Ciranda cirandinha

Ontem foi um dia histórico para a TV brasileira. E não foi o final da novela das 8 ou a final da Libertadores, mas sim a estréia do novo programa “Roda Viva” da TV Cultura, capitaneado pela jornalista multi-funcional Marília Gabriela. Um dos programas de entrevista mais duradouros da TV mais uma vez se renovava, mostrando o segredo de sua longevidade.

Mas neste caso provavelmente a renovação não quis dizer evolução. O número de entrevistadores diminuiu dramaticamente, agora composto por dois jornalistas experientes, Augusto Nunes e Paulo Moreira Leite (ambos veteranos de Roda Viva), e mais dois entrevistadores convidados, além do genial Paulo Caruso fazendo cartuns on-demand durante o programa.

Para começar, o programa não é mais transmitido ao vivo pela Web. É “gravado ao vivo”, e é exibido na rede ao mesmo tempo que na TV, toda segunda-feira, às 22 horas. Esta discriminação entre meios de comunicação, a falta de visão de explorar a atração do ao vivo com a disponibilidade da Internet é tão inexplicável como os cortes indiscriminados no restante da programação do canal da Fundação Padre Anchieta.

Se a redução de entrevistadores diminuiu os ângulos pelos quais o entrevistado era testado, o comando da ingênua e condescendente Marília Gabriela arrasou qualquer chance do programa ser realmente no mínimo o “termômetro do país” como ele agora se propõe. Um programa que já entrevistou prêmios Nobel do Mundo inteiro se restringir a um termômetro local é outro sinal de encolhimento sem sentido.

A experiente jornalista simplesmente perdeu as estribeiras após completar 50 anos, virando atriz, garota-propaganda e cantora, entre outras coisas. Pode tudo, mas faz cada vez menos coisas direito. Ela conquistou este direito, não nego, mas também não sou obrigado a engolir. Suas tiradas de humor lembram um Jô Soares com anfetaminas, ou seja, são velozmente sem graça, mas o constrangimento perdura enquanto o entrevistado tenta fazer algum sentido de suas perguntas ingênuas.

Uma dupla da pesada

Não nego que admitir ignorância e simplificar é um dos melhores jeitos de extrair mais de um expert, mas acho que sem o arsenal de convidados que o Roda Viva estava acostumado a descarregar em cada entrevistado o programa logo se tornará uma cirandinha, comandada por uma menina mimada.

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Poesiaosfera…

Caros amigos, passando pra deixar rapidinho algumas poesias que escrevi nos últimos dia, comentários são sempre bem vindos.

Perdidas no Ar

De que me adianta estar em uma concha,
com tão belo exterior
Se dentro há apenas medo e agonia
claustrofobo horror

De que me adianta fingir um sorriso,
com este brilho cegante
Se o que há são lágrimas
e uma dor lascinante

Pode-se agradar a todos em volta,
fingir que tudo está bem
Se negar a enxergar o óbvio
que respeito está tão aquém

Pode-se mentir pra todos
Que há amor e é verdadeiro
esconder de si próprio,
mas jamais enganará seu travesseiro

De que me adianta ser um modelo,
uma escultura em carrara
Se a base é apenas lama
nada mais do que uma máscara

De que me adianta de tudo falar,
Com um brilho no olhar
Se são apenas palavras
perdidas no ar

Palavras sem ação,
ação sem palavras
Um direito em errar
e manter as palavras
sempre perdidas no ar

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Fotos nossa

Procurei muito as fotos suas
encontrei dentro mim lembranças
aquelas que não puderam sumir
aquelas que não sensibilizaram o filme

Lembrei de você chorando
seu rosto tão delicado
seus olhos mareados
e o meu ombro molhado

Talvez se eu pudesse…
se apenas eu tivesse
ou de outra maneira fizesse
haveriam diferentes fotos suas

Encontrei em um álbum as fotos suas
mas nenhuma era o que eu queria
nenhuma tinha o que eu precisava
que era seu cheiro, seu toque

Lembrei de você rindo
linda e tão feliz
seus olhos brilhando
e eu refletido neles

Talvez se eu pudesse…
se apenas eu tivesse
ou de outra maneira fizesse
haveriam diferentes fotos suas

mas novas poses faremos
e novos choros e sorrisos também
para não mais encontrar fotos suas
e começarmos a guardar as fotos nossas

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Seria… será!

