Obrigado por (NÃO) fumar…

Hoje acordei com uma baita vontade de escrever, já tinha até imaginado que terminaria o Big Iron, que está enroscado a algumas semanas, porém estava batendo papo com meu irmão no msn que falou que hoje é dia mundial de combate ao fumo, e não é que é verdade?! Dia 31 de maio é Dia Mundial de Combate ao Fumo!! Mas que triste termos que ter uma data como essa não?

Alguns sabem que a pouco mais de três anos perdi meu pai vítima de uma neoplasia pulmonar (câncer de pulmão pra você que ficou com preguiça de procurar no google), vejam só, meu pai fumou a vida toda, que não foi assim muito longa! Era óbvio que um dia o cigarro cobraria todos os momentos de pseudo-prazer que o cigarro trouxe, detalhe rápido, meu pai era extremamente cabeça-dura, tendo fumado inclusive enquanto estava fazendo quimio e radioterapia, ainda assim, no final ele disse que se arrependia e que se pudesse voltar nunca colocaria um cigarro na boca! Sobre as reações do tratamento, tanto a quimioterapia quanto a radio detonam o corpo da pessoa, imaginem que divertido após passar algumas horas tomando soro, chegar em casa vomitando, com dores nas pernas e não ter força nem para ir ao banheiro defecar! Mas claro, você aí do outro lado está pensando “Isso não acontecerá comigo”, como diz meu primo especialista em oncologia: “Não, não vai… papai do céu vai colocar a mão SÓ SOBRE VOCÊ, porque você é diferente né?!”

Pra você que fuma, mas ainda tem pelo menos dois neurônios ativos, vou colocar alguns números para pensar um pouquinho e ver se inalar fumaça e incomodar seus amigos não fumantes vale a pena:

- 45% das mortes por infarto do miocárdio

- 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema)

- 25% das mortes por doença cérebro-vascular (derrames)

- 30% das mortes por câncer podem ser atribuídas ao cigarro

- 90% dos casos de câncer do pulmão têm correlação com o tabagismo

Estes dados não demonstram uma realidade total, alguns casos são simplesmente desconsiderados, mas mesmo assim dá pra se ter uma idéia da merda que é fumar!

Além do mais um fumante custa caro para o SUS, em 2008 a consultoria de saúde Sardella estimou que quase 340 milhões de Reais destinados a saúde foram gastos com fumantes, quase 8% do total daquele ano! Para se ter uma idéia, o mesmo estudo viu que um paciente com câncer de pulmão custa em média 29 mil Reais, de esôfago, 33,2 mil Reais e de Laringe,  37,5 mil Reais (os 3 mais comuns para fumantes), logo, se todos os novos casos procurassem o SUS, o custo de todos os tratamentos em 1 ano daria mais de 1 bilhão de Reais, isso sem contar os problemas cardíacos, vasculares e afins.

Aí você me pergunta: “Mas Everton, tem que ter um lado bom?!”, ahhhhhhh, mas é claro que há! Para a indústria do Tabaco! No mundo inteiro a indústria tabagista arrecada cerca mais de 280 bilhões de dólares (sim sim, BILHÕES DE VERDINHAS!), o Brasil participa dessa fatia com cerca de 4,5 bilhões de dólares queimados, mas aí aquela conta básica, só de ICMS arrecadado já fica tudo susse!!! Pena que não é bem assim.

Enfim caros, fumar é um hábito muito ruim, para sua saúde, para seu bolso e também para o ciclo social que você vive! Se você tem filhos ou pensa em ter, eu como órfão do tabaco lhe digo, pense nos seus entes queridos quando for fumar, se a dor de passar entre 18 meses a 5 anos sofrendo não for suficiente, pense que essas pessoas sofrerão (e MUITO) a seu lado quando você estiver definhando para morrer, pelo simples fato que esse é o único caminho!

Big Iron – Parte 4

E a história do nosso caro Ranger começa a se direcionar para o fim! Esta é a penúltima parte, se tudo der certo, semana que vem termino a história baseada na música do Johnny Cash… mas, pra quem esqueceu, seguem as 3 primeiras partes:

Big Iron – Parte 1

Big Iron – Parte 2

Big Iron – Parte 3

Big Iron – Parte 4

 

Dona Ruth era um senhora já idosa, dona da única hospedaria da cidade de Água Fria, havia chegado da Europa a muito tempo já, quase junto com King Woosley quando fundou a cidade, possuía sangue Cigano ou como ela preferia: ‘sangre Romani’.

Depois que os pais de Michelle e o pequeno Davi morreram, Ruth cuidou deles, ainda que não tivessem qualquer laço de sangue, ela se sentia responsável pelas crianças, uma vez que haviam dividido o mesmo navio que os trouxe da Europa. Diziam que Ruth era uma bruxa, que enxergava o futuro, lia pensamentos e que conseguia dizer se uma pessoa era boa ou má só pelos olhos e foram exatamente os olhos do Ranger que ela primeiramente notou quando ele entrou na hospedaria:

- Licença dona, a senhora é a dona do estabelecimento?

Aquele segundo ficou gravado, imagens fervilhavam na cabeça da velha cigana, cenas que iam de irmãos brincando juntos, passando por ambos dando apoio no momento do funeral dos pais, estrelas, bandidos, um corpo caído no ensanguentado no chão e por fim o sorriso da bela Michelle.

- Dona, dona… ei senhora?! – falou o Ranger olhando a mulher em uma espécie de transe.

As imagens continuavam a vir na cabeça da atônita senhora, agora mostrando o futuro do Ranger, ela via sangue, via morte, mas tudo era muito nebuloso.

- Nais tuke! Oi filho, desculpa essa velha… sim sim, a hospedaria é minha sim! – tendo visto flashs do passado e futuro do Ranger a idosa conseguia enxergar que ele era um bom homem, ainda que ela tivesse visto o rosto de Beng nas visões, viu também que Devél, andava ao lado desse homem.

- Minha senhora, não pretendo ficar muito tempo na cidade, mas gostaria de pegar um quarto para descansar o corpo nos dias que estiver por aqui.

- Claro filho, o senhor está viajando sozinho.

- Sim senhora, apenas eu e meu cavalo, inclusive desejo pagar também para que ele seja bem cuidado.

