqueceu, seguem as 3 primeiras partes:
Big Iron – Parte 1
Big Iron – Parte 2
Big Iron – Parte 3

Big Iron – Parte 4
Dona Ruth era um senhora já idosa, dona da única hospedaria da cidade de Água Fria, havia chegado da Europa a muito tempo já, quase junto com King Woosley quando fundou a cidade, possuía sangue Cigano ou como ela preferia: ‘sangre Romani’.
Depois que os pais de Michelle e o pequeno Davi morreram, Ruth cuidou deles, ainda que não tivessem qualquer laço de sangue, ela se sentia responsável pelas crianças, uma vez que haviam dividido o mesmo navio que os trouxe da Europa. Diziam que Ruth era uma bruxa, que enxergava o futuro, lia pensamentos e que conseguia dizer se uma pessoa era boa ou má só pelos olhos e foram exatamente os olhos do Ranger que ela primeiramente notou quando ele entrou na hospedaria:
- Licença dona, a senhora é a dona do estabelecimento?
Aquele segundo ficou gravado, imagens fervilhavam na cabeça da velha cigana, cenas que iam de irmãos brincando juntos, passando por ambos dando apoio no momento do funeral dos pais, estrelas, bandidos, um corpo caído no ensanguentado no chão e por fim o sorriso da bela Michelle.
- Dona, dona… ei senhora?! – falou o Ranger olhando a mulher em uma espécie de transe.
As imagens continuavam a vir na cabeça da atônita senhora, agora mostrando o futuro do Ranger, ela via sangue, via morte, mas tudo era muito nebuloso.
- Nais tuke! Oi filho, desculpa essa velha… sim sim, a hospedaria é minha sim! – tendo visto flashs do passado e futuro do Ranger a idosa conseguia enxergar que ele era um bom homem, ainda que ela tivesse visto o rosto de Beng nas visões, viu também que Devél, andava ao lado desse homem.
- Minha senhora, não pretendo ficar muito tempo na cidade, mas gostaria de pegar um quarto para descansar o corpo nos dias que estiver por aqui.
- Claro filho, o senhor está viajando sozinho.
- Sim senhora, apenas eu e meu cavalo, inclusive desejo pagar também para que ele seja bem cuidado.
- Ov yilo isi! Como pode um homem da lei não estar com seu cavalo?
De súbito o Ranger sentiu um frio na espinha, como poderia aquela senhora saber que ele era um Ranger!? Se até a dona da hospedaria o notou, com certeza seu disfarce estava comprometido.
- Sako peskero charo dikhel! Vocês Gadjes só enxergam o que querem enxergar, eu como Romani vejo mais longe filho! Mas não se preocupe, seu segredo está a salvo comigo e sim, seu cavalo será bem cuidado aqui na hospedaria.
O Ranger tentou explicar que não era isso e que não estava ali para trazer problemas, mas a senhora apenas riu e falou que os problemas estavam ali a muito mais tempo que o Ranger podia imaginar, talvez ele estivesse ali para resolver os problemas, da cidade e os do coração dele, o Ranger pouco entendeu, mas aceitou o que com um sorriso a senhora falava.
Enquanto Ruth explicava sobre as regras e horários, o pequeno Davi entrou na hospedaria já gritando:
- Tia Ruth!!! Cadê o moço?!
- Davi, não precisa gritar! Estamos aqui – falou Ruth com um sorriso no rosto;
- A tia tinha que ter visto com o moço pôs o McKaye pra correr lá no saloon, odeio quando ele me chama de cunhado, como se a mana fosse algum dia chegar perto daquele fedido…
- Hey, hey pequeno… assim você vai assustar sua tia falando desse jeito, ela vai pensar que eu sou algum tipo de baderneiro – disse o Ranger colocando o chapéu na cabeça do Davi para ver se ele parava de tagarelar.
- Não me assusto tão fácil forasteiro! E tenho certeza que você fez o que era preciso para servir e proteger. – disse Ruth piscando para o Ranger, se fazendo entender muito bem que ele era um homem da lei, mesmo que ainda não tivesse assumido.
- Davi, leve o cavalo do moço lá para o coxo nos fundos para ele descansar na sombra.