A muito eu já não tenho a certeza de nada
de onde estou ou pra onde vou
só sei que não aguento mais assim
quero saber como será amanhã!

Quero saber como seria se tudo acabasse,
Como seria se você não me conhecesse
Como seria se eu não acordasse ao seu lado
Como seria?

Eu sinto seu cheiro pela casa
e já não sei se é sonho ou realidade
só sei que não aguento mais assim
quero saber como será amanhã!

Quero saber como seria se tudo voltasse,
Como seria se você não soubesse
Como seria se eu te abraçasse de novo
Como seria?

E essa voz na minha cabeça,
que seu nome, não sei mais se é sanidade
só sei que não aguento mais assim
quero saber como será amanhã!

Quero saber como será o agora,
Como será você e eu juntos
Como será nós abraçados, nós
Como será?

Seria, será!

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Os nossos

Eu estava por aí,
encontrei um atalho
para ver o que está dentro
o que está dentro?

Foi então que eu percebi,
que tudo aquilo que eu vi,
nem de perto era pra mim
e de longe eu não via o fim

Era uma terça feira,
daquelas qualquer,
até o sol brilhava
mas isso não importava

Foi então que eu me perdi,
não levei em conta o que vivi
sem dormir eu sonhei
e de uma forma diferente acordei

E era uma sexta feira,
mas não era uma qualquer,
ainda que eu pudesse ver o sol,
porque nesse dia não mais estava só

Foi então que eu sorri,
e o choro eu engoli,
pude me ver nos seus olhos
e encontrar sonhos… os nossos

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Relacionamento Especial

Entre as frestas dos grandes lançamentos, estão aqueles filmes que ficam poucas semanas em cartaz, às vezes tão poucas que nem dá tempo de assistir no cinema. Ficam escondidos nestas frestas até um dia você os encontrar novamente, como uma moeda de 1 real debaixo da almofada do sofá. Mas o encontro com a moeda não foi completamente involuntário. Você teve que levantar a almofada para encontrar, ou ser encontrado, pela moeda.

É este pequeno esforço de “levantar a almofada” que é necessário para transformar o mais recente filme de Roman Polanski, “O Escritor Fantasma” (The Ghost Writer, 2010) em uma experiência cinematográfica perfeita, especialmente para os fãs do gênero thriller, com um pé em teorias da conspiração, História e eventos atuais.

Com o charme característico dos filmes de Polanski, se a história de um “escritor fantasma” (escritores contratados para escreverem biografias de figuras importantes sem tempo e/ou talento para escreverem as próprias memórias), vivido por Ewan McGregor, que é contratado para finalizar a biografia de um ex-primeiro ministro britânico (Pierce Brosnan) após seu assessor e fantasma anterior morrer em situações suspeitas não prender a atenção, só o charme com certeza irá prender o espectador. Uma trilha sonora suave que surpreende em alguns momentos, o tom soturno das cores e as química sutil do elenco são um prato completo.

Mas, vamos tirar a almofada. Dentro da trama de mistério, o roteiro busca de forma ficcional (e desperta uma reflexão de forma real) a origem do “relacionamento especial” entre Estados Unidos e Inglaterra, especialmente no contexto da “Guerra ao Terror”. Desde a Primeira Guerra Mundial, e especialmente depois da Segunda e durante os governos Reagan/Thatcher, estes dois países se comportaram praticamente como um só perante os desafios globais, e na maioria das vezes com posições contrárias às do restante do Mundo.

O roteiro também se aproxima da vida do próprio diretor. O personagem de Pierce Brosnan é forçado a ficar nos EUA por este país não ter acordo de extradição com o Tribunal de Crimes Internacionais. Polanski recentemente foi preso na Suíça a pedido dos EUA, mas teve o pedido de extradição negado e logo após foi libertado. Impossível não fazer o paralelo e ver a situação como um deboche ao país que o persegue há mais de 30 anos.