- Ov yilo isi! Como pode um homem da lei não estar com seu cavalo?

De súbito o Ranger sentiu um frio na espinha, como poderia aquela senhora saber que ele era um Ranger!? Se até a dona da hospedaria o notou, com certeza seu disfarce estava comprometido.

- Sako peskero charo dikhel! Vocês Gadjes só enxergam o que querem enxergar, eu como Romani vejo mais longe filho! Mas não se preocupe, seu segredo está a salvo comigo e sim, seu cavalo será bem cuidado aqui na hospedaria.

O Ranger tentou explicar que não era isso e que não estava ali para trazer problemas, mas a senhora apenas riu e falou que os problemas estavam ali a muito mais tempo que o Ranger podia imaginar, talvez ele estivesse ali para resolver os problemas, da cidade e os do coração dele, o Ranger pouco entendeu, mas aceitou o que com um sorriso a senhora falava.

Enquanto Ruth explicava sobre as regras e horários, o pequeno Davi entrou na hospedaria já gritando:

- Tia Ruth!!! Cadê o moço?!

- Davi, não precisa gritar! Estamos aqui – falou Ruth com um sorriso no rosto;

- A tia tinha que ter visto com o moço pôs o McKaye pra correr lá no saloon, odeio quando ele me chama de cunhado, como se a mana fosse algum dia chegar perto daquele fedido…

- Hey, hey pequeno… assim você vai assustar sua tia falando desse jeito, ela vai pensar que eu sou algum tipo de baderneiro – disse o Ranger colocando o chapéu na cabeça do Davi para ver se ele parava de tagarelar.

- Não me assusto tão fácil forasteiro! E tenho certeza que você fez o que era preciso para servir e proteger. – disse Ruth piscando para o Ranger, se fazendo entender muito bem que ele era um homem da lei, mesmo que ainda não tivesse assumido.

- Davi, leve o cavalo do moço lá para o coxo nos fundos para ele descansar na sombra.

- Já fiz isso Tia!!! – disse o pequeno Davi levantando o chapéu.

- Já fez?!!? – falou o espantado Ranger – Como você conseguiu fazer o Pé-de-pano andar?!

- Ué, peguei a rédea dele e falei pra ele me seguir e dei um torrão de açúcar – Davi contou com a maior naturalidade do mundo.

- Aquele vendido, por um torrão de açúcar já está seguindo você – o Ranger realmente parecia estar enciumado.

- Pronto, pronto, seu cavalo já está sendo bem cuidado, agora vá você para dentro que vou preparar alguma coisa para você comer que sua barriga está reclamando mais do que você! – todos riram da piada que Ruth fez e o Ranger foi para dentro descansar.

O jovem Ranger deitou na cama ainda com as botas, mantendo-as fora da cama, seu corpo estava dolorido de tanto cavalgar, realmente estava com fome, mas o que mais lhe vinha a mente era o rosto da bela moça que ele viu no saloon, parecia ainda sentir o perfume dos seus cabelos, imerso em seus pensamentos ele cochilou, mas nem para aproveitar o sono teve tempo, Davi chutou a porta trazendo a comida para o ranger:

- Aqui senhor Ranger, comida!!!

Davi estava muito feliz com a presença de um Ranger, ainda vestia o chapéu que o forasteiro havia colocado em sua cabeça.

- Hey amiguinho, nada de me chamar de Ranger, lembra, missão secreta!? – falou o Ranger sentando para comer.

- Mas eu nem sei seu nome! – protestou o pequeno, pegando uma cadeira e sentando a frente do Ranger.

- Realmente, prazer senhor Davi, meu nome é… – não pode completar a frase e dona Ruth apareceu na porta:

- Vamos, vamos Davi, deixe o hóspede comer em paz! Venha pra cá e vá estudar, vi que não fez a lição de matemática!!!

- Ahhhh tia!! Vou ser Ranger, não preciso saber multiplicar!!! – levantou batendo os pés.

- Você se engana rapazinho, escute sua tia e vá estudar! – agora com o aval do Ranger o pequeno saiu do quarto indo atrás da dona Ruth.

O Ranger terminou de comer e após agora ter tirado as botas, deitou na cama, não muito já estava dormindo e assim permaneceu pela tarde toda, sonhando com um mundo onde seu irmão estava vivo e a bela Michelle era sua esposa, tendo o pequeno Davi como pajem em seu casamento, porém no ápice do sonho ele foi acordado com uma discussão.

Já se passava das 18h e o Sol começava a se por, andando do quarto para a entrada da hospedaria o Ranger podia ver a luz dourada que banhava o cômodo todo, e no pequeno hall de entrada 3 homens ameaçavam a idosa e o menino que estava no chão chorando com um olho roxo:

- Veja Ruth, a coisa é bem simples: você pode pagar nossa proteção agora ou Deus sabe o que pode acontecer com sua querida Michelle ao voltar do trabalho? – Falava Texas Red, com um sorriso sinistro nos lábios.

- Seu sujo, você não se atreveria! – falou Ruth com os olhos cheios de lágrima e raiva.

- Eu… imagine? Não faço mal a ninguém, ainda mais fazer mal a noiva do meu associado McKaye.

- Ela não é sua noiva! – disse o pequeno Davi chorando, mais de raiva do que de dor.

- Moleque do inferno! Já te dou outro tapa para você aprender – falou Dirty McKaye levantando a mão para bater de novo na criança já caída, o que o bandido não esperava era ter sua mão presa e ainda mais ser jogado ao chão pelo Ranger:

- Encoste nele mais uma vez e vou fazer você cuspir todos os dentes que lhe restam na boca, seu sujo!

- Olhe, olhe, quem se juntou a nós? Se não é o bravo forasteiro que me falaram – disse Texas Red em tom de deboche – definitivamente Ruth vou ter que lhe cobrar mais, já que está cuidando de animais também!

Enquanto Dirty McKaye se levantava, o Ranger passou a mão na cintura e percebeu que havia deixado a Peacemaker no quarto, o que lhe dava uma desvantagem muito grande, os outros dois homens estavam armados, além do mais podiam machucar Ruth e Davi e isso ele não podia deixar acontecer.