- Já fiz isso Tia!!! – disse o pequeno Davi levantando o chapéu.
- Já fez?!!? – falou o espantado Ranger – Como você conseguiu fazer o Pé-de-pano andar?!
- Ué, peguei a rédea dele e falei pra ele me seguir e dei um torrão de açúcar – Davi contou com a maior naturalidade do mundo.
- Aquele vendido, por um torrão de açúcar já está seguindo você – o Ranger realmente parecia estar enciumado.
- Pronto, pronto, seu cavalo já está sendo bem cuidado, agora vá você para dentro que vou preparar alguma coisa para você comer que sua barriga está reclamando mais do que você! – todos riram da piada que Ruth fez e o Ranger foi para dentro descansar.
O jovem Ranger deitou na cama ainda com as botas, mantendo-as fora da cama, seu corpo estava dolorido de tanto cavalgar, realmente estava com fome, mas o que mais lhe vinha a mente era o rosto da bela moça que ele viu no saloon, parecia ainda sentir o perfume dos seus cabelos, imerso em seus pensamentos ele cochilou, mas nem para aproveitar o sono teve tempo, Davi chutou a porta trazendo a comida para o ranger:
- Aqui senhor Ranger, comida!!!
Davi estava muito feliz com a presença de um Ranger, ainda vestia o chapéu que o forasteiro havia colocado em sua cabeça.
- Hey amiguinho, nada de me chamar de Ranger, lembra, missão secreta!? – falou o Ranger sentando para comer.
- Mas eu nem sei seu nome! – protestou o pequeno, pegando uma cadeira e sentando a frente do Ranger.
- Realmente, prazer senhor Davi, meu nome é… – não pode completar a frase e dona Ruth apareceu na porta:
- Vamos, vamos Davi, deixe o hóspede comer em paz! Venha pra cá e vá estudar, vi que não fez a lição de matemática!!!
- Ahhhh tia!! Vou ser Ranger, não preciso saber multiplicar!!! – levantou batendo os pés.
- Você se engana rapazinho, escute sua tia e vá estudar! – agora com o aval do Ranger o pequeno saiu do quarto indo atrás da dona Ruth.
O Ranger terminou de comer e após agora ter tirado as botas, deitou na cama, não muito já estava dormindo e assim permaneceu pela tarde toda, sonhando com um mundo onde seu irmão estava vivo e a bela Michelle era sua esposa, tendo o pequeno Davi como pajem em seu casamento, porém no ápice do sonho ele foi acordado com uma discussão.
Já se passava das 18h e o Sol começava a se por, andando do quarto para a entrada da hospedaria o Ranger podia ver a luz dourada que banhava o cômodo todo, e no pequeno hall de entrada 3 homens ameaçavam a idosa e o menino que estava no chão chorando com um olho roxo:
- Veja Ruth, a coisa é bem simples: você pode pagar nossa proteção agora ou Deus sabe o que pode acontecer com sua querida Michelle ao voltar do trabalho? – Falava Texas Red, com um sorriso sinistro nos lábios.
- Seu sujo, você não se atreveria! – falou Ruth com os olhos cheios de lágrima e raiva.
- Eu… imagine? Não faço mal a ninguém, ainda mais fazer mal a noiva do meu associado McKaye.
- Ela não é sua noiva! – disse o pequeno Davi chorando, mais de raiva do que de dor.
- Moleque do inferno! Já te dou outro tapa para você aprender – falou Dirty McKaye levantando a mão para bater de novo na criança já caída, o que o bandido não esperava era ter sua mão presa e ainda mais ser jogado ao chão pelo Ranger:
- Encoste nele mais uma vez e vou fazer você cuspir todos os dentes que lhe restam na boca, seu sujo!
- Olhe, olhe, quem se juntou a nós? Se não é o bravo forasteiro que me falaram – disse Texas Red em tom de deboche – definitivamente Ruth vou ter que lhe cobrar mais, já que está cuidando de animais também!
Enquanto Dirty McKaye se levantava, o Ranger passou a mão na cintura e percebeu que havia deixado a Peacemaker no quarto, o que lhe dava uma desvantagem muito grande, os outros dois homens estavam armados, além do mais podiam machucar Ruth e Davi e isso ele não podia deixar acontecer.