Por estas frestas, mercadológicas, políticas e judiciais, que o diretor franco-polonês continua sua brilhante carreira artística, reconhecido pelo Mundo todo, menos pelos Estados Unidos e seu atual cachorrinho-de-colo, a antes poderosa Inglaterra.

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Brucutus X Macacos = Falta de respeito?

Essa semana fui assistir o novo filme do Stallone, onde ele e sua turminha do barulho vão a um país fictício na América Central, no maior clima de azaração aprontando mil e uma confussões  e lá encontram um general malzinho que na verdade é um boneco na mão de malvadões americanos. Aqui o filme foi traduzido com o nome de ‘Os Mercenários’, porém o nome Expendables (Dispensáveis) é mais interessante… enfim, algumas semanas atrás houve todo um frissom devido à declaração do Stallone sobre ser bom filmar no Brasil porque pode explodir tudo e os brasileiros ainda dizem obrigado e oferecem um macaco, ouvi muita gente tendo chiliques com isso, mas disse ele alguma mentira?! Se nem nós nos respeitamos, por que esperamos respeito dos outros?

Voltando ao filme, imaginava que seria apenas mais um filme de explosões, ação e os brucutus matando gente e… foi realmente isso, mas de uma maneira bem legal que me lembrou os filmes da década de 80, com cenas bem feitas e de maneira sem ser absurda demais, vide Missão Impossível e afins, pra ser bem sincero, gostei bastante de ver a velha guarda dos brucutus fazendo um filme desses, a cenas gravadas no Brasil tão bem legais, salvo uma ou outra aparição da cerveja Itaipava e do Guaraná Bhrama, os quais imagino que não são vendidos na américa central, óbvio, que tem furos no roteiro, mas nem tudo é perfeito.

Falando um pouco do cast feminino (composto basicamente de 2 atrizes), Gisele Itié até que faz bem o papel da incorruptível filha do general, sem explicar muito a relação entre eles, mas ela convence com seu inglês xicano, poderia sim, ter sido mais bem aproveitada, mas foi melhor do que o Santoro em seus primeiros filmes mudos de Hollywood; já Carisma Carpenter é totalmente sub-aproveitada, praticamente entra muda e sai calada, pelo menos rendeu uma boa cena para o Jason Stathan. Agora sobre os brucutus, a abordagem do Stallas é boa, porém todos em sua maioria foram mal aproveitados, o que não quer dizer um problema de direção e/ou roteiro, talvez a edição tenha sido porca… apenas o Jet Li, Lundgreen, Stathan e óbvio o Stallas são personagens de destaque

Ainda sem ter ação, gostei do personagem do Mickey Rourke, deu um peso necessário ao filme, algo como um mentor/amigo do personagem do Stallas, não contou muito sobre o personagem, mas foi interessante, como se fosse uma parte perdida da consciência do próprio; sem contar as participações especiais de Bruce Willis e do Schwazzas, muito boa a cena do Governator trocando farpas com o Stallas, já vale o filme, deu o peso de humor que sempre quis ver no cinema.

E falando sobre pesos, a declaração do Stallas quanto ao Brasil e macacos, foi infeliz, foi sim, porém foi pertinente, ainda que apenas uma piada! Diferente de qualquer outro país com um pouco mais de estrutura, o Brasil não montou nenhum comitê para analisar o impacto do filme, explosões etc… o que é comum nos EUA, onde deve-se garantir segurança pessoal e patrimonial e, ainda que o Brasil obrigasse a usar algum padrão, com certeza os padrões usados por eles seriam muito mais rigorosos que o nossos, mas o ponto é, não há ninguém reclamando, pelo contrário, deram incentivos e ficaram lambendo o saco da produção, vejo o que o Stallone disse como uma piada de como as autoridades locais foram puxa-sacos.