- Veja senhor, não quero problemas, se é dinheiro que quer, posso lhe dar… – disse o Ranger para tentar despistar a atenção dos bandidos.

- Você dará muito mais do que o dinheiro, seu maricas! – Disse Dirty McKaye já de pé.

A tensão estava bem grande, os dois bandidos estavam com a mão no cabo de suas armas, a pobre Ruth apenas rezava em silêncio, o pequeno Davi chorava enquanto esperava que o Ranger fizesse algo e esse, imóvel tentava pensar em algo que não colocasse os dois inocentes em perigo.

Quando tudo parecia perdido a bela Michelle entrou:

- Que mérde?! O que é isso?

Junto com Michelle estava o Sheriff Weaver, que como comumente fazia aos sábado, vinha para jantar na hospedaria:

- Jimmy, o que você está fazendo!?

Texas Red odiava ser chamado de Jimmy, mas tolerava quando via que estava em um momento constrangedor:

- Só estamos conversando com o forasteiro Sheriff, querendo conhece-lo melhor.

- Conversando?! Olhe o olho do Davi, quem fez isso? – Michelle reclamou levantando o pequeno irmão e colocando-o para trás.

- Ele teve um acidente meu coração, nada demais – falou Dirty McKaye mudando o tom.

- Eu não sou seu coração e se você encostar nele de novo, Deus me perdoe o que vou fazer! – gritava Michelle.

- Mais respeito com seu noivo – debochou Texas Red.

- Ele não é meu noivo! – gritou mais alto Michelle.

O problema da questão desse noivado era simples: quando os pais da bela Michelle eram vivos, os mesmos foram acolhidos pela família McKaye ao chegar da Europa e em sinal de boa fé e um futuro melhor, prometeram a mão da ainda criança Michelle para o primogênito dos McKaye.

- Tecnicamente ele é! – Disse o Sheriff.

Com esse alívio do Sheriff, Dirty McKaye levou a mão até o rosto da Michelle, mas foi contido pelo Ranger, que contrariando a palavra do Sheriff disse:

- Se ela está dizendo que não é sua noiva, você não tem direito nenhum de tocá-la!

Pronto, ambos estavam procurando um motivo e agora o tinham, após alguns socos e pontapés que deixaram o Dirty McKaye bem machucado, ele pediu por uma intervenção ao Sherif:

- Sheriff, esse forasteiro manchou a honra da minha família, eu exijo um duelo com ele amanhã ao meio dia!

- Veja filho, seu pedido é tecnicamente aceitável, mas acho que você não tem condições com esses olhos inchados! – falava o Sheriff querendo evitar o duelo.

- Não tem problema Sheriff, como meu associado e considerando-o como irmão, eu duelo com o forasteiro amanhã! – falou Texas Red com sede de sangue, uma vez que ele pouco se importava com o comparsa ferido.

Era a chance que o Ranger queria, dessa forma poderia vingar a morte do próprio irmão e completar a missão:

- Eu aceito!

- Tecnicamente é possível dessa maneira! Mas saibam que será um duelo justo a 40 passos e só vocês dois certo? – falou o Sheriff.

Ambos os homens consentiram com a cabeça, Texas Red saiu carregando seu comparsa e finalmente alguém falou:

- Seu louco! Ele vai te matar amanhã, ninguém nunca sobreviveu a um duelo com Texas Red… e ainda que você sobreviva, com certeza os comparsas dele o matarão! – Disse Michelle.

- Eu não me importo em morrer, desde que seja depois desse fora-da-lei! – Falou o Ranger, que continuando finalmente contou seu segredo – vou deixar isso claro para vocês, sou um Arizona Ranger e vim aqui a fim de levar esse bandido vivo ou morto!

- Zhan le Devlesa tai sastimasa! – Disse Ruth, desejando boa sorte ao Ranger.

Um pouco longe dali enquanto cavalgavam Dirty McKaye falou:

- Chefe, quando estávamos saindo eu pude escutar o forasteiro falar que era um Ranger…

- Ha ha ha! Melhor ainda, vinte homens já tentaram me matar e vinte homens eu coloquei no chão, vinte e um será esse Ranger então! Que amanhã chegue logo!

Livres associações semanais

Não tenho lido muito (fora de pesquisas de trabalho), e acho que por isso a escrita tem sido rara no blog. Muito trabalho, pouca leitura. Mas o balanço disso com certeza não é negativo, e nem nulo na formação de algumas opiniões e relações. Vamos lá.

Voltando para casa hoje no “shuffle do iShuffle”, como diria George W. Bush, caiu uma pancada de rock n’roll que pensei que vinha da discografia do Queens of the Stone Age. Mas não. Era a música de abertura (“Bridge “Burning”) do novo álbum do Foo Fighters, “Wasting Light“. Porrada mesmo, de fazer os fãzinhos das baladinhas do ex-baterista do Nirvana ficarem perdidos. Fiquem para lá vocês, pois a ponte foi queimada e Dave Grohl agora quer sujeira e peso.

O disco cai muito bem para os roqueiros de verdade, mas não ecoa a mudança de paradigma que a ex-banda do vocalista representou. Esta semana ao pular como uma colegial com a volta do personagem Kurt Hummel ao elenco do “New Directions” em Glee recebi um comentário enviesado do meu co-editor Everton no Facebook, falando que o melhor que o Kurt fez foi morrer para o Foo Fighters ser formado. Shame on you, compadre. Por mais ritmo, fama e longevidade que os caçadores de UFO tiverem, eles nunca chegarão à altura do Nirvana. Estes lideraram um movimento, uma “nova direção” por assim dizer, na música mundial. “Alternative Rock” não existiria como existe hoje se não pelos quadriculados de Seattle.

Vocês sabiam que as fases da lua não influenciam no crescimento dos cabelos? Tá aí o mais interessante que li, na Superinteressante deste mês. Sim, este parágrafo não tem nada a ver com nada, a associação continua com música, mas longe de Seattle.