- Veja senhor, não quero problemas, se é dinheiro que quer, posso lhe dar… – disse o Ranger para tentar despistar a atenção dos bandidos.
- Você dará muito mais do que o dinheiro, seu maricas! – Disse Dirty McKaye já de pé.
A tensão estava bem grande, os dois bandidos estavam com a mão no cabo de suas armas, a pobre Ruth apenas rezava em silêncio, o pequeno Davi chorava enquanto esperava que o Ranger fizesse algo e esse, imóvel tentava pensar em algo que não colocasse os dois inocentes em perigo.
Quando tudo parecia perdido a bela Michelle entrou:
- Que mérde?! O que é isso?
Junto com Michelle estava o Sheriff Weaver, que como comumente fazia aos sábado, vinha para jantar na hospedaria:
- Jimmy, o que você está fazendo!?
Texas Red odiava ser chamado de Jimmy, mas tolerava quando via que estava em um momento constrangedor:
- Só estamos conversando com o forasteiro Sheriff, querendo conhece-lo melhor.
- Conversando?! Olhe o olho do Davi, quem fez isso? – Michelle reclamou levantando o pequeno irmão e colocando-o para trás.
- Ele teve um acidente meu coração, nada demais – falou Dirty McKaye mudando o tom.
- Eu não sou seu coração e se você encostar nele de novo, Deus me perdoe o que vou fazer! – gritava Michelle.
- Mais respeito com seu noivo – debochou Texas Red.
- Ele não é meu noivo! – gritou mais alto Michelle.
O problema da questão desse noivado era simples: quando os pais da bela Michelle eram vivos, os mesmos foram acolhidos pela família McKaye ao chegar da Europa e em sinal de boa fé e um futuro melhor, prometeram a mão da ainda criança Michelle para o primogênito dos McKaye.
- Tecnicamente ele é! – Disse o Sheriff.
Com esse alívio do Sheriff, Dirty McKaye levou a mão até o rosto da Michelle, mas foi contido pelo Ranger, que contrariando a palavra do Sheriff disse:
- Se ela está dizendo que não é sua noiva, você não tem direito nenhum de tocá-la!
Pronto, ambos estavam procurando um motivo e agora o tinham, após alguns socos e pontapés que deixaram o Dirty McKaye bem machucado, ele pediu por uma intervenção ao Sherif:
- Sheriff, esse forasteiro manchou a honra da minha família, eu exijo um duelo com ele amanhã ao meio dia!
- Veja filho, seu pedido é tecnicamente aceitável, mas acho que você não tem condições com esses olhos inchados! – falava o Sheriff querendo evitar o duelo.
- Não tem problema Sheriff, como meu associado e considerando-o como irmão, eu duelo com o forasteiro amanhã! – falou Texas Red com sede de sangue, uma vez que ele pouco se importava com o comparsa ferido.
Era a chance que o Ranger queria, dessa forma poderia vingar a morte do próprio irmão e completar a missão:
- Eu aceito!
- Tecnicamente é possível dessa maneira! Mas saibam que será um duelo justo a 40 passos e só vocês dois certo? – falou o Sheriff.
Ambos os homens consentiram com a cabeça, Texas Red saiu carregando seu comparsa e finalmente alguém falou:
- Seu louco! Ele vai te matar amanhã, ninguém nunca sobreviveu a um duelo com Texas Red… e ainda que você sobreviva, com certeza os comparsas dele o matarão! – Disse Michelle.
- Eu não me importo em morrer, desde que seja depois desse fora-da-lei! – Falou o Ranger, que continuando finalmente contou seu segredo – vou deixar isso claro para vocês, sou um Arizona Ranger e vim aqui a fim de levar esse bandido vivo ou morto!
- Zhan le Devlesa tai sastimasa! – Disse Ruth, desejando boa sorte ao Ranger.
Um pouco longe dali enquanto cavalgavam Dirty McKaye falou:
- Chefe, quando estávamos saindo eu pude escutar o forasteiro falar que era um Ranger…
- Ha ha ha! Melhor ainda, vinte homens já tentaram me matar e vinte homens eu coloquei no chão, vinte e um será esse Ranger então! Que amanhã chegue logo!