E é claro, moramos em um país onde a falta de respeito impera, junto com a hipocrisia! “Ahhh, não vou dar dinheiro pra esses porcos americanos que nos fazem de palhaços… sim sim, uma coca-cola por favor!”, ahhhhh, fala sério, não enxergamos que boicotar um filme por que a estrela principal fez uma piada está longe de ser patriota e outra, isso é apenas um pentelhonésimo, como eu disse no começo, não nos respeitamos, pagamos 2k reais em um iPhone que custa 1/3 desse valor lá fora ou 500 Reais em um nike shox que custa 40 dólares… no fundo os americanos não precisam nos fazer de palhaços, já fazemos isso sozinhos pagando imposto e afins! Sem contar que foi uma piada, certo? Tenhamos um pouco de senso de humor então!

Não quero nenhum revolta armada contra o Stallas e/ou aos americanos, muito pelo contrário, ainda assim deixo aqui meu pesar quanto a nossa postura, é fácil simplesmente se mover pela media, engolir tudo com farinha e apontar o dedo na direção mais comoda, bom seria pensar um pouco antes, o filme vale a meia-entrada no cinema, não é nenhuma peça de exploração dos direitos brasileiros e ficar com raiva do Stallas é procurar pelo em ovo, quer ser a diferença? Não seja palhaço, acredite nesse nosso país, se desenvolva e não ofereça macacos, seja pro Stallas, pra Apple ou pra quem quer que seja.

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O espectro empático

Em um post anterior eu mencionei brevemente um “pré-alfa super secreto dos Países Baixos” na minha busca com música nova. Este pré-alfa foi lançado esta semana, e se chama Shuffler (http://shuffler.fm/ para quem não acredita em seguir links). O @marcelcorso está envolvido no desenvolvimento do site, que tem gerado um buzz tremendo na Interweb, daí o acesso ao alpha.

O que o Shuffler faz é “zapear” por blogs de música organizados por gêneros, virando em sua forma mais básica uma jukebox digital. Um dos diferenciais é que ao mesmo tempo que ele toca as músicas dos blogs, o próprio blog que hospeda a faixa é mostrado na janela do navegador.

Escolha um

Quando primeiro ouvi falar do Shuffler eu pensei em citar o George W. Bush falando do seu iShuffle, uma besteirada usando a mesma palavra 4 vezes mas, por sorte, encontrei no meu dia-a-dia cibernético esta apresentação do futurólogo Jamais Cascio falando sobre o futuro da Internet (é, eu sei) e com alguns conceitos que ele expôs lá eu consegui analisar o Shuffler por uma ótica muito mais interessante, crítica e, confesso, empolgante.

Jamais (que nome bacana!) fala de três aspectos da cultura: criação, consumo e conexão. Resumindo, a Web atual ainda está no eixo criação+consumo, a “terra do Lego”. É fácil criar e é fácil consumir. É somente um passo além do nosso mundo anterior à Internet, com as pessoas consumindo o que os meios de comunicação, que também são movidos a pessoas, ofereciam.

Jamais Cascio em seu uniforme de futurólogo californiano

O aspecto “conexão” que ele destaca não quer dizer os cabos de fibra ótica e a disponibilidade de conexão entre computadores. Ele descreve isto como a relação entre pessoas, produtoras de conteúdo ou não, neste ambiente da “terra do Lego”. Com tantos criadores, como avaliar o que é bom para cada um? Isto tem muito a ver com gosto, mas também reputação, confiança. A HypeMachine foi um experimento em trazer este tipo de garantia no mundo musical virtual, mas carecia de colocar uma cara nos artistas “selecionados” pelo seu algoritmo frio e imparcial.

O Shuffler devolve o controle deste julgamento de reputação ao usuário. Se você estiver disposto (tudo bem se não estiver, o site continuará lá, escolhendo e tocando as músicas para você), você muda para a janela e encontra um post de um blog acompanhando o que está tocando, com um pouco mais sobre a música, seja sobre um show, uma fofoca sobre o artista ou uma opinião,  que pode dizer “olha como isto é legal, escute comigo”.

Esta conexão entre criação e consumo, baseada em reputação, pode transformar a Internet em um “espectro empático”, onde pessoas de gostos iguais não só consomem ou só se conectam, mas também criam e compartilham.

E todos vão viver felizes para sempre (na Gap)

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