Fica difícil dizer se Hugh Laurie é associado com Jersey ou com a Inglaterra. Seu personagem “Dr. House” ganhou vida própria, mas os milhões de dólares por temporada não viraram gordura (como com Matthew Perry, o Chandler de Friends) e sim novas expressões de talento. Ainda não li (novidade) seu livro de estréia, O Vendedor de Armas, que recebeu boas críticas, mas esta semana eu ouvi mais de uma vez seu disco de estréia, “Let Them Talk“, uma coletânea de blues que não deve nada à “tradição” do ritmo. Ele juntou estrelas do blues e cantou (sem sotaque britânico) espetacularmente. Não como Gregory House mas como um Hugh Laurie americano, um personagem situado na vida real, ele parece poder qualquer coisa.

Na fronteira entre realidade e ficção fica outra estrela, também do Velho Continente mas que fez fama em Hollywood: Jean Claude Van Damme. O nome traz arrepios ao relembrarmos as montagens de treinamento de “O Grande Dragão Branco” (Bloodsport, 1988), mas o filme que assisti esta semana arrepiou mais por seus momentos reais. Em”JCVD” (2008), Jean Claude representa ele mesmo. Depois do estrelato dos anos 90, sentindo o peso da idade desde a seqüência inicial (uma provocação à John Woo) e sofrendo com a falta de dinheiro, a luta judicial pela guarda de sua filha e o fato de ele ter se tornado refém de um assalto à uma agência dos correios na Bélgica.

Ao invés da montagem de treinamento emocionante, em um momento “fora das câmeras”, Van Damme faz uma rápida retrospectiva de sua vida, sua ambição, seu sofrimento, seus erros e novo sofrimento (ele foi viciado em cocaína por anos). Ele realmente tentou fazer as coisas certas, ir além de um bailarino marcial nas telas, mas falhou. Este filme reflete sua falha e mostra o ser humano por trás disso tudo.

Hugh Laurie parece não errar, Jean Claude Van Damme errou. Dave Grohl está a anos fazendo sucesso mas não atinge a relevância do Nirvana. A vida é cheia destas coisas, não?

Big Iron – Parte 3

Fazendo uma pausa nos posts especiais sobre Religião e a pedido do meu caro amigo Naércio, posto hoje a 3a parte do Conto chamado Big Iron, se você não sabe bem do que se trata, de uma olhada nas primeiras partes abaixo e entenderá melhor:

Big Iron – Parte 1

Big Iron – Parte 2

Big Iron – Parte 3

 

Enquanto andava com o sol apino sobre sua cabeça, o Ranger pensava em tudo que lhe acontecera no último ano, todas as tristezas que o mundo lhe impos, lembrou do dia que recebeu a estrela de Ranger, aquele que deveria ter sido o mais feliz de sua vida e que acabou sendo um dos mais trágicos.

Os passos do Ranger, ainda que firmes eram lentos, como a de um homem que carrega sua própria cruz e só Deus sabia a cruz que ele tinha nos ombros, tão pesada quanto a culpa que lhe apertava o coração: “Eu devia estar lá, eu devia estar lá…”, repetia ele mentalmente lembrando das manchas na locomotiva e do corpo deitado de barriga pra baixo: “O maldito não teve coragem de olhar nos olhos para matá-lo, atirou pelas costas…”, essa foi a conclusão que ele e os outros Marshalls tiraram daquele ataque a locomotiva.

- O que foi Pé-de-pano? Eu também sinto falta do mano… – a quase um ano o cavalo havia deixado de ser a montaria do mais condecorado Ranger, para se tornar o melhor amigo do jovem Ranger que agora tinha um pedaço do coração faltando – eu também sinto falta dele. Andando lado a lado com o cavalo, era como se um entendesse a dor do outro.

Talvez fosse o calor sobre sua cabeça, ou apenas a saudade, mas ele parecia conseguir ver o irmão mais velho cavalgando o Pé-de-pano enquanto carregava algum bandido no lombo de seu cavalo direto para a cadeia: “Andar no Pé-de-pano?! Ha ha ha! Quando você prender o seu primeiro US$ 5.000,00, eu verei se o Pé-de-pano te dá uma chance…” – lembrou o Ranger de seu irmão rindo nos primeiros dias de treinamento – “por enquanto se esforce a aprender a atirar e laçar…”

Uma semana antes do fatídico dia, o irmão do Ranger foi convocado para uma missão secreta, dada pelo próprio governador: deveria ficar disfarçado e acompanhar o trem que sairia de Fort Worth e chegaria até Sacramento, havia uma grande possibilidade que esse trem fosse abordado por bandoleiros no caminho, a missão seria apenas registrar o ‘modus operandi’ para uma futura criação de uma força efetiva antirroubo de trem.

- Isso é moleza… com todo respeito, senhor! – disse o confiante Ranger, com um sorriso nos lábios.

- Não tanto meu rapaz, você não deve intervir, se houver um assalto ao trem, sua missão é apenas de inteligência para registrar e posteriormente treinar uma nova guarnição, entendeu? Você não portará arma alguma nessa missão!

- Mas senhor…

- É isso, se reporte ao seu superior e retire as passagens… também compre algumas roupas, para passar totalmente despercebido!

- Sim senhor.

Uma das coisas que o honroso Ranger tinha além de sua moral era a ordem de hierarquia, em se tratando de uma missão secreta, dada pelo próprio governador, ainda que esse não fosse um estrategista militar, ele tinha que acatar.

Cinco dias se passaram desde a conversa com o governador, após contar aos colegas que iria visitar uma tia doente em Fort Worth, o Ranger chamou o irmão, a única pessoa a qual não conseguia mentir e falou:

- Irmãozinho, estou indo para uma missão, cuide bem do Pé-de-Pano até eu voltar… provavelmente vou assumir uma nova tropa, aí quem sabe se você aprender direito até te convoco pra ela!

- Ha ha há! Engraçado você! Serei o melhor ranger que esse país já viu… e quanto ao Pé-de-Pano, deixa comigo, cuidarei bem dele…

- Aqui, fique com o meu chapéu, ele sempre me trouxe sorte, quem sabe te ajuda na fase final da academia!

- Mano, não posso… é seu chapéu da sorte!

- Pega logo, que o trem ta partindo! Em alguns dias eu to de volta.

Colocando o chapéu na cabeça do irmão mais novo, o Ranger o abraçou e disse:

- Maninho, eu amo muito você… não esqueça! Quando eu voltar quero ver sua estrela de Ranger, ok?

- Que isso mano, tá virando maricas!! Claro que vai ver!!!

E sem olhar para trás o Ranger entrou no Trem que selaria seu destino, o último que ele tomaria e tudo o que pensava era que quando voltasse teria mais um orgulho pra compartilhar.

O trajeto entre Phoneix e Fort Worth era bem grande e levava pouco mais de 1 dia, para um Ranger acostumado a cavalgar era bem estranho passar tanto tempo dentro de uma ‘lata de feijão’, como ele se referia ao trem. Ainda que longa, tinha tudo para ser uma viagem tranquila, afinal, não era um transporte de valores, apenas de passageiros.

Algumas horas haviam se passado desde a saída do trem ao meio dia, começava a anoitecer, cansado de tanto olhar para  janela o Ranger resolveu dar uma volta pelas cabines e quando chegavam perto da floresta petrificada, depois de passar por Black Rock o trem freou bruscamente jogando os mais desavisados ao chão.

- Meu Deus!! – Uma senhora gritou – são os pele vermelhas, eles estão nos atacando!!

- Calma senhora, não deve ser nada demais… o trem logo andará de novo – falou o Ranger em tom calmo, dando muita segurança ao que falava, mas no fundo ele também não acreditava no que dizia.

Tentando olhar pela janela o Ranger pode ver alguns bandoleiros na parte da frente e na parte de trás do trem também, rapidamente se voltou as pessoas por perto e falou:

- Senhores, parece ser um assalto, vamos ficar calmos… guardem seus pertences valiosos e entreguem o resto que pedirem.

Sem terminar a frase, um homem que estava perto deu uma coronhada na nuca do Ranger e falou:

- Ninguém guarda nada, entreguem tudo!! Tem um de nós em cada vagão, qualquer movimentação suspeita e mandaremos vocês malditos de volta ao criador!! Todo mundo sentado e calem a boca.

Se levantando o Ranger sentou e como por hábito passou a mão na cintura em busca da Colt .45 enquanto encarava o bandido.

- O que foi bonitão!? Gostou da minha cicatriz? Posso fazer uma igual na sua cara! – disse o bandido vindo em direção do Ranger com um punhal na mão.

- Chega Larry! Não estamos aqui pra isso… – falou um homem armado com uma Smith & Wesson calibre 44, porém estava com o rosto coberto por um lenço vermelho.

- Certo chefe…

O Ranger já havia ouvido falar daquela arma, com marcas no cabo 16 marcas ela tinha, só poderia ser o bando do Texas Red… lembrou do que o Governador disse, mas pensou: “ele mandou eu não intervir no caminho de Fort Worth para Sacramento, não falou nada na minha ida. O Ranger sabia que era perigoso, mas também sabia que ninguém naquele trem atiraria melhor do que ele, era uma questão de esperar a hora certa.

Texas Red não ficou nem 1 minuto no vagão e já foi para outro para supervisionar seus asseclas, não dá pra confiar em ninguém nestes dias, enquanto isso, o bandoleiro ia fazendo a limpa no vagão:

- Vamos suas vagabundas! Quero todas suas jóias, relógios e  dinheiro!!! E os senhor também padre! – disse fazendo o sinal da cruz.

O Ranger fingia estar tonto ainda, mas já estava bem acordado, porém não tinha como fazer um ataque direto… teria que esperar o bandido se distrair e foi nessa hora que ele percebeu como, enquanto tirava o colar de uma dona o bandido aproveitou para lhe apertar os seios:

- Seu insolente!!!

- Opa desculpa, Dona! É que suas tetas são tão grandes que não consegui pegar só o colar.. hua hua hua hua!

O Ranger sabia que aquele não seria o único ato de cunho sexual que o bandoleiro teria no vagão, ainda mais que no banco do outro lado do corredor havia uma dona bem ‘vistosa’ com um decote farto e esse era o plano do Ranger, atacar quando ele se distraísse.

- Oi Dona, em outra circunstancia eu te pagaria um drink para apertar esses melões, mas já que estou aqui… – disse o bandido indo em direção a moça e esse era o sinal! O bandido nem percebeu o que lhe atacou, quando o povo percebeu o bandido já estava sob a bota lustrosa do Ranger.

- Um a menos, se acalmem! Eu sou um Arizona Ran… – Nem terminou a frase e um tiro foi disparado do outro lado do vagão, o Ranger não tinha percebido que haviam 2 bandidos no vagão, por sorte o bandido não era bom de pontaria e o tiro nem perto passou do Ranger, diferentemente, o Ranger tinha pontaria certeira e acertou entre os olhos do bandido com a pistola do que estava desacordado.

- Amarrem esse aqui e se abaixem!

Sabia que agora só haviam 5 tiros a mais para serem disparados, precisaria da espingarda do outro bandido para ter alguma chance, enquanto caminhava rapidamente para o fim do vagão escutou a porta se abrir e sem nem muito pensar virou e antes que um outro bandido pudesse mirar, atirou acertando no coração!

“Só tenho mais 4 balas, preciso daquela espingarda”. Sabia que estava enrascado porque os outros bandidos certamente escutaram os tiros e logo todos estariam naquele vagão o que colocaria todas aquelas pessoas em perigo, ele precisava levar a luta para outro lugar! Sem pensar em sua segurança, abriu a tampa acimado corredor e subindo nos bancos foi para o teto do vagão sem pegar a espingarda.

Olhou para frente estava a 2 vagões da locomotiva, pensou nas 4 balas que restavam e viu alguns bandidos fugindo, se conseguisse chegar a caldeira da locomotiva talvez tivesse uma chance, sem pestanejar começou a correr na direção, o primeiro vagão foi fácil de passar, porém os passos foram ouvidos pelos bandidos e tão logo atingiu o segundo vagão, os tiros começaram, desse jeito não conseguiria chegar no vagão de carvão e no meio do segundo vagão o Ranger caiu.

Dois dos bandidos subiram para se certificar que acertaram o Ranger:

- Ha ha, com certeza que o tiro foi meu! – Disse um deles enquanto mascava um naco de fumo.

- Capaz, você não acertaria um búfalo ainda que estivesse a sua frente, o tiro é do meu revolver… falou o outro se equilibrando no teto do vagão e chegando perto para ver o Ranger.

A lua estava cheia e ainda que apenas tivesse começado a anoitecer, já brilhava bastante no céu e esse brilho refletiu nos olhos do Ranger quando ele abriu e atirou rapidamente no peito do primeiro bandido fazendo-o cuspir sangue e tabaco, sem nem piscar atirou no olho esquerdo do que vinha atrás; a estratégia de se fingir de morto foi arriscada, mas funcionou… o Ranger estava a apenas um vagão de carvão e 2 balas de salvar o trem!

De longe ele via nos últimos vagões os bandidos fugindo, tinha no peito a sensação de dever cumprido, nenhum inocente morrera, agora era só soltar o maquinista e tocar viagem até a cidade mais próxima. Ao chegar na cabine de comando o calor da caldeira era bem alto, pensou em como deveria ser difícil e cansativo trabalhar ali e riu pra si mesmo pensando que seu trabalho era mais ‘fácil’.

- Calma amigão, sou um Ranger e logo você estará solto!

O Ranger via pavor nos olhos do maquinista, talvez fosse apenas o calor, ele pensou e esse foi o último pensamento que o Ranger teve, sem nem mesmo saber quem lhe atirou na nuca, fazendo-o cair logo a frente do maquinista.

- Ranger maldito – falou o homem com a Smith & Wesson modelo 3 – mais 5 tiros foram disparados nas costas do Ranger já caído, pegou o punhal que brilhou prateado com a luz da lua, o pobre maquinista se debatia:

- Quieto seu fresco, não vou te fazer nada! – Disse o homem colocando mais uma marca no cabo da Smith & Wesson. – Pronto, 17!

O bandido foi embora e deixou o Ranger caído da mesma maneira com que os Marshalls o encontraram no outro dia, da mesma maneira que seu irmão o encontrou no outro dia.

E com essa imagem, sob o sol do meio dia o irmão do Ranger, que agora tinha o chapéu e levava o Pé-de-Pano lado a lado falou:

- Vamos amigo… vamos descansar um pouco e deixar nossos mortos em paz!

Command and Control

Semana passada, às vésperas dos feriados da Semana Santa (praticamente a micareta católica) eu e o Everton degustamos uma feijoada vegetariana e falamos sobre a vida, o Universo e tudo o mais, como usual. Só que entalamos o pé mais fundo no assunto religião, entorpecidos pelo cheiro de chocolate no ar. Como seres racionais, este atolamento mental não gerou briga, mas a semente de raciocínios próprios e conjuntos sobre o tema. Daí combinamos e resolvemos fazer este “especial” sobre religiões no blog, logo depois da micareta.

O Everton começou nesta segunda com um apanhado geral sobre o histórico das religiões organizadas, pincelando em pedaços de História que deram pelo menos uma dúzia de milhares de dissertações e teses pelo Mundo afora, e pelo menos 3 livros bem importantes que todo mundo no Mundo tem em casa: a Bíblia, a Torá e o Corão.


Livros e idéias são o que menos faltam neste Mundo. Mas o que falta é controle. No post anterior foi mostrado que muitas más intenções podem ser controladas pelo medo incutido por um ser superior. Esta idéia foi co-optada por seres mortais, e livros, idéias e controle de pessoas sobre pessoas, sem a promessa de um Reino dos Céus ou a absolvição dos pecados, se proliferaram.

Por mais bizarro que pareça, eu acho isso uma boa coisa. Pode ser uma etapa na libertação das crenças sobrenaturais e o começo da crença no ser humano. Esta história não é nova, mas tem ganhado roupagens modernas e cada vez mais adeptos, talvez pela velocidade com que a informação é compartilhada em todo o Mundo, mas principalmente pela capacidade racional dos seres humanos.

Alguns podem argumentar que ainda somos animais, nos protegendo do trovão, reagindo por instinto e rogando por proteção. Somos, mas o trovão cada vez menos nos assusta.


 

Religiões…

Depois de alguns papos com o Doug resolvi preparar um texto sobre um assunto polêmico: Mamilos! Mamilos são polêmicos! Religião, ou melhor, religiões, afinal, elas nos acompanham desde que éramos apenas seres nômades com alguma noção de que tinha que haver algo maior!

Mas e aí? Realmente existe algo maior? Não sei! E esse texto nem quer chegar nesse ponto, a ideia é realmente tentar entender nossa necessidade de achar que há algo maior, alguma força que nos criou ou coisa do tipo.

Antes de levantarmos os pontos, vamos pensar um pouco quando e como as religiões começaram: acreditando que os testes de carbono 14 são precisos e funcionam (afinal, ciência também é um tipo de religião aonde crença é requerida, mas isso fica pra outro texto), existem evidências que a cerca de 300,000 mil anos mais velho que aquela senhora que mora na sua rua o homo sapiens criou algum tipo de ritual para com os mortos, dado a artefatos enterrados com ossadas. Algumas dessas peças se referiam a figuras antropozoomorficas (se você não sabe o que significa, procure no google) outras a figuras com formas femininas que provavelmente louvavam a gestação; enfim, a algumas centenas de milhares de anos nossos ancestrais pensavam nos mistérios da vida e da natureza para dessa maneira ‘endeusar’ certas coisas.

No fundo, provavelmente, quando na alvorada da evolução nossos antepassados viram o fogo, o raio, a chuva, achavam que esses eventos só poderiam ser obra de deuses e algo maior, mas como não havia escrita, não havia também uma organização… sendo que os primeiros registros são de cerca de 8000 anos atrás agora sim da idade daquela múmia que mora na sua rua onde encontraram vasos, desenhos e outras quinquilharias que referenciavam uma deidade chamada de a Grande Deusa, ou seja, podemos dizer que na religião antiga, a figura feminina era mais importante.

Mas ainda assim não haviam ritos descritos, embora seja lógico pensar que já existiam, no século XIX descobriu-se os Textos das Pirâmides, que são considerados a coleção mais antiga de textos já produzidos pelo homem em relação a religião, com cerca de 4400 anos, são ritos completos descrevendo com detalhes alguns cultos. “Ai Everton, isso é tudo mentira, porque a bíblia é mais antiga…”, pera pera pera, já chego lá, lembrando que a religião católica descende direto do judaísmo e dessa forma, a terra teria apenas 5700 e poucos anos… calma aí!

Mesmo religiões antigas como o Xintoísmo datam de cerca de 4000 e poucos anos atrás, então da pra imaginar que as religiões que temos hoje são ainda que de alguma forma abstrações das religiões mesopotâmicas, egípcias, hindus e xintoístas.

Para os cristãos que hoje em dia representam cerca de 30% da população é bom saber que os textos conhecidos como a bíblia são em parte textos da Torá judaica e não tem muito mais do que 3000 e tantos anos e a bíblia moderna, tem bem menos que isso. Logo, são religiões modernas.

Enfim, as religiões acompanham a humanidade desde os primórdios, mas por quê? Se formos pensar como Freud, vendo pela ótica do texto “O mal estar da civilização”, chegamos a conclusão que criamos artifícios miraculosos para suprir nossas necessidades, nossas imperfeições e acreditando assim em um (ou mais) seres perfeitos fica mais fácil de viver… aos psicólogos, peço desculpa por que estou bem superficial nisso, mas realmente acredito que o buraco é mais embaixo. O fato, independente se Deus é uma criação humana ou não, as religiões estão aí e vão ficar, para o bem e para o mal!

Ao mesmo tempo em que existe toda uma latrina histórica que demonstra o lixo e atraso que as religiões, sejam cristã, muçulmana ou quaisquer outras, trouxeram para a humanidade também há um lado bom, as religiões ‘pastoreiam’ aqueles que precisam ser pastoreados, aqueles que ainda não tem capacidade de assimilar uma ideia maior. Imaginem quantos assassinos foram acometidos de não fazer crimes graças às amarras religiosas que os seguraram?

Um grande detalhe é, que ainda que você acredite que Deus não foi criado pelo homem, as religiões com certeza foram! E como tudo feito por nós, é imperfeita e NÃO IMPORTA QUAL SEJA, qualquer religião tem seus problemas e não adianta distribuir panfletinhos, fazer sacrifícios de bodes ou beber Santo Daime, no final das contas, quando você me perguntar qual é a melhor religião que existe, eu sempre vou responder de boca cheia: A SUA! SEJA ELA QUAL FOR!!!

Prisioneiros de consciência

De minha desorganizada lista de filmes a assistir, emergiu ontem à noite o filme britânico/irlandês “The Escapist” (2008). Com um elenco  espetacular que vai de Brian Cox a Seu Jorge, passando pelo Joseph Fiennes (lembram dele, “Shakespeare Apaixonado”?), o filme é um drama de fuga de prisão para os novos tempos. As duas metades da ação (preparação e fuga) se intercalam em uma edição espertíssima, as atuações como já falei são brilhantes e a história, bem, a história é de te deixar na ponta da cadeira nos minutos finais e pensando por horas depois.

O que deixa o filme tão moderno (e, me atrevo a dizer, pós-moderno), é sua coragem em mostrar que a privação de liberdade e o abuso de poder existem primariamente na imaginação das pessoas, de um simples prisioneiro fantasiando sobre a vida “lá fora” até um chefe de quadrilha de presídio, absoluto em sua posição mas ao mesmo tempo tão sem saída quanto o primeiro.

Fora e dentro, questão de imaginação

Para evitar já contar o final do filme (sim, tem um twist), prossigo na reflexão sobre liberdade lembrando outro assunto que emergiu ontem à noite e que teve uma ligação quase direta, pelo menos na minha cabeça: o Sexto Congresso do Partido Comunista de Cuba. Este link mostra o vídeo da única aparição de Fidel durante o evento. Debilitado, mal conseguia ficar em pé, trazendo lágrimas aos olhos dos comissários do Partido.

Muito ouvimos falar dos prisioneiros de consciência que regimes ditatoriais (ou até democráticos) mantém em suas prisões. Presos por acreditarem em, ou serem, algo que a sociedade ao seu redor não entende ou respeita. Nos últimos meses uma série destes prisioneiros em Cuba foram libertados, e o Sexto Congresso, o primeiro em 14 anos, demonstra uma mudança, mesmo que pequena, de atitudes tomadas pelo poder absoluto do Partido Comunista de Cuba.

O colapso da URSS, o embargo norte-americano, crises econômicas globais, e desastres naturais parecem ter enfraquecido a resolução dos revolucionários cubanos? Talvez não. Assistindo à fragilidade do “Comandante” e as mudanças propostas no sistema cubano pelo Congresso, penso que talvez a liderança revolucionária tenha realizado que eles mesmo são prisioneiros de consciência e, além disso, prisioneiros de sua mortalidade.

Curitiba dos Mortos – Prefácio…

Dando continuidade aos contos de Curitiba dos Mortos, estou adicionando mais uma parte, considerando aquele primeiro como um Prologo, essa parte pode ser o prefácio,se é que existem textos com prologo e prefácio… enfim, o texto é meu e tem prologo e prefácio, espero que gostem:

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Prefácio – Curitiba do vivos

Algumas semanas antes…

 

A princípio era mais um dia frio, como qualquer outro no inverno de Curitiba, ainda que já estivesse perto das oito da manhã, estava um tanto escuro, acinzentado, diferenciando apenas pela garoa que caía, constituindo quase que uma chuva.

Devido ao tempo ruim, mais uma vez estava atrasado para o trabalho, o trânsito, horrível normalmente, estava pior, incrível como as pessoas emburrecem com uma meia dúzia de pingos d’água! Trabalho em uma grande multinacional e atrasos, ainda que não bem vistos, podem passar desapercebidos quando não frequentes.

Ligo o rádio para ver se me distraio nesse trânsito, mas acabo me arrependendo devido às notícias: goleiro que esquarteja amante, estuprador no interior do estado, chuvas e enchentes na china, terremoto no Haiti, o locutor até comenta:

- Desse jeito, nem o céu comportará tanta gente!

- Nem o Inferno! – Digo eu em voz alta, sozinho no carro. Lembro de uma passagem do Madrugada dos Mortos: “Quando o Inferno estiver cheio, os mortos andarão sobre a terra”, rio sozinho… tanta desgraça parece até engraçado, digo em voz alta que 2012 está aí para expulgar nossos pecados:

- Get down on your knees and pray! – Falo em voz alta enquanto ultrapasso um domingueiro que andava com o carro feito idiota em plena segunda feira.

Engraçado eu pensar em Zumbis, as últimas notícias da Ásia, tem que ser sempre de lá, indicam que agora existem cachorros resistentes à morte, que após serem acometidos de raiva, só morrem com tiro na cabeça, e é esse o ponto que preciso explicar, tudo começou a alguns anos atrás, também na Ásia, primeiramente foi um surto da chamada Vaca-louca, sacrificaram milhares de animais, inclusive aqui no Brasil, devido a isso, ainda que alguns pouco humanos tivessem morrido por isso, não foi significativo, depois veio a Gripe do Frango, similar a vaca-louca, começou na Ásia e se espalhou, também acabam por exterminar milhares de aves e algumas milhares de pessoas também morreram ao redor do mundo, algumas aqui no Brasil, mas não foi uma pandemia tão absurda e última que esperávamos que fosse a última, aconteceu com os porcos e ficou conhecida como gripe suína, muitos animais e muita gente morreu, foi talvez a pior pandemia desde a gripe espanhola, mas a indústria farmacêutica desenvolveu uma vacina e em alguns meses controlou-se essa praga também.

Logo após o frissom da gripe do porco, soube-se que alguns cachorros na china adquiriram uma versão mutante desse vírus, o que foi conhecida como Gripe Canina, parecida com a Gripe Suína, os animais acabavam morrendo de febre, falência dos órgãos… muitos animais foram sacrificados, porém, soube-se dos primeiros casos de seres humanos com a Gripe Canina na China, isso devido ao hábito de comer carne de cachorro.

Isso aconteceu a cerca de três meses atrás, o consumo de carne de cachorro foi proibida na China, o que se acreditou ter segurado e evitado uma pandemia, porém as notícias lá são um tanto quanto manipulada e na Internet pipocavam várias sobre a Onu enviar ajuda, todo mundo imaginava que deveria ser devido as enchentes vem acontecendo ultimamente, mas alguns sites dizem que em algumas regiões remotas, cães com hidrofobia adquiriram a gripe e, de alguma maneira o vírus mutou se misturando com o da hidrofobia… diferente dos primeiros cães, esses não mais morriam, ainda que seus órgãos entrassem em falência, eles continuavam loucos, apodrecendo devido a febre intensa, mas… isso tudo era apenas boato, notícias em blogs, mensagens de 140 caracteres no twitter, ninguém acreditava em cães zumbis e eu apenas achava engraçado.

Dessa maneira, Curitiba continuava a ser um paraíso frio, minha única preocupação era sobreviver ao trânsito terrível desse dia frio e chegar a tempo ao trabalho e talvez ainda tomar um café.

Curitiba dos mortos…

Caros, faz um tempo pensei em escrever uma história de Zumbis ambientada em Curitiba, acabei até escrevendo alguma coisa, mas ficou muito com teor corporativo… por isso, escrevi este penqueno conto, que talvez servirá como prólogo para algo maior, vamos ver…

Não esqueci do Big Iron, vou terminar a 3a parte esta semana, mas por enquanto se deliciem com a Curitiba dos Mortos:

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Não entendia o que estava acontecendo, tão pouco se importava com a roupa embebida em sangue, tudo que conseguia pensar era em fome, esta que lhe rasgava por dentro, fazendo sentir dor e a cada espasmo sua cabeça girava! Só queria saber como saciá-la e fazer a dor ir embora.
Sua visão não era mais a mesma, tudo estava turvo, talvez fosse a necessidade dos óculos que estavam esmagados no chão, mas as mãos trêmulas não se direcionavam para pegá-lo, mas sim apontavam para as pessoas que tentavam correr em desespero, o cheiro era tão bom, enquanto tentava se levantar com dificuldades, salivava, percebia que a baba lhe escorria pela boca, mas pouco ligava, tudo o que importava era aquele cheiro, comida, algo que lhe faria sair daquela dor.
Sentia algo escorrer por suas orelhas, algo viscoso, ainda assim sua audição estava melhor do que jamais fora, aos 40 anos a audição já está um pouco debilitada, ainda mais quando se é um policial de transito habituado aos barulhos do dia-a-dia, mas não era mais assim, agora ele conseguia ouvir tudo como se até os passos gritassem, conseguia até mesmo ouvir o coração do seu colega caído no chão que estava prestes a parar de bater… a única coisa que não conseguia ouvir era seu próprio coração, mas isso pouco importava.

Um resquício de memória ainda lhe cortava o pensamento, flashes de um caos, pessoas correndo e sua moto batendo na barreira policial, vários mendigos que pareciam estar em putrefação levando tiro e ainda assim avançando, algumas palavras esparsas dos colegas e a dor indescritível quando os dentes de um dos mendigos arrancou um pedaço do seu pescoço, tudo fica preto e apenas algumas palavras: “retirar, ele já está morto… se tiver sorte!”.

Sentia seu corpo ardendo como se estivesse em uma sauna, parecia como se à medida que a temperatura subia, seu consciente diminuía, até se perder completamente e se tornar uma casca vazia, apodrecendo, querendo apenas saciar a fome e diminuir a dor, para isso agarrou o braço de outro policial agonizante no chão e com uma única mordida arrancou um naco de carne, músculos se rompendo e mais sangue, nada importava, nem sequer que a 2 dias eles estavam jogando bola juntos, tudo o que importava era aquele gosto e a sensação de prazer que lhe tomava o corpo.

Mas a sensação logo se esvaiu e nem mesmo uma segunda mordida conseguia devolver a saciedade, tinha que procurar outro, seguir aquele cheiro, tentou abrir a boca e pronunciar algo, mas tudo o que conseguiu foi um som grutural e desesperador, levantou e começou a se dirigir a multidão, sequer percebeu a fratura exposta em sua perna que lhe obrigava a mancar.

Poucos foram os passos até que uma bala lhe atravessou o cérebro, em seu último segundo de lucidez queria agradecer, mas tudo o que conseguiu for ver aquele vulto dando-lhe mais um tiro na cabeça e falando: “viu isso filha, sempre atire duas vezes para garantir…”, ali acabava a curta pós vida do Sargento Perez e apenas o começo de mais um dia na Curitiba dos mortos.